Resenha: A Culpa é das Estrelas

Texto originalmente publicado dia 1 de Julho de 2014
 

O grande problema de chegar para alguém e dizer que gostou de um filme baseado em um livro é que as chances dessa pessoa ser uma imbecil são altas. Como você reconhece isso com precisão? Basta falar que achou o filme bom e ela automaticamente vai responder “PODE ATÉ SER MAS O LIVRO É MELHOR, É MAIS COMPLETO NÉ HIHIHI EU ACHEI O LIVRO MAIS COMPLETO PORQUE EU LI O LIVRO”.

Sim, sua filha da puta. Já viu quantas palavras existem dentro daquelas páginas? É claro que aquilo vai ser mais completo que o filme. Pare de se orgulhar só por ter lido uma caralha de um livro. Todo mundo sabe que o filme não é como o livro.

 
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Então, fui ver A Culpa é das Estrelas porque muita gente tem ido e também porque estou evitando esse negócio de ter personalidade própria. Acho que foi a primeira vez que fui ver um filme sem ter lido seu livro antes e o resultado foi gratificante: eu aproveitei completamente sem ficar preocupado com partes que faltavam. Mas qual é a desse filme, afinal?

 
Câncer.
 

O filme é cheio de câncer. Câncer pra caralho. Eu saí de lá e fui direto para uma ressonância magnética só por precaução. A porra do filme tinha que se chamar A Culpa é do Tumor porque seria mais sincero. E se você acha pouco, segura aí: tem câncer infantil, pra quem curte um filme com a garotada. Fico pensando em como funciona a cabeça de um autor que escreve uma obra assim, daí fui procurar quem era John Green no Google e essa foi a imagem encontrada.

 
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“O próximo é sobre AIDS hein”

 

Logo no começo do filme somos apresentados à Hazel Grace, a protagonista. A mina já aparece com uns tubinhos no nariz, mostrando que as coisas não estão boas pra ela e que em alguma hora vai dar merda. Ela, aos 13 anos, foi diagnosticada com um estágio avançado de câncer na Tireóide. E é assim que começa o filme: você engolindo em seco a ideia de uma criancinha linda com câncer até o talo.

A menina, depois de grande, fica numa bad vibe forte (é o mínimo quando você está morrendo) e os pais dela resolvem que ela precisa frequentar um grupo cristão de apoio a pessoas com a mesma condição que ela. Em resumo, é um muquifo no porão da igreja cheio de jovens com algum defeito de fabricação. Se entra o professor Xavier naquele recinto começa um filme do X-Men.

 
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“DIVIRTA-SE COM SEUS AMIGO DOENTE, FILHA”

 

Obviamente, ela acha o grupo de apoio uma merda e faz a rebelde, diz que não vai mais. Infelizmente não dá em nada, ela é obrigada a continuar por ordem dos pais, dos médicos e possivelmente das estrelas. Mas vejam só vocês, nesse mesmo point da derrota, ela acaba esbarrando com um menino chamado Augustus Waters e fica toda ouriçada.

Augustus, como vocês devem imaginar, é o príncipe Disney da história. Ele tem toda aquela pose de galã em um primeiro momento. Depois você começa a perceber que ele fica insistentemente olhando para a Hazel, muito seguro de si pra quem está num lugar daqueles. O ar de galã passa a ser o de um possível estuprador de meninas terminais de tanto que ele fica olhando pra ela. É meio apavorante. Mas não para Hazel, que já estava com a calcinha molhada há alguns minutos

 
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“Te devoro todo, moleque dengoso”

 

Durante a reunião do grupo, ele e o amigo se apresentam a todos. O amigo, cujo nome eu realmente não lembro, diz que está lá por uma complicação que o deixará cego em pouco tempo. Vamos chamá-lo de Cegueta. Assim que Cegueta acaba, Augustus começa a falar de si mesmo. Velho, que saco. Ele começa dizendo que deu um merdelhê lá com ele que resultou na perda de sua perna direita, daí ele vai e mostra a perna mecânica pra todo mundo, se achando o Mega Man. O discurso do menino ciborgue termina com ele dizendo que seu maior medo é não ser lembrado para sempre. Hazel, querendo chamar atenção, aplica a famosa SURRA DE ESCULACHO nessa visão de vida dele e fica aquele climão no ar.

 
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“E esse é o nosso amigo Agustus que acha que é o fodão de jaqueta, senhores…”

 

Na saída, enquanto Hazel espera sua mãe, vem ele todo galã de novo puxar assunto. O cara mete uns papos chatos pra caralho, tipo o Cazuza no filme dele, que ninguém entende porra nenhuma mas é tudo frase avulsa de fotolog e flogão. Ela sente o calor da paixão, ele a convida pra sair, eles saem juntos e daí pra frente você já sabe né.

 
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“Sua piscina estará cheia de ratos. Mentiras sinceras me interessam, vida louca vida breve.”

 

Ok, se você não sabe, é o seguinte: estamos falando de um filme cujo público consumidor é basicamente composto por meninas de 14 anos. Se o filme tem 2h de duração, pelo menos uma hora e meia aí é de ceninha mela-calcinha pra você se comover mais com o desfecho. Eles trocam livros, histórias e emoções. Ela diz quem é o autor favorito dela, ele entra em contato com o cara, tudo acontece de forma linda e você fica com cara de bunda na sala de cinema por nunca ter tido uma história de amor assim.

 
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Ela lendo o livro fofo dele

 

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Ela recebendo SMS fofo dele

 

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Ela vendo filme fofo com ele

 

Depois de 7059 cenas ~fofas~, chega um momento em que o escritor que ela mais admira os convida para um encontro em sua casa, em Amsterdã. Hazel fica LOUCAÇA de alegria e conta pra mãe. A mãe fica LOUCAÇA de alegria também mas diz que está sem dinheiro e Hazel se fode. Augustus sugere que ela gaste o desejo dela da Genie Foundation para poder viajar, entretanto, ela já havia gasto com uma viagem pra Disney (o que acho sempre um bom investimento). Augustus, novamente com aquele jeito de namorado que você nunca vai ter na vida porque é feia, age como um príncipe e usa o desejo dele para ir com ela.

Meu deus, que alegria. Tava tudo certo e os pais dela vão ao hospital para ver as condições e riscos de viagem. Os médicos ficam comovidos com toda a história e dizem “TÁ MALUCA VIAJAR PRA EUROPA Ô SUA PUTA? TÁ CHEIA DE CÂNCER NAS IDEIA E QUER VOAR DE AVIÃO PORRA? O CARALHO. VAI VIAJAR NÃO” de um jeito mais delicado.

Depois de um tempo, se tocaram de que Hazel vai morrer de qualquer jeito. Então os pais dela, Augustus e os médicos organizam tudo secretamente para que ela possa ir. “Surpresa Hazel! Você vai!”.

Quase chorei nessa hora. Foda-se, eu tava comovido. Bicha é o seu pai.
 

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Eu tava mais ou menos assim vendo o filme

 

Augustus faz de tudo para a viagem ser incrível. Aluga limousine, vai para hotel maneiro, leva para jantar em restaurante chique, bebem do melhor champagne e jantam a especialidade do chef. Tudo perfeito demais. Hazel estava apaixonada e também ansiosa pelo grande encontro no dia seguinte.
 

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“Vai rolar uma recompensinha depois, né princesa?”

 

No dia em que eles vão conhecer o escritor, a primeira decepção. O cara é um alcoólatra sem modos e trata os dois pior do que se trata um boi. Toda aquela cortesia aparente até o momento, era na verdade de sua assistente, que é uma delícia. O cara perde a linha: fala que não tá nem aí pra doença deles, que eles sobrevivem à base de pena e que tem mais é que ficar carequinha mesmo. A raiva sobe, Hazel grita com ele, Augustus levanta, a assistente delícia fica tensa, quase rola porrada. Seria um Casos de Família europeu, mas ambos decidem ir embora da casa desolados.

A assistente decide que eles não merecem aquilo e vai por conta própria levá-los para um passeio na cidade, sem o velho ignorante. Eles aceitam (porque, como dito anteriormente, ela é uma delícia) e vão para a casa onde morou Anne Frank (se você não conhece, vai dar uma lida no Google porque não sou professor de ninguém) e Hazel passa um perrengue subindo aquelas escadas e ficando sem ar. Você acha que ela vai morrer ali pois o filme basicamente é isso, mas ela chega até o final e conhece o quarto onde Anne ficou escondida.

Augustus e ela se entreolham. Acontece o primeiro beijo do filme. Um beijo sensacional, apaixonante, envolvente e extremamente romântico…NO QUARTO EM QUE UMA MENININHA JUDIA SE ESCONDEU POR ANOS PARA NÃO MORRER EM UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO. Eta porra de romantismo hein, Augustus? Ah, sim. Haviam várias pessoas em volta. Assim que acaba o beijo, todas elas aplaudem DENTRO DO QUARTO EM QUE UMA MENININHA JUDIA SE ESCONDEU POR ANOS PARA NÃO MORRER EM UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO. É a cena mais “que porra é essa, gente” do filme.

 
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“Me dê uns cato aqui onde os nazistas fizeram a limpa, Augustus meu amor”

 

Augustus, depois do passeio, manda a real. Ele diz que a situação dele é pior do que parecia, bem pior, e que ele vai morrer mesmo. O tempo dele já não era muito longo. Ah, sim, por outro lado, no final da noite eles fazem aquilo que as meninas pueris e delicadas entendem por “a primeira vez”. Vou aproveitar esse spoiler aqui e dar um spoiler sobre a vida também: não vai ser assim. Vai ter muita dor, sangue, sofrimento e no dia seguinte você vai achar que está grávida.

Daí pra frente, o filme é uma roleta-russa. Você sabe que tá prestes a rolar uma morte, mas não sabe quando, então é aquilo: ele vai parar no hospital e você “É AGORA MEU PAI” e nada. Ele volta vivão. No meio de uma madrugada o celular de Hazel toca e você “PUTZ AGORA VAI HEIN” e nada. Dentro do seu coração uma voz vai dizer “MORRE LOGO CARALHO EU TO AFLITO AQUI JÁ” e, quando você menos espera, ele morre.
 

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“Ô filha, calma. Logo logo você vai estar com ele lá no céu…”

 

É aquela tristeza foda, né. Eu tava boladaço já, imagina a Hazel. No velório, quem aparece é o escritor ignorante. Hazel e Cegueta fazem o discurso final que Augustus queria que eles fizessem e mano, é lindo. Hazel vai para o carro e o escritor meio que tenta se redimir com ela, porque na verdade, a menina com câncer de seu livro era sua própria filha e ele era amargurado por ter que conviver com isso. Hazel que é a ignorante dessa vez e enxota o velho pra fora do carro. A última coisa que ele faz é entregar uma carta para ela.

Em casa, Hazel e Cegueta estão conversando. Cegueta diz que a carta que o escritor quis dar a ela era o depoimento final de Augustus, que nesse momento do filme permanecia morto. A última cena do filme é a Hazel lendo a carta com as belas palavras dele sobre aquilo que eles viveram em tão pouco tempo.

 

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“Po Hazel eu até leria pra tu mas não tá dando mais não kkkkkk flw”

 

No fim do filme, ao acender das luzes, você precisa obrigatoriamente olhar para todas as pessoas do cinema. É um mar de derrota. Mulher com lencinho, menina com olho todo vermelho, uns caras meio abatidos e um puta climão de enterro. Não vejo tanta tristeza assim desde Marley & Eu.

NOTA: 8,5

Porque a história é bem legal e cumpre bem sua função que é te deixar triste pra caralho. Você se envolve bem com o filme. Mas a porra da galera aplaudindo o beijo foi imbecil demais. Ninguém fica aplaudindo beijo dos outros na rua, sério.

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14 Comentários

  1. Renata Araújo

    Puta climao de enterro Hahahahahaha

  2. livia

    mano kjjkkk eu não gosto desse filme mas lendo essa resenha me deu uma puta vontade de assistir, nunca li uma resenha de filme tão sensacional nota 11 ygor você é sensacional

  3. Luã

    Ygão, já disse que te amo por vc estar levando a sério o retorno do Blog? Pois é.
    <3

  4. José Junior

    Ygão do céu, eu fiquei tonto de tanto rir, igual quando li pela primeira vez HSUEHAUAHUAHA
    Não vejo a hora de ler mais resenhas!

  5. ety

    Não cheguei a conhecer seu antigo blog, então todas as postagens são novidade pra mim, e olha: TO ADORANDO!!! kkkkk ansiosa pelos próximos :*

  6. Micol

    Incrível como eu adoro essa resenha, supera e muito o Omelete

  7. Paula Gabriella

    EU AMO ESSA RESENHA COM TODAS AS MINHAS FORÇAS

  8. Juliana F

    Não sei quantas vezes já li essa resenha, mas choro de rir em todas elas :’)

  9. Luan

    AUHSUAHSUASHUAHAS MT BOM MANN!!!!

    Ow conheci agora seu blog, q pena q perdeu seu trabalho pq fui procurar mais artigos pra ler. Vc escreve pra caramba vey parabens HAHAhahhahaaha

  10. Vinicius Melão

    Mano namoral esse é o melhor blog da internet hahahahaha!
    Você é muito engraçado Ygor, saudades dos outros textos.

  11. Jessica

    Tenho que vir aqui dizer que não acreditei no retorno do meu blog favorito.

    Mas agora já tenho uma esperancinha que agora vai.

    Adorei a resenha.

  12. Diego Dias

    AUHAAUA PQP YGOR EU CAGUEI NAS CALÇAS QUE DEUS ME PERDOE
    Reposta a da Cinderela por favor

  13. Isabela

    “PUTZ AGORA VAI HEIN” HAHAHAHHAHAHAHAHA YGOR EU TE AMO

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