Resenha: Harry Potter e a Câmara Secreta

Caso você não tenha lido a resenha sobre Harry Potter e a Pedra Filosofal, você pode começar por aqui. Caso já tenha lido mas mesmo assim tem uma certa dificuldade no aprendizado, essa é a resenha do segundo filme. Então vamos direto ao ponto…

RODA O VT

 

HARRY POTTER E A CHÂMBARA DOS SEGREDOS

 

Assim como no primeiro, o filme começa com aquela judiação que a gente já sabe qual é: Harry mora com os tios e vive uma vida de escravo boliviano da Zara. Petúnia e Valter Dursley têm um filho gordo irritante chamado Duda e tratam Harry pior do que se trata um boi. O gordinho afetado, por outro lado, é extremamente mimado pelos pais. Tudo isso faz o Harry ser meio chateado com a vida.

 

A cara do gordinho

 

Nesse filme, tio Valter já começa mandando a real: naquela noite ele receberia visitas para uma importante reunião de negócios e se o Harry zoneasse essa reunião, o tio Valter zonearia a bunda de Harry. O bruxo, obediente que só, responde que ficaria em silêncio no seu cantinho. Assim que as visitas chegam, Potter vai para seu quarto e dá de cara com uma porra de um elfo usuário de crack na cama dele.

 

“Coé, tio. Tem um trocado pro lanche aí?”

 

A reação do moleque foi muito tranquila, tendo em vista que se fosse eu, já estaria rezando uns três pai-nosso ou gritando. Ou os dois ao mesmo tempo. Dobby (esse é o nome do cracudinho) é claramente perturbado das ideias e vem com uns papos tortos pro Harry de que ele não tem que voltar pra Hogwarts e que vai dar merda se ele for. Quero dizer, se me aparece um caralho de um bicho desses DO NADA falando pra eu não ir pra escola, eu é que não vou discutir. Harry não porque Harry é mala. Ele estressa o duende maluco, que por sua vez faz um cagacê nervoso na reunião dos Dursley.

Como prometido, tio Valter zoneia a bunda de Harry e o tranca dentro de seu quarto de forma que ele não tenha contato com o resto do mundo e nem volte para Hogwarts. Taí uma família equilibrada. Você pensa que Harry deixou por isso mesmo? Pois você está certo. Ele só fica olhando quieto de dentro do quarto igual um imbecil. Não rola nem um terror psicológico por parte do bruxo, tipo…

 
– Eu sou seu tio e você ficará trancado neste quarto!
– EU SOU FEITICEIRO E VOU MATAR O SEU FILHO
– Hã?
– EU SOU É LOUCO EIN TIO. TE ENFIO UMA NIMBUS 2000 NESSE SEU RABO
– Calma Harry, deixa eu tirar essa grade aqui.
– EU SOU É LOUCO!!!!
 

“Caceta…”

 

Ok, Harry está trancado. Todos nós já ficamos de castigo uma vez na vida e com ele não seria diferente. No meio da madrugada acontece algo que certamente já aconteceu com todos nós: um carro voador surge do nada para nos sequestar. Quem está no veículo são os Weasleys, o núcleo baixa-renda da série. Harry, claro, acha tudo normal, faz as malas e pega a coruja dele para meter o pé na estrada. Não o culpo. Depois de ver um gnomo trincadaço de pó eu entraria em qualquer carro voador que aparecesse.

Chegando na casa dos Weasleys, fica bem claro que eles não são pobres. Eles são FODIDAÇOS. Se você reparar bem, eles usam vidro de requeijão como copo, roupinha no botijão de gás e uma bandeira do Flamengo pendurada perto da mesinha comprada nas Casas Bahia. Vamos conhecendo melhor a família até que quem resolve dar o ar da graça na cena é Gina Weasley, irmã do Rony Weasley.

 

“Eta caralho é o Daniel Radcliffe na minha sala”

 

Gina parece muito com a irmã de uma amiga minha que sequer me atreverei a dizer o nome para vocês adolescentes retardados com amor platônico não ficarem procurando (Victoria). Nessa cena entendemos que ela tá cheia da má intenção com o nosso protagonista e que é hora de fazer compras naquela 25 de Março dos bruxos. Beco alguma coisa. Já esqueci. Vou no Google não. Azar o de vocês.

Com a ajuda de um Pó de Pirlimpimpim, os Weasleys podem se teletransportar de uma lareira para outro lugar qualquer. Ou seja, foram voando de carro pra casa do Harry só pra arrumar ideia. Talvez o pó só sirva pra ir a um lugar específico, esses bruxos são meio foda, nunca vou saber. O ponto é: eles vão todos para o Beco Diagonal.

 
Sim, fui ao Google.
 

Relembrando, ou pra quem ainda não viu o filme, o Beco Diagonal é tipo o Mercadão de Madureira aqui do Rio. Só que em vez de artigos para macumba, eles vendem artigos para bruxaria. Essa Gina com certeza vai virar na Pombagira em algum momento do filme porque ela tem carinha de quem bate tambor em encruzilhada pra Ebó.

Climão: em uma livraria Saraiva que está rolando tarde de autógrafos, Harry é reconhecido e todo mundo ama o menino. Exceto Draco Malfoy, que também está lá mas não vai com córneos do protagonista. Eles são inimiguinhos. Draco tem um nome maneiro, porém um cabelinho meio escroto e uma cara de quem está sentindo cheiro de cocô constantemente.

 

“Cagaram neste local e presumo que tenha sido Potter”

 

Somos apresentados ao pai de Draco, um homem com cara daqueles membros de moto-clube que usam jaquetas com JAVALIS DO ASFALTO escrito nas costas. Ele já chega cheio das alfinetadinhas do tipo “hmmmm, essa aqui é mestiça. É bruxa cabocla. Hermione, né? Hmmm, esse aqui é pobre, usa roupa falsa da Abercrombie e Nike Shox. Rony Weasley, imagino” e ninguém vai com a cara dele. No meio de alfinetadinhas dos dois lados, ele joga um livro a mais no baldinho de Gina. Anota aí: vai dar merda.

 

“Eu tenho HORROR a pobre”

 

Vou ser sincero, daí pra frente você vai ter uns bons minutos com nada de relevante no filme. Vou agilizar pra você o que acontece:

 

O Rony faz umas caras engraçadas

 

Hermione fala algumas coisas inteligentes

 

O cabelo do Snape continua oleoso

 

Umas partidinhas de Quadribol

 

Aí começam os mistérios de Hogwarts, claro. Porque pelo visto TODO ANO dá alguma merda nessa escola. O Harry começa a ouvir uns sussuros nas paredes, começa a achar que tá loucaço das ideias e isso se repete em diversos momentos do filme. Como não podia deixar de ser, vem a parte chocante: surge uma mensagem de sangue na parede com os dizeres “QUEM FALOU QUE A BOCA É TUA?”, deixando todos preocupados e desorientados.

Mais pra frente, a mesma coisa. Uma porra de fantasma está, de alguma forma, morto de novo e um garoto petrificado na cena do crime. Quem é o primeiro a chegar no lugar e parecer culpado? Claro, nosso bruxinho desgraçado. Ô vida ingrata a desse menino. Acham que ele é o causador daquilo e o moleque tem que correr atrás do prejuízo.

 

Olha a lambança

 

Nessa parte específica do filme aconteceu algo intrigante: eu dei uma cochilada e meio que me perdi na trama. Sei que quando acordei o Harry tava escrevendo em um diário que respondia ele e ainda o inseria numa realidade aumentada. Coisa chique mesmo. Pelo que entendi, vagabundo tava achando que a culpa das paradas de uma câmara secreta era do Hagrid e botaram o cara no xilindró pra viver o diário de um detento.

Harry e Rony vão tirar satisfação com uma aranha gigante que bota os meninos numa cilada, os dois quase morrem e eu percebo que realmente não devia ter dormido porque já não estava entendendo mais porra nenhuma.

O que eu sei é que no final das contas, levaram a Gina pra tal câmara secreta e iam desossar a menina toda. Quem estava escrevendo as mensagens com sangue na parede era ela, porque, como eu disse, ela tava virada na Pombagira. Eu avisei. Harry, Rony e o professor bunda-mole entram no esgoto da escola pra desvendar esse probleminha básico na vida de qualquer pessoa de bem.

Harry consegue encontrar Gina a tempo, pouco antes do desmanche, e quem ta lá? O Tom Riddle. Não demorou 5 frases pra ficar bem claro que esse cara é do LDRV. Ele diz alguma coisa bem importante sobre ele ser o Voldemort e que ia bagunçar o corpitcho da Gina mas eu só conseguia imaginar ele falando sobre algum boy magia que conheceu na Farme de Amoedo.

 

“Mana, posso te contar uma tour?”

 

“TRAVESTI NÃO É BAGUNÇA”

 

Papo vai, papo vem e do nada surge um Basilisco boladão, uma cobra de 50 mil metros cheia de dente na boca e um olhar de quem não curte muito uma social com a galera. Antes de ela esculachar Harry, chega no recinto a galinha de fogo do Dumbledore, que faz um estrago nos olhos da cobra gigante e facilita as coisas.

Harry pega uma espada e depois de uma intensa cena de combate onde o bicho enfia uma presa no braço do garoto, o Basilisco vem a óbito. Harry bate boca com o Voldemort gay e descobre que vai morrer com o veneno da cobra. Descobre também que se enfiar o dente do Basilisco do no livrinho, o Tom Riddle vira purpurina aos poucos (aqui entre nós, queria ver se essa porra não desse em nada. Estaria morto o menino Harry).

Ok, Potter ganhou, mas ainda ia morrer porque mordida de Basilisco é foda. Fawkes, o frango flambado de Dumbledore volta de novo e o salva de morrer com uma choradinha milagrosa. No final é aquela mesma coisa de sempre: todo mundo feliz, umas piadinhas e vamo que vamo pro terceiro filme.

 

“Caralho, que resenha ruim”

 

 
Foi o meu melhor. Agora cês me dão licença que vou ver o Prisioneiro de Azkaban.

Resenha: Harry Potter e a Pedra Filosofal

“NOSSA, 2017 E ESTE ARROMBADO ME VEM COM UMA RESENHA DE UM FILME DE 2001?″ é uma pergunta muito justa. Ok, vamos lá: quando eu era criança, gostava de livros do Menino Maluquinho e do Níquel Náusea. Um dia, indo comprar um desses quadrinhos na livraria, a vendedora chegou para a minha mãe e disse que não tinha Menino Maluquinho mas que tinha chegado “um livro que os jovens estão lendo bastante por aí”. Era Harry Potter e a Pedra Filosofal.

Com esse argumento indiscutível, a vendedora convenceu minha mãe a comprar o cacete do livro. Olha, eu fiquei é muito do puto quando cheguei em casa e abri aquela merda. Eu que lia páginas cheias de cores e desenhos fiquei desnorteado com aquele troço cheio de letras e nenhuma ilustração. Como era o que tinha, comecei a ler e acabei gostando. Li o segundo, li o terceiro e parei por aí. Minha história com Harry Potter se encerrou no Prisioneiro de Azkaban porque a partir daí eu me achava bom demais para acompanhar a série e desde 2004 nunca mais tive contato.

10 anos depois me toquei que eu era um babaca e precisava colocar um fim nessa história. Como eu não me lembrava de nada, minha namorada fez pressão para eu assistir aos filmes. Então achei que era necessário registrar minha aventura através desses reviews.

Além do fato, claro, de que o blog é meu.

LIBERTA DJ

 

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Tadã tãdadã tadãaa tã

 

O filme já começa com tragédia. Harry Potter ainda é um bebê e já tá mais órfão que todas as meninas de Chiquititas juntas. Professora Minerva e Alvo Dumbledore, um senhor com 307 anos de idade, decidem que o melhor para aquele menino sem pais e vítima de tentativa de homicídio era passar os próximos 10 anos morando com os tios abusivos dele. Pelas roupas, cabelo e barba desgrenhada do Dumbledore, acredito que as pessoas tenham simplesmente desistido de discutir com ele.

Nas cenas seguintes você só fica mais indignado com aquela família. Os tios só esculacham o menino feiticeiro e o gordo mimado fica gritando por qualquer merda. Harry tem uma aparência esmirradinha, um jeitinho sofrido, mas você vê que ele é do bem e foi um guerreiro de passar esses últimos anos sem cortar os próprios pulsos.

Nesse dia específico é aniversário do Duda (o gordo) e eles vão ao zoológico. Chegando lá, a gente descobre que Harry Potter é meio doente da cabeça porque ele começa a conversar com uma cobra. Depois de 10 anos levando surra de cinta e morando embaixo de uma escada, é compreensível que em algum momento você venha a puxar assunto com um réptil. A cobra responde, o gordo fica louco, cai dentro do cativeiro, a cobra foge, uma zona do caralho.

 

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“coé parcero mta mulherada por aqui?”

 

Depois do furdunço todo, o moleque fica de castigo e as coisas seguem normalmente na casa dos Dursley, até o dia que uma coruja chega com uma carta pra Harry.  O tio fica puto da vida e joga a carta fora, mas como o sistema postal da região é muito bom, cerca de 300 mil corujas fazem questão de encher a casa daquela família de cartas. Os tios ficam loucos com aquilo, tentam evitar a qualquer custo mas não adianta. A única solução sensata daquele homem é fugir para uma ilha deserta cheia de tempestade no meio do nada.

 

O mais impressionante é como uma imobiliária conseguiu vender isso pra alguém

 

Começou aniversário do Harry. Chega nesse barraco marítimo um homem com 3 metros de altura quebrando a porta. Puta merda. Já achei que ia rolar tragédia no recinto. Mas tava tudo bem, era o Hagrid. Aparentemente pra você fazer parte do mundo da bruxaria você precisa ter um aspecto de quem não toma muito banho.

Hagrid entrega em mãos a carta pro Harry e manda a real: “mermão, tu pode até não vir comigo, mas aí tu vai ser um bostolão”. Harry, que não quer ser um bostolão, vai. Eles ficam amigos e vão fazer comprinhas no Beco Diagonal, que é um camelódromo de bruxos que vendem, dentre artigos mágicos, alguns iPhones roubados, jogo pirata de PS4 e um número considerável de calças Korova.

 

Se fosse no centro do Rio de Janeiro, só nessa cena a gente já tinha presenciado uns dois arrastões

 

Harry explica cheio de humildade que ele não tem grana e Hagrid fala pra ele ficar calmo que tá tudo no esquema já. Eles vão para Gringotts, que é basicamente o Santander do mundo dos bruxos. A única diferença é o nome porque até os funcionários são iguais.

 

 e aí jovem quer abrir uma continha universitária?

 

Harry descobre que tem uma herança muito da gorda e logo depois vai com Hagrid até outro cofre para ele pegar um negócio secreto. Quem vê de fora acha que é droga. Mas tu não chega pra um cara de 3 metros de altura e pergunta se ele tá envolvido com tráfico de entorpecentes, então fica o mistério no ar.

Comprinhas feitas, hora de pegar o trem. Porque bruxo tem que fazer as coisas do jeito mais difícil possível: trem. Imagina a situação. Você é um bruxo, pode voar, pode soltar magia, pode bater tambor pra Oxossi e mesmo assim tem que pegar um trem. Como se não fosse um meio de transporte bosta o suficiente, pra chegar na plataforma tu tem que enfiar a testa numa parede.

 

Pra mim bruxo gosta é de complicar as coisas

 

É nesse momento do filme que Harry conhece Rony, o menino pobre. Eles ficam amigos também e dividem a mesma cabine. Papo vai papo vem, Rony e Harry curtindo a dinheirama do menino órfão comprando doces e vivendo o sonho, quando chega na cabine a Hermione sendo um dos seres vivos mais insuportáveis que já vi em toda minha vida.

 

“ai vcs já ouviram falar de marketing multinível?”

 

Como a desgraça pra quem anda de trem nunca vem desacompanhada, a criançada ainda tem que pegar um monte de jangadinha pra chegar até Hogwarts. Aparece o castelo pela primeira vez e eu não faço a menor ideia de como aquela estrutura daquele tamanho na BEIRINHA de uma encosta ainda não foi condenada pela Defesa Civil. Mas quem sou eu pra julgar? Certeza que é bruxaria que segura.

 

 

Lá dentro a Dona Minerva leva aquele monte de criança cheia de fome para um banquete, onde elas iriam descobrir em que casas ficariam.

 

Na hora que a cera quente dessas velas começar a pingar quero só ver a merda que vai ser

 

O processo seletivo pra descobrir em qual casa você passará o resto da sua vida é assim: você coloca um chapéu. E é isso. Não tem um ENEM, um quiz, um teste Capricho, nada. O chapéu simplesmente decide o resto da tua vida porque ele é um chapéu que fala.

 

“Quem for protagonista vai pra Grifinória. Quem for trambiqueiro vai pra Sonserina. O pessoal imbecil vai pra Lufa-Lufa e o que sobrar é Corvinal”

 

Ou seja, Harry e os amigos vão pra Grifinória, Draco e os amigos vão pra Sonserina e…bem, o resto tá lá né. Daí pra frente é um monte de cena mostrando como é a vida em Hogwarts, as crianças tendo aulas de macumba aplicada, conhecendo os professores, mostrando que o Snape é o professor azedo e tudo aquilo que você provavelmente já sabe mas mesmo assim leu até aqui.

A parte importante nisso tudo é mostrar que o Harry na aula de vassoura voadora tinha NASCIDO PRA ISSO e lá pra frente ele vai ser o Neymar do quadribol. Ah, outra coisa importante que passou despercebida por muita gente é que os efeitos especiais dessa cena foram feitos em um Nintendo 64.

 

alá

 

Nesse andar da carruagem, você, junto com Harry, começa a achar que o Snape tá envolvido com coisa errada. Tem um campeonatinho de Quadribol que o menino Potter quase morre e fica aquele clima de que era o Snape tentando dar um cabo na vida do garoto. Tem também o lance do TRASGO NAS MASMORRAS, que ficam achando que quem soltou o bicho foi ele

 

 Trasgo pra quem não sabe é um Shrek mais alto

 

Ou seja…o cerco tá se fechando pro Snape. Lembro que quando eu vi o filme na época, eu era totalmente Team Potter. Hoje eu compreendo totalmente o lado do Snape que quer trabalhar e um monte de criança catarrenta espertinha fica enchendo o saco do cara. A gente amadurece.

Enfim, dentro da escola tem um cachorro gigante com 3 cabeças tomando conta de algo. Harry, Roninho e Hermione cismam que Snape quer pegar esse algo, vão xisnovear pro Hagrid e acabam descobrindo que tem um cara chamado Nicolau Flamel no esquema. O maior mistério nessa parte é o tanto de cocô que aquele bicho deve fazer. Tu imagina o cheiro desse castelo.

 

 Essa decoração de shopping mostra que chegou o natal em Hogwarts

 

Harry ganha de presente uma capa de invisibilidade. Um garoto nessa idade tem 40 mil ideias do que fazer se tivesse uma capa de invisibilidade…

…menos Harry Potter. Ele vai pra uma biblioteca caçar livro. Eles eventualmente acabam descobrindo que esse Nicolau é o criador da Pedra Filosofal, olham para a câmera, falam “POR ISSO O NOME DO FILME” e dão uma piscadinha. Mentira, isso não acontece. Mas eles cismam que o Snape quer muito pegar a Pedra Filosofal.

Nessa de querer ser CSI, as crianças acabam pegando uma detenção. O castigo é ajudar o Hagrid na floresta negra. Sim, você não leu errado: a punição por andar pela escola à noite é você ser mandado pra resolver merda no meio de uma floresta assombrada. Eles descobrem que tá rolando muita morte de unicórnio na região, então o Hagrid decide que o melhor é eles se separarem. Vou repetir com caps lock caso não tenha ficado muito claro…

O HAGRID VÊ QUE TEM ALGUM TROÇO MATANDO UNICÓRNIOS E DECIDE “AH…VAI EU RONE E HERMIE POR AQUI, VAI TU, O DRACO E ESSE CACHORRO CARCOMIDO POR ALI”. Se abrir um inquérito do tanto de criança que já deve ter morrido em Hogwarts, acho que a justiça embarga o lugar.

 

deus me livre guarde

 

A testa de Harry começa a arder e eles ficam de cara com o tinhoso devorando um unicórnio. Eu já tinha desmaiado fácil. Mas o Harry se manteve forte, foi salvo por um centauro e, assim como todo mundo que é salvo por um centauro, bate um papo com ele. O bicho explica que aquilo é coisa de Voldemort e como criança é burra eles entendem “isso é o Snape tentando ajudar o Voldemort”

Vou resumir pra você o que acontece: eles vão até aquela sala com o Fofo resolver essa pendenga de uma vez por todas e no final, bem no ápice, eles descobrem que o filha da puta da história era aquele professor bunda mole do Quirrel. Era ele que tava de gracinha com o Voldemort e acabou morrendo no combate contra o Harry. Frouxo da porra.

 

 “Eu não acredito que to tomando um sacode de um moleque de 10 anos”

 

Voldemort perdeu. Harry ganhou. No final, quando tem a contagem de pontos, Harry é considerado um heroi, Grifinória leva a melhor e tudo dá certo.

 
Bom…exceto pelo fato de que ele vai ter que voltar pro cativeiro dos tios.

Meu primeiro show de rock

Texto originalmente publicado no dia 19 de março de 2015
 

Até os meus 18 anos, se não me engano, eu nunca tinha ido a um show ao vivo. Quer dizer, teve um do Detonautas no Réveillon de Cabo Frio. Só que Detonautas é aquilo né, não dá pra falar que você foi a um show deles sem correr o risco levar um soco bem dado no meio da têmpora. Minha vida era essa merda aí.

Até que em 2010 recebi a notícia de que ia rolar no Rio de Janeiro um show com as bandas Carbona, Gramofocas e Costanzas. Deus que me perdoe, mas eu fiquei tão empolgado que na hora eu senti o meu pintinho descolando de meu saquinho. Fiquei mais ansioso que uma directioner e liguei na pro amigo Zé para contar a notícia.

 
– Alô
– ZÉ PUTA QUE PARIU
– Quem é?
– É O YGOR, ZÉ. VAI TER SHOW
– Quê?
– SHOW DO CARBONA COM OS GRAMOFOCAS AQUI NO RIO
– COMO ASSIM ETA PORRA CARBONA E GRAMOFOCAS
– BORA?
– EU DIGO BORA. ONDE É?
– Na Lapa
– Ô merda…
 

Naquela hora caiu a ficha de que nada nessa vida é perfeito. A porra do show poderia ser em qualquer lugar, mas não…ia ser na Lapa.

Pra quem não está familiarizado com Rio de Janeiro, eu explico: a Lapa, na teoria, é um bairro boêmio da cidade. Ponto turístico que chama atenção de turistas do mundo todo tanto pelo visual de dia quanto pelos bares e música ao vivo à noite. Na prática a Lapa é um dos nove infernos de Dante. Imagina aí um tsunami que em vez de água tem urina, chorume, gente querendo te assaltar e barulho pra todo lado. Essa é a Lapa.

 
Ilustrando melhor, essa é a Lapa de dia

 
E essa é a Lapa de noite


 

Ou seja, já não era tão bacana assim a ideia de ir ao show. Além de tudo, esse muquifo era longe demais da nossa casa. A gente teria que virar a noite por lá pra conseguir pegar um ônibus de manhã pra Nova Iguaçu e rezar pra não perder tudo (inclusive a vida) no meio do caminho de volta. Ser suburbano é uma bosta.

Mas era Gramofocas, cara. Nós fomos mesmo assim. O grupo era eu, Zé, João Victor e Bernardo. Estaríamos por conta própria naquele lugar e lá encontraríamos outros amigos. O evento aconteceria no extinto Cine Lapa, um buraco que mais parece um cenário de Jogos Mortais, só que com muita gente dentro.

 

 Olha esta POCILGA

 

Chegamos lá com antecedência e o estabelecimento ainda estava com as portas fechadas. Nós éramos basicamente quatro caipiras no meio da rua na Lapa sem saber o que fazer. Concordamos que deveríamos ficar juntos e evitar ao máximo qualquer tipo de gracinha para poupar nossa integridade.

5 minutos depois um cara extremamente suspeito, com barba desgrenhada, gorro e aspecto sujo chega do nosso lado. Puta que o pariu. Ele abre a jaqueta assim meio escondido e fala “dose de tequila por 5 reais?”. Fica aquele climão de “isso só pode ser pegadinha”. O silêncio paira no ar e o Zé, sempre sensato em situações de pressão, tenta resolver

 
– COM CERTEZA, MEU CAPITÃO! ME VÊ UMA PRA MIM E PARA OS MEUS RAPAZES
 

Ele simplesmente aceitou. O Zé nem bebe. Se o cara oferecesse MIJO pra gente o Zé aceitaria. Nisso o mendigo negociador tirou de dentro da jaqueta uma garrafa, uns copinhos plásticos, sal e limão. Quer dizer, teoricamente aquilo era sal e limão, né. Se bobear a tequila que ele botou no copo era óleo diluído de caminhão. Nunca saberíamos dizer, nunca tínhamos tomado tequila na vida.

 

O sujeito era mais ou menos uma mistura desses dois ladrões de Esqueceram de Mim

 

Daí pra frente não tinha volta. A gente se viu com aquele farelo branco na mão, um limão certamente colhido em um pomar de HIV e aquele copo sabe-se deus com o quê. O Zé, para mostrar que estava completamente no controle da situação, resolveu abrir a boca de novo.

 
– COMO É QUE A GENTE BEBERICA ESTA IGUARIA, MEU CHAPA?
 

Sério. Eu odeio o Zé. O mendigo de Wall Street pelo menos foi super solícito. Disse que era pra botar o limão na boca e depois o sal para então beber a tequila, eu acho. Sei lá. Eu realmente não aprendi direito. São só 3 etapas e ainda assim eu não sei até hoje. Enfim, bebemos o shot de Hepatite C e estávamos nos sentindo OS TRANSGRESSORES da região.

Começou o show e foram chegando mais alguns amigos. Dentre eles, a Cristal. Guarda bem essa informação: a Cristal estava empolgada para ver o show dos Gramofocas. Vou até deixar em vermelho para você não esquecer. A Cristal estava empolgada e veio de longe só para ver o show dos Gramofocas.

 

O vocalista do Costanzas era o Vin Diesel

 

Logo em seguida subiu no palco o Carbona. Ah, moleque. A chapa tava esquentando. Galera começou a ficar mais soltinha, mais aglomerada e eu, em determinado momento (possuído por aquele copo de gasolina vendido a mim como tequila), achei que seria uma boa ideia subir em uma das caixas de som do lugar para curtir o show como se eu estivesse em um festival de música alemão. Eu tava me sentindo o quinto membro da banda ali em cima, tal qual um rockstar. Na minha cabeça todos estavam pensando “olha que rapaz ousado! Vejam como este cavalheiro possui o dom da excelência”. Era meu momento.

Mas segundo testemunhas isso só durou uns 20 segundos até um segurança dar dois tapinhas na minha perna e pedir pra eu descer dali. Eu sou um fracasso.

 

O Carbona e esse efeito DESCOLADO de fotografias da night

 

Acabando o show deles, veio o grande momento da noite: Gramofocas. Puta que pariu eu amo Gramofocas. Quem me segue nas demais redes sociais já notou isso. Não da maneira que eu esperava, mas notou…

 

Invejosos.

 

Tipo, até então a galera nas apresentações anteriores estava animada com o Carbona e Costanzas. Mas broder, quando começou Gramofocas o recinto virou um purgatório. Eu não sabia 1) de onde tinha surgido tanta gente assim em tão pouco tempo 2) como aquelas pessoas fizeram para caber ali e ainda sobrar oxigênio 3) se eu sobreviveria.

 

Eu acho que tem umas 347 coisas acontecendo ao mesmo tempo nessas duas fotos

 

Mermão, eu tava desnorteado. Eu não conhecia na prática o conceito das rodinhas punk e vou te falar: só deus sabe o tanto de porrada que eu levei naquele dia. Era empurrão de um lado, cotovelada do outro…uma experiência única.

 

Olha eu sofrendo e curtindo ao lado de um cosplay do Marcelo Tas

 

O Zé, coitado, cismou de entrar em uma roda fazendo base de arte marcial. Não demorou 3 segundos e levou um soco na cara. A gente tava sendo moído ali, suando, abraçando sujeitos que não tomavam banho há pelo menos 4 dias e mesmo assim estávamos felizes. O Zé estava só o paninho da cachorra, porém num estado de euforia que a ciência ainda precisa estudar.

 

O cara já tava com a alma entregue a deus, alá

 

Foi sem dúvida um dos momentos mais legais da minha vida. No final da noite, antes de irmos embora, acabei fazendo amizade com a guitarrista do Costanzas (a Angélica, colunista do Tenho Mais Discos Que Amigos), ganhei uma palheta do Badke, vocal do Carbona, e ainda tirei uma foto com os Gramofocas.

 

A foto no caso foi tirada com uma torradeira, como vocês podem notar pela resolução

 

Alguns anos depois rolaram outros shows e tive a oportunidade de ter fotos bem mais excelentes, como essa:

 

OLHA EU CANTANDO COM OS CARAS EM 2012

 

Se o andar da carruagem continuar favorável, um dia vou ter uma foto tocando com eles no palco. Talvez eu seja só um menino sonhador. Só sei que depois desse show eu prometi a mim mesmo que nunca mais perderia nenhum.

 
[UPDATE: EU TOQUEI COM OS GRAMOFOCAS. FOI UM DOS DIAS MAIS LEGAIS DA MINHA VIDA! OLHA EU TOCANDO COM OS GRAMOFOCAS!

AHH, MAS NÃO FOI SÓ FOTO NÃO. OLHA EU EM VÍDEO TOCANDO COM OS GRAMOFOCAS

MAIS PUNK ROCKER QUE EU VOCÊ NÃO ENCONTRA POR AÍ NÃO]
 

 
A moral da história é: Detonautas é uma merda.

CENA PÓS-CRÉDITOS
 
 

Lembra da Cristal? Então. Durante o show do Carbona ela passou por nós no meio da muvuca falando “vou beber para curtir mais ainda os Gramofocas!”. Uns 40 minutos depois passa a Cristal de volta sendo carregada porque simplesmente bebeu sozinha mais do que o recinto inteiro.

 
 
A Cristal não viu o show dos Gramofocas

Minhas (quase) brigas de rua

Esses dias em minha magnífica cidade eu estava na farmácia comprando sabonetes e, no corredor ao lado, uma menina estava me encarando. Quando eu olhava, ela desviava o olhar. Por alguns minutos eu pensei “QUE ISSO TIGRÃO, SÓ ESMIUÇANDO O CORAÇÃO DA MULHERADA HEIN”, mas ainda rolava aquele sentimento de que eu conhecia a garota de algum lugar. No caminho de volta pra casa eu tive aquele estalo e lembrei quem era. Foi mágico demais. Ela foi a asquerosa responsável por eu quase apanhar na rua na minha época de escola.

 

 Deixe-me contar para vocês, meus jovens…

 

Eu estudava no Colégio Iguaçuano desde que me entendo por gente e lá pela quinta, sexta série (eu já não sei mais como chamam hoje em dia) fiz amizade com uma menina que estudava uma série abaixo da minha. Honestamente não faço a menor ideia de como começou, mas lembro que eu a considerava uma das pessoas mais legais de se conviver na época. Nós passávamos os recreios juntos, falando sobre a vida, professores e todos aqueles assuntos que adolescentes gostam. Sei lá, MTV. Em determinado momento dessa convivência, eu comecei a gostar dela. Afinal, ela era bonita, divertida e usava aparelho.

 
Por algum motivo eu achava isso muito atraente. Os tempos eram outros, me deixa.
 

Sabe aquele amorzinho adolescente em que a gente troca olhares e começa do nada a escola toda a dançar? Foi completamente oposto a isso. Eu simplesmente abri o jogo com ela e falei “Ei, eu gosto de você. Tipo, mesmo. Mas é aquilo, antes de qualquer coisa somos amigos, então quero deixar bem claro que mesmo querendo ficar contigo, eu não vou mudar a maneira como lidamos um com o outro”

O que parando pra pensar agora, foi extremamente maduro da minha parte, visto que uma atitude mais provável pro Ygor da época seria ajoelhar na frente dela e gritar “PELO AMOR DE DEUS FICA COMIGO EU SOU MUITO FEIO E VOU MORRER”. Mas fui maduro. Vou já dar o spoiler pra vocês de que não rolou porque nem eu ficaria comigo naquela época. Eu só tinha muitos amigos porque eu compensava sendo legal, mas é aquilo…

 

O padrão de beleza escolar era esse

 

E eu era assim

 

Pra minha sorte, nada mudou. Continuamos amigos, nos encontrávamos em festas no ~Country Club~ e tudo era uma maravilha. Nos afastamos nas férias de julho porque né…férias. Eu tinha muito Tony Hawk pra jogar. Nisso, no comecinho do mês de agosto, quando já voltamos a ter aulas, o negócio tava meio esquisito. Não nos falávamos mais todo dia e, acho que naturalmente, foi acontecendo essa falta de interesse dos dois lados em manter a amizade como antes. Sem brigas, sem nada. Coisas da vida.

Eis que um dia, eu em casa ainda mandando muito no Tony Hawk, ouço o telefone tocar. Na época existia um negócio chamado TELEFONE FIXO e era tipo um celular, só que pra casa inteira e sem aplicativos ou Gemidão do Zap. Eu era adolescente e adolescente gostava de atender o telefone de casa. Atendi. Era uma voz de um garoto que eu não conhecia:

 
– Alô? É o Ygor?
– Opa 😀 Sou eu. Quem é?
– Vai tomar no cu, rapá.
 

E desligou. Por mais clara que tenha sido a mensagem, eu não tinha entendido muito bem. Achei que era meu amigo Rodrigo me sacaneando, ou até mesmo …OPA o telefone começou a tocar de novo. Atendi.

 
– Alô?
– É o Ygor?
– Cara você ligou pro mesmo número, acredito que seja o Ygor sim
– Aí Ygor, eu vou te cobrir de porrada.
 

E desligou de novo. O meu interlocutor tinha esse talento incrível de ser extremamente específico e ao mesmo tempo misterioso. Eu sabia que era pra eu tomar no cu e que ele iria me cobrir de porrada. A porra do telefone tocou mais uma vez e eu tava nervoso não pelas ameaças, mas por não conseguir terminar meu Tony Hawk em paz (era o 2. Eu tava jogando com o Rodney Mullen na fase da escola).

 
– QUIÉ
– Oi Ygor! hahahah
 

Era ela, a menina. Eu achei estranho e ao mesmo tempo fiquei bastante feliz porque não nos ligávamos há muito tempo. Ela continuou:

 
– Não liga pro Henrique não. Ele tá zoando só. *risadinhas ao fundo* Estamos eu, ele e minha irmã aqui no clube. Ele tá só implicando.
– Ah sim. Hahahah. Quem é Henrique, no caso?
 

Nisso o Henrique (eu não lembro o nome real dele. Queria muito procurar no Facebook hoje) pegou o telefone e começou:

 
– Aí moleque, nem to zoando não. Vou te quebrar mesmo só pra deixar de ser otário. E po, tu era a fim dela né? Vai apanhar duas vezes porque ela não quer nada contigo, seu comédia. Depois dessa se eu fosse você, cuspia no chão e nadava. Segunda-feira depois da aula eu te pego.
 

Desligou de novo. O Henrique tinha uma séria dificuldade em falar mais de cinco frases sem desligar um telefone. Sei de duas coisas: 1) eu nunca tinha ouvido a expressão “cospe no chão e sai nadando”; 2) eu definitivamente ia apanhar segunda-feira e sequer sabia o motivo. Esse diálogo foi num sábado. Passei o fim de semana com as perninhas bambas de tanto desespero.

 

Chegou o dia do abate.

 

Não quero ficar dando voltas pra te enrolar, caro leitor. Então vou direto ao ponto: eu nunca tive emocional pra brigar. Só de pensar em sair no braço com alguém eu já ficava com dor de barriga.

Fim de aula. Era hora de eu virar cadáver. Saí da escola e lá estava o sujeito com cara de mau e as duas irmãs cacarejando atrás dele. Descobri que o menino tinha metade do meu tamanho e uns 2kg abaixo do meu peso. O que segurava o personagem ali era a cara de invocadinho que ele fazia.

Eu tenho esse sério problema de começar a rir quando vejo alguém com cara de invocadinho porque a pessoa quer parecer um bad boy mas acaba parecendo um Chihuahua. Que se foda, ri mesmo. Daí o cara ficou mais tiririca ainda. O lance é que ele foi esperto: tava sem uniforme da escola. Eu tava uniformizado. Se eu brigasse, além de correr o risco de tomar uns socos bem dados, ainda seria suspenso no Iguaçuano por causa daquela roupa.

Ri do cara e passei direto por ele. As duas cacarejando ainda. Ele começou a me seguir. “Pronto. O cabra vai me desovar em algum terreno de Nova Iguaçu”, pensei. Daí o meu plano era andar o máximo possível pra ver o quão disposto ele estava a me bater. 10 minutos andando e ainda estavam os 3 atrás de mim. Um invocadinho e duas cacarejando.

O que mais me intriga é que se ele desse uns 6 passos mais rápidos, ele me alcançava e poderia me desossar. Mas não. Ele APENAS ficou que nem um encosto atrás de mim. Era o meu shinigami particular.

 

Eu e o invocadinho

 

Os 3 queriam andar? Beleza. Subi a rua da delegacia (pra quem não é daqui de Nova Iguaçu, é uma subida insuportavelmente chata pra se fazer a pé) e decidi ir até o final. Segue abaixo um mapa do meu trajeto.

 

Beleza, na minha cabeça era um percurso muito maior, com pelo menos uns 20 minutos. Mas o Google gosta mesmo de destruir nossos sonhos.

 

Na metade do caminho encontrei meus amigos Bruno e Filipe. Eles começaram a me acompanhar e perguntaram “tá fazendo o que aqui?”. Respondi que um invocadinho e duas estudantes galináceas estavam me seguindo. Eles olharam pra trás e não tinha ninguém.

 
Venci.
 

Daí fomos pra casa do Filipe jogar Nintendo 64.

 

100% a gente

 

Durante o resto do ano o invocadinho continuava me encarando na escola (cada um com seus hobbies) e as palhaças, felizmente, nunca mais falaram comigo.

 
 
Pensando bem, eu deveria ter voltado naquela farmácia e jogado meu sabonete nela.

Resenha: Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel

Senhor dos Anéis é uma série de filmes com uma magia que nunca consegui explicar ao certo, mas que me fazia dormir todas as vezes na metade. Por “metade”, a gente entende “5 horas depois do início”, já que o negócio tem cerca de 29 horas de duração. Assim como em Harry Potter, me obriguei a assistir – na verdade fui obrigado pela minha namorada – e agora que acabei o primeiro, vim fazer uma resenha

Vamos lá

 

 Senhor dos Anéis – A Rapeize do Anel

 

O filme começa com a historinha de que o tal do Sauron fez uma porrada de anelzinho pra distribuir por aí. Sauron era tipo um São Cosme e Damião de anéis. Daí deu 9 pros humanos, não sei quantos pros elfos, deu uns 15 pra sei lá quem, botou o resto num bexigão cheio de brinde que a gente estoura em festa infantil e, no final das contas, fez um anel só pra ele. O anel que comandava a porra toda. 

Ou seja, foda-se né. Se era pra ser assim nem precisava ter feito os outros. 10 minutos de filme e já to por aqui com as gracinhas desse Sauron. Resumo do samba: dá um merdelhê generalizado, o idiota leva uma espadada na mão e perde o anel poderoso junto com os dedos. O mundo tá salvo, eba. Daí o Isildur, carinha que decepou o Sauron, tinha só uma obrigação: destruir o anel. Mas sempre tem algum ser humano pra cagar na vara. O Isildur ficou com o anel pra ele e terminou morto.

 

 RT @Isildur kkkkk mortaaaaa

 

Passou um montão de anos e quem achou esse anel foi o Smeagol, um cracudinho que tem no filme. Ele é viciado no anel, bicho. Definhou legal ali. Daí ele perde a joia e quem acha é o Bilbo (que particularmente seria muito melhor se o nome fosse bimbo. Como o blog é meu, a partir de agora o nome é Bimbo). No final das contas entendemos que o anel é empoderado, dono de si e com uma grande capacidade de enloquecer quem fica com ele.

 

“eeeta porra SE DEI BEM”

 

70 minutos só de introdução. Aí começa o filme de verdade no vilarejo dos hobbits.

Hobbit pra quem não sabe é uma pessoinha com altura de uma criança de 8 anos mas com cara de velho. O Frodo é um hobbit e é amigo do Gandalf, um senhor de idade com poderes mágicos. Gandalf tá chegando no Condado pra comemorar o aniversário do Tio do Frodo. Quem é? Isso mesmo, o Bimbo do anel. Bimbo tá planejando um festão, coisa de gente famosa mesmo. Iria todo mundo do Condado, celebridades, ex-BBB, Ana Hickmann, coisa fina. Muita zoação, muita bebedeira, eis que chega a hora do parabéns.

 

 Hobbit gosta de zona

 

Como o Bimbo é velho, ele faz discurso. Velho já gosta de dar um discurso na hora do parabéns. O que ninguém esperava é que essa era a despedida dele. Ele coloca escondido o anel no dedo e pluft, sumiu no meio do palco. É o gran-finale dele pra nunca mais voltar para aquela favela. Todos chocados menos o Gandalf, que sacou tudo.

 

 “Esse miudinho aí vai aprontar alguma merda quer ver?”

 

Bimbo explica pro Gandalf que tá mesmo metendo o pé, fica meio bolado de deixar pra trás o anel mas mesmo assim vai embora. Que que acontece? O anel só traz danação na vida da pessoa e ainda por cima tem 9 cavaleiros do inferno procurando ele. O Gandalf que não é bobo nem nada diz pro Frodo que o coitado tem que levar o anel pra cidade dos Elfos. Um bando de exu vindo atrás da parada e ele vai fazer por conta própria? Porra nenhuma, dá pro hobbit fazer. O plano é ele e Sam (outro hobbit) irem até um bar e encontrar um tal de Aragorn que ia fazer a escolta dos dois até Valfenda.

 

“Oi será que algum de vocês teria aí um shampoo anti-oleosidade?”

 

Enquanto isso o Gandalf iria trocar uma ideia com o Saruman, que é outro velho macumbeiro. Papo vai, papo vem e o Gandalf descobre que o cara tá de conchavo com o Sauron. Aí a merda tá feita. Começa uma briga de magos, as duas velhas feiticeiras em crise. É uma briga de comadre que vou te falar. Poderzinho pra lá, poderzinho pra cá e o Gandalf perde. Vai ficar aprisionado pra aprender a não ser traidor do Movimento Sauron.

 

 Nessa época pelo visto não existia osteoporose

 

Volta pro Frodo. Os jóqueis do apocalipse encontraram ele. Numa sábia manobra hóbbitica, ele coloca o anel pra ficar invisível. Funcionou aí pra você? Pois é, nem pra ele. Os 9 cavaleiros do mal, que na verdade eram os humanos que ganharam anel lá no início do filme, conseguem ver o Frodo quando ele tá invisível. Aí já era.

 

“Broder, a gente meio que ainda tá te vendo, blz?”

 

Frodo toma-lhe uma espadada e ia ser executado ali mesmo, mas aí aparece o Aragorn, esculacha geral, taca fogo nos dementadores e vai ver as condições do Frodo. O moleque tá pra morrer porque 1) o Aragorn não tinha o que fazer 2) não tinha nenhum estudante de medicina por perto achando que sabia o que era pra fazer. Ele pega o Frodo no colo e fala “quem resolve essas porra aí é elfo” e leva o menino para aquela fadinha linda pra caralho. A que é filha do cara do Aerosmith, sabe?

 

 ai ai :3

 

No final das contas ela é uma elfa. A gente descobre que ela é crush do Aragorn, rolam uns papos chatos e eles finalmente vão para Valfenda, o point dos elfos. Nesse meio tempo, enquanto Saruman estava ocupado demais montando um exército de gente feia, Gandalf já conseguiu fugir do cárcere. Velho ardiloso.

 

 Os Campos do Jordão da Terra Média

 

Valfenda é um lugar muito bonito. É tipo o condomínio daquele seu amigo rico que tem piscina, área de lazer e academia enquanto na tua casa não tem nem o reboco da parede. Quando Frodo e o time chegam lá, tá rolando uma espécie de festa étnica. É anão, é elfo, humano, feiticeiro, hobbit, japonês e roda de samba com o grupo Art Popular + bebida liberada damas grátis até meia noite.

 

 A galera

 

Eles estão lá pra uma reuniãozinha sobre qual seria o melhor destino para o anel. A parada parece o Facebook e em questão de minutos vira uma zona. O humano quer ficar com o anel, não sei quem quer destruir, o elfo acha que o impeachment foi golpe…um barraco que só. No final das contas é decidido que o anel deve mesmo ser destruído. Só que ninguém quer ter trabalho né, aí os caras mandam os bóia-fria da Terra Média pra realizar a missão.

 

“deixa vomigo toca po pai”

 

Como ia ser insuportável ter 3 filmes só com Sam e Frodo, entra pra equipe o anão, o elfo e dois humanos. De quebra ainda vai junto outros 2 hobbits pentelhos que estão desde o início do filme enchendo o saco do pessoal. Está formado O BONDE DO ANEL.

 

 

Daí pra frente os caras só andam. É inacreditável como a galera se dispõe a andar tanto. Não é possível que eles sabiam dessa distância antes de aceitar. Eu não tenho disposição pra ir na padaria aqui na outra rua, sabe. Esse pessoal é doido. Mas ok, eles começam a subir uma montanha. Acontece que chegando lá no alto tem um monte de corvo fofoqueiro e pra eles é inviável continuar. Daí a solução é voltar e ir por outra montanha, só que cheia de neve. Imagina o tanto de ovo que esses filhos da puta iam chocar em Pokémon GO.

 

“10km pra nascer uma porra de um Zubat, puta que pariu, Boromir!”

 

Dá problema de novo (dessa vez uma bárbara avalanche causada pela magia do Saruman) e eles já não têm mais muita escolha. Segundo o anão, que se chama Gmail, a melhor opção pra eles era ir para o reino dos anões porque lá é o fervo e eles seriam muito bem recebidos pelo primo dele. Ok, né? O que é um peido pra quem tá cagado? Vamos todo mundo pra terra dos anões. Quando eles chegam, logo na portaria, os dois hobbitinho bagunceiro fazem alguma merda e despertam um polvo gigante que começa a tocar o terror. Sobrevivem.

 

Não tem UM coelho nesse filme, UM Golden Retriever. É só monstro querendo te matar.

 

Dentro da caverna dos anões eles descobrem um monte de esqueleto. Morreu todo mundo. Não sobrou nenhum. Mestre, Feliz, Zangado, Atchim, Soneca, Dunga e Dengoso TUDO CADÁVER. Fica aquele climão porque não rolou aquela recepção calorosa que havia sido prometida. O negócio tá estranho, com um silêncio macabro e aí os hobbitinhos imbecis fazem um barulhaço de novo. Pronto: despertam cerca de 30 milhões de Goblins. Goblin pra quem não sabe é o anão do mal que mata anão do bem.

 

“Olá boa tarde será que eu poderia te contar um pouco sobre as vantagens do marketing multinível?”

 

Amigos…foi aí que tudo descaralhou de vez. Nessa hora eu tinha morrido com certeza.

(Ok, pensando melhor eu provavelmente nem estaria nessa aventura porque já teria morrido de peste negra ou qualquer uma dessas doenças aí da Terra Média. Segue o baile…)

Foi aí que tudo descaralhou de vez. Era um GALERAÇO de goblins rodeando nossos herois. Não tinha mais o que fazer, era morte certa. Eis que do nada todos eles começam a fugir que nem barata quando acende a luz. A desgraça nunca vem sozinha e se a gente achava que 90 bilhões de goblins era um problema…bom, surge ninguém mais ninguém menos que LÚCIFER no recinto.

 

“cd da xuxa ao contráriooo”

 

Essa criatura chamada Balrog começa a perseguir a galera por todos os cômodos daquela pocilga e, em dado momento, o Gandalf quer dar uma de machão e fala a famosa frase do primeiro filme:

 

“SE A MADAME PENSA QUE VAI PASSAR AQUI VC TÁ MUITO ENGANADAAAAAAAA”

 

E depois disso já era o Gandalf. Virou cheeseburguer junto com o Balrog. Dava pra ter salvado o velho, só digo isso. Mas quem sou eu pra julgar? Má vontade é foda. Enquanto o Frodo faz o drama dele, todo mundo mete o pé dali pra ninguém levar a culpa.

 

“Pelo amor de deus galera é só alguém segurar minha mão aqui me ajuda pfvr”

 

Surpreendentemente o filme ainda não acabou. Sei que daí pra frente uns outros elfos encurralam os nossos meninos de ouro, tem uma parte lá com uma outra fadinha que acho caidaça, o Frodo ganha um barquinho e eles passam por aquelas estátuas gigantes. Passou dali é caminho sem volta irmão. Vou resumir porque já não aguento mais escrever: uma porrada de Orcs aparece e nesse combate morre o Boromir. O cara só tava arrumando problema por causa do anel e no final morreu. Bem feito. Está morta a guerreira Boromir.

 

 “Eu vou morrer em Game of Thrones também”

 

Além disso os Orcs sequestram os dois hobbitinhos, o Frodo decide que vai fugir sozinho, o Sam vai atrás dele e pronto. Tá separado o time. Legolas, Aragorn e Gmail entendem que os Sam e Frodo querem um pouco de privacidade e resolvem ir salvar os outros dois. Cada um pro seu lado e não lembro exatamente como termina mas é isso aí. SENHOR DOS ANÉIS.

Fim do primeiro filme.

 
PS.: o Blu-Ray bônus tem uma versão ESTENDIDA. Sai fora.