Resenha: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

Bom, como eu havia dito, o meu conhecimento de Harry Potter acabava no terceiro livro. Esse, até então, foi o meu filme favorito e depois dele eu não faço a menor ideia do que me espera. Então, só pra relembrar, aqui estão as resenhas de A Pedra Filosofal e a de A Câmara Secreta. Você pode começar por elas, mas também pode começar por onde quiser. Eu honestamente não ligo, só to aqui pelos elogios. Então vamos lá…

CHORA CAVACO

 

Harry Potter e o Detento de Azkaban

 

O filme começa daquele jeito que a gente já espera: muita judiaria com o menino Harry. O moleque tá na maciota usando a varinha dele como lanterninha dentro do quarto e o tio gordo esbaforido fica abrindo a porta pra pegar ele no flagra. Parecia eu querendo ver televisão de madrugada quando meus pais me mandavam dormir. Como todo castigo pra bruxo é pouco, vem para visitar a família uma outra tia gorda mais insuportável ainda.

Ela é daquelas tias gordas insuportáveis que a gente só chama pro natal em família pra não fazer desfeita, e claro, ela odeia o Harry também. Durante uma proveitosa refeição, a mulher começa a falar um monte de coisas sobre os pais do nosso protagonista e a paciência dele vai se esgotando aos poucos:

 
– Harry Potter você sabia que seu pai era alcóolatra?
– Pare.
– Harry Potter você sabia que seu pai roubava chiclete nas Lojas Americanas?
– Pare com isso.
– Harry Potter seu pai tem a discografia completa do Teatro Mágico
– CHEGAAAAA!
 

“Harry Potter sua mãe masturba mendigo, Harry potter.”

 

Harry está na puberdade e agora é um adolescente revoltado e cheio de respostinhas. Nos dois últimos filmes a gente via ele sofrendo calado, mas agora o garoto possui domínio da ARTE DO ESCULACHO™ e bate de frente com a tia gorda. Não só bate de frente como resolve usar uma mandinga pesada na mulher e ela vira um balão. Os Dursleys ficam cheios de mimimi e o Harry putaço das ideias decide fugir de casa. Ahh, a adolescência.

 

“E se reclamar eu roubo os eletrodoméstico pra comprar droga”

 

Não demorou 3 quarteirões pra ele se tocar de que se a vida dele era difícil, agora seria difícil e sem um lugar pra morar. Daí surge o primeiro problemão: o moleque tá na calçada com as malinhas dele (sem a Edwiges. Vamos deixar bem claro aqui que ele abandonou a coruja) e surge um CACHORRO. Europa é outra coisa né. Se fosse aqui no Brasil surgiria um menor infrator e levaria a mala do Harry.

Antes de acontecer qualquer coisa, chega do nada um ônibus alheio às regras de trânsito e Harry embarca. Porque entre ficar perto de um cachorro e entrar em uma van clandestina, todos nós sabemos que van é a opção mais sábia. A condução o leva até o Ministro da Magia que, em vez de APLICAR A LEI, diz que tá tudo bem e que é pra ele não fazer de novo. Ainda dá uns livros pro garoto. Esse é o país da impunidade NÉ, HARRY CORRUPTO?

 

“Que isso senhor eu sou estudante senhor. Tenho passagem na DP não senhor”

 

Depois disso as coisas começam a ficar bem. Harry encontra Hermione e Rony, todos ficam felizes e é chegado o momento de começarem as aulas. Todo mundo pega aquele Expresso da Alegria que vai até Hogwarts. Os 3 dividem a cabine com uma pessoa estranha que está coberta e dormindo. Mas pra quem foge de casa, entra em kombi ilegal e faz magia negra, aquilo não é nada demais.

Ao longo do percurso eles botam a conversa em dia até que o trem dá uma pane. Tudo fica escuro e frio. Do nada o Expresso da Alegria já não é mais tão alegre assim. Rola aquele clima de tensão no ar e na janelinha da cabine deles surge um pedaço de pano velho bem alto e, curiosamente, com vida. Ele abre a porta e começa a dar uma sugada nas good vibe do Harry. Normal. O cara que estava dormindo, em questão de segundos acorda e o salva com um desses feitiços bem iluminados.

Uma das maiores mentiras do filme, inclusive, é essa. Pode até ter um cobertor sujo roubando sua alma, mas NINGUÉM NO MUNDO acorda com essa disposição que ele acordou. Esse anormal é Remo Lupin, professor de Defesa Contra Arte das Trevas.

 

 “Oieee!”

 

Chegando em Hogwarts é aquela coisa boa de se ver, aquele banquete, musiquinha e o caralho a quatro. Dumbledore dá as boas vindas a todo mundo e, como não podia deixar de ser, deixa bem claro que teria mais merda na escola esse ano. Ô lugar pra ter problema, hein. Vou te contar. Dessa vez a treta é com um fugitivo de Azkaban, Sirius Black. Para evitar que os alunos saíssem morrendo por aí, eles colocaram uma porrada de dementadores ao redor de Hogwarts.

Dementadores são aquele bando de lençol de mendigo que ficam sugando a alma da criançada. E nada melhor do que evitar um assassino na escola colocando uma porrada de assassinos voadores rodando por aí. Dumbledore já está meio caduco e enquanto um estudante não morrer esse velho não vai sossegar.

 

“Os dementador são tipo o BOPE então cês fiquem pianinhos na parada ok?”

 

Hogwarts tem um esquema meio avulso de colocar um quadro falante na entrada de cada casa. A da Grifinória é uma mulher fortinha que gosta de chamar atenção. E conseguiu: ela tem uma cena só dela cantando antes de abrir a porta. Daí a gente pula para outra cena imbecil do Harry e seus amigos tomando umas drogas de fazer barulho, tudo isso só para mostrar que no meio de tanta felicidade pode haver muito perigo. Corta pra cena fora de Hogwarts.

 

Alá o perigo

 

Primeira aula do filme: Introdução à Cultura Hippie. A professora parece uma estudante de Ciências Sociais ou Filosofia, dessas que participam de passeata e têm uma noção meio torta da vida, curte astrologia e os caralho. Ela ensina a ver o futuro no restinho de Nescau que fica no nosso copo. O de todo mundo é cheio de coisas boas e mistérios intrigantes. Aí vem o do Harry:

 

O que para nós significa “porra nenhuma”

 

Eu e você, pessoas de bem, vemos apenas as pelotinhas de achocolatado. A riponga parece não ver exatamente isso já que a cara dela não é nem um pouco convidativa. Em vez de explicar, ela faz um drama do cacete e quem diz com sábias palavras o que está rolando é o nosso amigo Kenan & Kel.

 

“A casa vai cair pra tu, Potter. Tu te segura que lá vem merda, meu nego”

 

E a porra da mulher serviu nesse filme para um total de: nada.

 

“Mas ow, quer comprar uns artesanatos pra ajudar o centro acadêmico do meu curso?”

 

Segunda aula: aula do Hagrid. O cara que dava banho nos bichos de Hogwarts virou um professor e todo mundo passou a gostar mais dele. Fica aí a dica para o amigo motoboy que lê o blog e acha que nunca será dono da empresa: siga seus sonhos.

No caminho para a aula, o Draco resolve marcar presença na trama e fica de bullying pra cima do Harry por causa do lance do dementador. Eu só quis ressaltar isso para confirmar que ele continua com aquela cara de quem tá sentindo cheiro de cocô constantemente:

 

“Há você de convir comigo que há um forte aroma de defeco no ar, Potter”

 

Inclusive…

 

 Se liga nesse gordinho

 

Bom, Hagrid apresenta à criançada um tal de hipogrifo chamado BICUÇO. Não sei que porra passou na cabeça do tradutor para achar esse nome bom, então tomarei a liberdade de fingir que ele é um hipogrifo italiano e vou chamá-lo de Bicucci (lê-se “Bicuti”, para melhor aproveitamento). Hagrid explica como lidar com o bicho e Harry é o primeiro a dar a cara a tapa. Sucesso total. O moleque voa mais bonito que Aladdin em O Mundo Ideal e, quando volta, Draco fica com inveja. O cretino vai pra cima de Bicucci e toma uma patada venenosa pra ficar esperto. Sei que ele não vai morrer porque já vi o trailer do quarto filme, mas ficou aquele pingo de esperança.

Partimos para a aula de Defesa Contra Arte das Trevas, essa matéria cheia de credibilidade que todo ano tem que mudar de professor. O mais legal até então, Lupin, decide ensinar pros nossos Chiquititos da Magia como lidar com um aterrorizante monstro.

Lúcifer? Exu Caveira? Não. Um Bicho Papão, claro.

Ele explica que o troço toma a forma de seu maior medo e que você precisa apontar a varinha pra ele e falar o feitiço “AFF, RIDÍCULOOO” que ele passa a não dar medo. O primeiro a enfrentar a criatura é Neville Longbottom, aquele garoto que você fica com raiva só de olhar a cara dele.

 

 “Meu maior medo é usar um aparelho ortodôntico, professor”

 

Neville enfrenta um Snape, Rony enfrenta uma aranha, uma menina indiana avulsa (essa que está olhando fixamente para você na imagem acima) enfrenta uma cobra e aí vem a vez de Harry. Assim que ele olha pro bicho, surge um edredom de morador de rua voando em sua direção. Lupin entra na frente de Potter para salvá-lo, o dementador vira uma lua cheia (SEGURA ESSA INFO AÍ) e a aula acaba. Isso, Harry estragou o cacete da aula inteira.

Como é regra de roteiro o protagonista sempre se foder um tico para criarmos afeição, rola uma excursão ultra irada que todos os amigos de Harry vão, menos ele porque ninguém assinou sua autorização. Ele aproveita esse tempo sozinho pra bater um papo com Lupin. A gente descobre que ele era um grande broder dos pais de Harry e é a parte do filme em que o menino ouve coisas boas sobre seu passado.

 

A carinha de quem tá ouvindo coisas boas

 

Lembra do quadro da moça rechonchudinha que queria chamar atenção no início do filme? Pois é, conseguiu de novo. Nessa parte está um fuzuê nas escadas porque ela tinha sumido, a tela dela estava rasgada e, quando finalmente a encontram, ela diz que foi Sirius Black. Tensão.

Mais uma cena de aula de Defesa Contra Arte das Trevas, mas quem entra em sala dessa vez é Snape com o seu velho cabelinho oleoso. A cada dia que passa fica mais claro que a maior treva desse homem é usar uma porra de um shampoo, porque não é possível esse cabelo, cara. Tipo, não tem UM chuveiro em Hogwarts?

 

 “Hoje vamos combater a Redken, a L’oreal e TRESemmé”

 

Ele não explica por que Lupin não está na área mas todos sabemos que deu alguma merda com ele. Só dá merda com esses caras dessa matéria. Tem coisa aí, escuta o que eu to falando. Snape vem com uns papos tortos sobre lobisomem, faz umas perguntas nada a ver, Hermione aparece DO NADA, responde e toma um esculachinho. Coitada da garota.

 

 “Eu vou ficar muito gata um dia e tu vai se arrepender”

 

TOCA SKANK QUE AGORA É PARTIDA DE QUADRIBOL. O clima é uma chuva do caralho e pessoal voando sem medo de morrer nessas vassouras que atraem raio. Foda a segurança dessa instituição, viu. No meio da acirrada partida, surge o Pomo-de-Ouro e Harry vai com tudo atrás da bolinha voadora. O Pomo, cheio da má intenção, vai subindo cada vez mais alto e o tonto indo atrás. O maluco chega na estratosfera quando percebe que vai dar problema pra ele. Dito e feito: um monte de dementadores cerca o garoto.

Aí não tem nem como te ajudar, né Harry? Tu procurou sarna pra se coçar. Agora tá aí cheio de pano de chão chupando tua alma.

Harry não aguenta a pressão e cai da vassoura. Sim, Harry cai de 800 mil metros de altura em queda livre. Como não é uma trilogia, terão outros filmes e ele sobrevive. A vassoura, por sua vez, quebrou.

 
H A R R Y P O T T E R S O B R E V I V E . A V A S S O U R A N Ã O .
 

 

 Por que ele sempre faz essa cara de má-digestão?

 

Lupin diz que vai ensinar todos os Jiu-Jitsus da magia para Harry porque se as coisas continuarem nesse ritmo o nome do próximo filme seria Harry Potter e o Cadáver do Menino Harry. Além disso, mais coisas boas: aqueles gêmeos perturbados irmãos do Rony dão para nosso amigo um mapa super bacana chamado Mapa do Maroto:

 

 Mapa do Maroto

 

 Mapa do Sorriso Maroto

 

O mapa é o seguinte: ele é um papel de padaria sem nada escrito, mas se você aponta a varinha para ele e diz “juro solenemente que vou zoar o barraco”, ele revela um mapa com a localização live-action de todos em Hogwarts. Para fazer tudo desaparecer, é só apontar de novo a varinha e falar “humildemente toquei o puteiro”.

É aquilo que já falei: o Harry tem uma capa de invisibilidade e um mapa desses. Ele pode usar PARA TUDO, mas não, o cara vai procurar problema. Stalkeando a conversa dos outros, Potter descobre que o Sirius não tá pegando leve e esse é mais um filme em que ele vai se foder e sair cheio de machucado na cara. Daí tem um monte de cena enche-linguiça. O importante é sabermos mesmo que Pedro Pettigrew, um cara que tinha morrido, estava com o nome circulando pelo mapa.

 

Mistérios da meia-noite

 

Então, voltando rapidinho na história. Sabe quando o Hagrid deu a aula com o hipogrifo e o Draco levou um peteleco do Bicucci? Você acha que ficou por isso mesmo? Não. Ele contou pro papai e Lucius Malfoy decidiu com o tribunal que Bicucci deveria ser sacrificado. Não tinha Greenpeace que resolvesse aquela situação. Os caras foram até a casa do Hagrid e sentaram a foice no passarinho. Rony, Harry e Hermione veem a cena de longe e foi uma tristeza só.

 

 Queria tanto um abraço da Hermione também

 

Do nada, o rato do Rony o morde e corre até as proximidades de um salgueiro lutador. Agora vai ser aquele merdelhê de final de filme que conhecemos: a porra do cachorro do início do filme finalmente ressurge, pega a perna do Rony e puxa ele pra dentro do Salgueiro. Harry e Hermione vão atrás, mas a árvore percebe que a essa altura do filme o Harry ainda não está com a cara toda ralada e providencia isso rapidamente antes dos dois entrarem no Salgueiro também.

 

 Agora sim

 

Essa é a melhor parte do filme. Parece último episódio de novela da Globo, puta que pariu. Fico até arrepiado. O que acontece? O Rony tá lá dentro todo acuado quando Harry e Hermione chegam. Eis que atrás deles está Sirius Black. Tu imagina o quanto que não trancou o cu dessa criançada nessa hora. Sirius mete a real: diz que a hora da vingança chegou, que ele passou 12 anos preso por causa de um traidor X9 filho da puta e aponta para Rony.

 

 “Vacilão morre cedo”

 

Rony faz aquela cara de imbecil de sempre e diz que ele não fez nada. Sirius diz que o arrombado da história é o rato do Rony. Ninguém entende nada e acha que o cara é piroca da cabeça mesmo. Aparece o Lupin. Alívio. Lupin mostra ser amigo de Sirius. Revolta. Ambos mostram que o rato é o traidor Pedro Pettigrew. Confusão. Surge Snape para atrapalhar tudo. Timing Ruim. Harry usa magia no Snape. Ousadia. É chegada a hora de Pettigrew morrer. Tensão. Harry diz que ele precisa ficar vivo para que Sirius seja perdoado e descubram a história real. Frouxo.

 

 “Olha o micão que tu tá pagando agora. Todo mundo te olhando.”

 

Ao que parece, tudo se resolveu. Eles saem do salgueiro e está uma belíssima noite de lua cheia. Daí o Lupin começa a ter uns piripaques. Tá vendo aquela lua que brilha lá no céu? Ela transforma o professor num lobisomem meio pelado. Pronto, se tava tudo bem, não tá mais. É perseguição, é Sirius quase morrendo, é Harry salvando ele, uma luz salvando Harry, um salva-salva do caralho. No final fica tudo bem.

Parcialmente bem. Quando os três jovens acordam na enfermaria, Harry descobre que Sirius foi condenado à morte. Dumbledore diz que existe uma forma de eles consertarem isso e salvarem duas vidas.

Eu não vou me dar o trabalho de tentar explicar o que foi essa parte da viagem no tempo porque francamente eu só aceitei essa porra. Mas acredita em mim: o Sirius fica vivo e o Bicucci também. A Hermione usou no filme todo um pingente mágico de voar no tempo e o Harry ganhou uma vassoura nova do Sirius. Ê coisa linda.

 
Ficou tudo bem no final e agora vamos para o Cálice de Fogo…

Resenha: Harry Potter e a Câmara Secreta

Caso você não tenha lido a resenha sobre Harry Potter e a Pedra Filosofal, você pode começar por aqui. Caso já tenha lido mas mesmo assim tem uma certa dificuldade no aprendizado, essa é a resenha do segundo filme. Então vamos direto ao ponto…

RODA O VT

 

HARRY POTTER E A CHÂMBARA DOS SEGREDOS

 

Assim como no primeiro, o filme começa com aquela judiação que a gente já sabe qual é: Harry mora com os tios e vive uma vida de escravo boliviano da Zara. Petúnia e Valter Dursley têm um filho gordo irritante chamado Duda e tratam Harry pior do que se trata um boi. O gordinho afetado, por outro lado, é extremamente mimado pelos pais. Tudo isso faz o Harry ser meio chateado com a vida.

 

A cara do gordinho

 

Nesse filme, tio Valter já começa mandando a real: naquela noite ele receberia visitas para uma importante reunião de negócios e se o Harry zoneasse essa reunião, o tio Valter zonearia a bunda de Harry. O bruxo, obediente que só, responde que ficaria em silêncio no seu cantinho. Assim que as visitas chegam, Potter vai para seu quarto e dá de cara com uma porra de um elfo usuário de crack na cama dele.

 

“Coé, tio. Tem um trocado pro lanche aí?”

 

A reação do moleque foi muito tranquila, tendo em vista que se fosse eu, já estaria rezando uns três pai-nosso ou gritando. Ou os dois ao mesmo tempo. Dobby (esse é o nome do cracudinho) é claramente perturbado das ideias e vem com uns papos tortos pro Harry de que ele não tem que voltar pra Hogwarts e que vai dar merda se ele for. Quero dizer, se me aparece um caralho de um bicho desses DO NADA falando pra eu não ir pra escola, eu é que não vou discutir. Harry não porque Harry é mala. Ele estressa o duende maluco, que por sua vez faz um cagacê nervoso na reunião dos Dursley.

Como prometido, tio Valter zoneia a bunda de Harry e o tranca dentro de seu quarto de forma que ele não tenha contato com o resto do mundo e nem volte para Hogwarts. Taí uma família equilibrada. Você pensa que Harry deixou por isso mesmo? Pois você está certo. Ele só fica olhando quieto de dentro do quarto igual um imbecil. Não rola nem um terror psicológico por parte do bruxo, tipo…

 
– Eu sou seu tio e você ficará trancado neste quarto!
– EU SOU FEITICEIRO E VOU MATAR O SEU FILHO
– Hã?
– EU SOU É LOUCO EIN TIO. TE ENFIO UMA NIMBUS 2000 NESSE SEU RABO
– Calma Harry, deixa eu tirar essa grade aqui.
– EU SOU É LOUCO!!!!
 

“Caceta…”

 

Ok, Harry está trancado. Todos nós já ficamos de castigo uma vez na vida e com ele não seria diferente. No meio da madrugada acontece algo que certamente já aconteceu com todos nós: um carro voador surge do nada para nos sequestar. Quem está no veículo são os Weasleys, o núcleo baixa-renda da série. Harry, claro, acha tudo normal, faz as malas e pega a coruja dele para meter o pé na estrada. Não o culpo. Depois de ver um gnomo trincadaço de pó eu entraria em qualquer carro voador que aparecesse.

Chegando na casa dos Weasleys, fica bem claro que eles não são pobres. Eles são FODIDAÇOS. Se você reparar bem, eles usam vidro de requeijão como copo, roupinha no botijão de gás e uma bandeira do Flamengo pendurada perto da mesinha comprada nas Casas Bahia. Vamos conhecendo melhor a família até que quem resolve dar o ar da graça na cena é Gina Weasley, irmã do Rony Weasley.

 

“Eta caralho é o Daniel Radcliffe na minha sala”

 

Gina parece muito com a irmã de uma amiga minha que sequer me atreverei a dizer o nome para vocês adolescentes retardados com amor platônico não ficarem procurando (Victoria). Nessa cena entendemos que ela tá cheia da má intenção com o nosso protagonista e que é hora de fazer compras naquela 25 de Março dos bruxos. Beco alguma coisa. Já esqueci. Vou no Google não. Azar o de vocês.

Com a ajuda de um Pó de Pirlimpimpim, os Weasleys podem se teletransportar de uma lareira para outro lugar qualquer. Ou seja, foram voando de carro pra casa do Harry só pra arrumar ideia. Talvez o pó só sirva pra ir a um lugar específico, esses bruxos são meio foda, nunca vou saber. O ponto é: eles vão todos para o Beco Diagonal.

 
Sim, fui ao Google.
 

Relembrando, ou pra quem ainda não viu o filme, o Beco Diagonal é tipo o Mercadão de Madureira aqui do Rio. Só que em vez de artigos para macumba, eles vendem artigos para bruxaria. Essa Gina com certeza vai virar na Pombagira em algum momento do filme porque ela tem carinha de quem bate tambor em encruzilhada pra Ebó.

Climão: em uma livraria Saraiva que está rolando tarde de autógrafos, Harry é reconhecido e todo mundo ama o menino. Exceto Draco Malfoy, que também está lá mas não vai com córneos do protagonista. Eles são inimiguinhos. Draco tem um nome maneiro, porém um cabelinho meio escroto e uma cara de quem está sentindo cheiro de cocô constantemente.

 

“Cagaram neste local e presumo que tenha sido Potter”

 

Somos apresentados ao pai de Draco, um homem com cara daqueles membros de moto-clube que usam jaquetas com JAVALIS DO ASFALTO escrito nas costas. Ele já chega cheio das alfinetadinhas do tipo “hmmmm, essa aqui é mestiça. É bruxa cabocla. Hermione, né? Hmmm, esse aqui é pobre, usa roupa falsa da Abercrombie e Nike Shox. Rony Weasley, imagino” e ninguém vai com a cara dele. No meio de alfinetadinhas dos dois lados, ele joga um livro a mais no baldinho de Gina. Anota aí: vai dar merda.

 

“Eu tenho HORROR a pobre”

 

Vou ser sincero, daí pra frente você vai ter uns bons minutos com nada de relevante no filme. Vou agilizar pra você o que acontece:

 

O Rony faz umas caras engraçadas

 

Hermione fala algumas coisas inteligentes

 

O cabelo do Snape continua oleoso

 

Umas partidinhas de Quadribol

 

Aí começam os mistérios de Hogwarts, claro. Porque pelo visto TODO ANO dá alguma merda nessa escola. O Harry começa a ouvir uns sussuros nas paredes, começa a achar que tá loucaço das ideias e isso se repete em diversos momentos do filme. Como não podia deixar de ser, vem a parte chocante: surge uma mensagem de sangue na parede com os dizeres “QUEM FALOU QUE A BOCA É TUA?”, deixando todos preocupados e desorientados.

Mais pra frente, a mesma coisa. Uma porra de fantasma está, de alguma forma, morto de novo e um garoto petrificado na cena do crime. Quem é o primeiro a chegar no lugar e parecer culpado? Claro, nosso bruxinho desgraçado. Ô vida ingrata a desse menino. Acham que ele é o causador daquilo e o moleque tem que correr atrás do prejuízo.

 

Olha a lambança

 

Nessa parte específica do filme aconteceu algo intrigante: eu dei uma cochilada e meio que me perdi na trama. Sei que quando acordei o Harry tava escrevendo em um diário que respondia ele e ainda o inseria numa realidade aumentada. Coisa chique mesmo. Pelo que entendi, vagabundo tava achando que a culpa das paradas de uma câmara secreta era do Hagrid e botaram o cara no xilindró pra viver o diário de um detento.

Harry e Rony vão tirar satisfação com uma aranha gigante que bota os meninos numa cilada, os dois quase morrem e eu percebo que realmente não devia ter dormido porque já não estava entendendo mais porra nenhuma.

O que eu sei é que no final das contas, levaram a Gina pra tal câmara secreta e iam desossar a menina toda. Quem estava escrevendo as mensagens com sangue na parede era ela, porque, como eu disse, ela tava virada na Pombagira. Eu avisei. Harry, Rony e o professor bunda-mole entram no esgoto da escola pra desvendar esse probleminha básico na vida de qualquer pessoa de bem.

Harry consegue encontrar Gina a tempo, pouco antes do desmanche, e quem ta lá? O Tom Riddle. Não demorou 5 frases pra ficar bem claro que esse cara é do LDRV. Ele diz alguma coisa bem importante sobre ele ser o Voldemort e que ia bagunçar o corpitcho da Gina mas eu só conseguia imaginar ele falando sobre algum boy magia que conheceu na Farme de Amoedo.

 

“Mana, posso te contar uma tour?”

 

“TRAVESTI NÃO É BAGUNÇA”

 

Papo vai, papo vem e do nada surge um Basilisco boladão, uma cobra de 50 mil metros cheia de dente na boca e um olhar de quem não curte muito uma social com a galera. Antes de ela esculachar Harry, chega no recinto a galinha de fogo do Dumbledore, que faz um estrago nos olhos da cobra gigante e facilita as coisas.

Harry pega uma espada e depois de uma intensa cena de combate onde o bicho enfia uma presa no braço do garoto, o Basilisco vem a óbito. Harry bate boca com o Voldemort gay e descobre que vai morrer com o veneno da cobra. Descobre também que se enfiar o dente do Basilisco do no livrinho, o Tom Riddle vira purpurina aos poucos (aqui entre nós, queria ver se essa porra não desse em nada. Estaria morto o menino Harry).

Ok, Potter ganhou, mas ainda ia morrer porque mordida de Basilisco é foda. Fawkes, o frango flambado de Dumbledore volta de novo e o salva de morrer com uma choradinha milagrosa. No final é aquela mesma coisa de sempre: todo mundo feliz, umas piadinhas e vamo que vamo pro terceiro filme.

 

“Caralho, que resenha ruim”

 

 
Foi o meu melhor. Agora cês me dão licença que vou ver o Prisioneiro de Azkaban.

Resenha: Harry Potter e a Pedra Filosofal

“NOSSA, 2017 E ESTE ARROMBADO ME VEM COM UMA RESENHA DE UM FILME DE 2001?″ é uma pergunta muito justa. Ok, vamos lá: quando eu era criança, gostava de livros do Menino Maluquinho e do Níquel Náusea. Um dia, indo comprar um desses quadrinhos na livraria, a vendedora chegou para a minha mãe e disse que não tinha Menino Maluquinho mas que tinha chegado “um livro que os jovens estão lendo bastante por aí”. Era Harry Potter e a Pedra Filosofal.

Com esse argumento indiscutível, a vendedora convenceu minha mãe a comprar o cacete do livro. Olha, eu fiquei é muito do puto quando cheguei em casa e abri aquela merda. Eu que lia páginas cheias de cores e desenhos fiquei desnorteado com aquele troço cheio de letras e nenhuma ilustração. Como era o que tinha, comecei a ler e acabei gostando. Li o segundo, li o terceiro e parei por aí. Minha história com Harry Potter se encerrou no Prisioneiro de Azkaban porque a partir daí eu me achava bom demais para acompanhar a série e desde 2004 nunca mais tive contato.

10 anos depois me toquei que eu era um babaca e precisava colocar um fim nessa história. Como eu não me lembrava de nada, minha namorada fez pressão para eu assistir aos filmes. Então achei que era necessário registrar minha aventura através desses reviews.

Além do fato, claro, de que o blog é meu.

LIBERTA DJ

 

1
Tadã tãdadã tadãaa tã

 

O filme já começa com tragédia. Harry Potter ainda é um bebê e já tá mais órfão que todas as meninas de Chiquititas juntas. Professora Minerva e Alvo Dumbledore, um senhor com 307 anos de idade, decidem que o melhor para aquele menino sem pais e vítima de tentativa de homicídio era passar os próximos 10 anos morando com os tios abusivos dele. Pelas roupas, cabelo e barba desgrenhada do Dumbledore, acredito que as pessoas tenham simplesmente desistido de discutir com ele.

Nas cenas seguintes você só fica mais indignado com aquela família. Os tios só esculacham o menino feiticeiro e o gordo mimado fica gritando por qualquer merda. Harry tem uma aparência esmirradinha, um jeitinho sofrido, mas você vê que ele é do bem e foi um guerreiro de passar esses últimos anos sem cortar os próprios pulsos.

Nesse dia específico é aniversário do Duda (o gordo) e eles vão ao zoológico. Chegando lá, a gente descobre que Harry Potter é meio doente da cabeça porque ele começa a conversar com uma cobra. Depois de 10 anos levando surra de cinta e morando embaixo de uma escada, é compreensível que em algum momento você venha a puxar assunto com um réptil. A cobra responde, o gordo fica louco, cai dentro do cativeiro, a cobra foge, uma zona do caralho.

 

2
“coé parcero mta mulherada por aqui?”

 

Depois do furdunço todo, o moleque fica de castigo e as coisas seguem normalmente na casa dos Dursley, até o dia que uma coruja chega com uma carta pra Harry.  O tio fica puto da vida e joga a carta fora, mas como o sistema postal da região é muito bom, cerca de 300 mil corujas fazem questão de encher a casa daquela família de cartas. Os tios ficam loucos com aquilo, tentam evitar a qualquer custo mas não adianta. A única solução sensata daquele homem é fugir para uma ilha deserta cheia de tempestade no meio do nada.

 

O mais impressionante é como uma imobiliária conseguiu vender isso pra alguém

 

Começou aniversário do Harry. Chega nesse barraco marítimo um homem com 3 metros de altura quebrando a porta. Puta merda. Já achei que ia rolar tragédia no recinto. Mas tava tudo bem, era o Hagrid. Aparentemente pra você fazer parte do mundo da bruxaria você precisa ter um aspecto de quem não toma muito banho.

Hagrid entrega em mãos a carta pro Harry e manda a real: “mermão, tu pode até não vir comigo, mas aí tu vai ser um bostolão”. Harry, que não quer ser um bostolão, vai. Eles ficam amigos e vão fazer comprinhas no Beco Diagonal, que é um camelódromo de bruxos que vendem, dentre artigos mágicos, alguns iPhones roubados, jogo pirata de PS4 e um número considerável de calças Korova.

 

Se fosse no centro do Rio de Janeiro, só nessa cena a gente já tinha presenciado uns dois arrastões

 

Harry explica cheio de humildade que ele não tem grana e Hagrid fala pra ele ficar calmo que tá tudo no esquema já. Eles vão para Gringotts, que é basicamente o Santander do mundo dos bruxos. A única diferença é o nome porque até os funcionários são iguais.

 

 e aí jovem quer abrir uma continha universitária?

 

Harry descobre que tem uma herança muito da gorda e logo depois vai com Hagrid até outro cofre para ele pegar um negócio secreto. Quem vê de fora acha que é droga. Mas tu não chega pra um cara de 3 metros de altura e pergunta se ele tá envolvido com tráfico de entorpecentes, então fica o mistério no ar.

Comprinhas feitas, hora de pegar o trem. Porque bruxo tem que fazer as coisas do jeito mais difícil possível: trem. Imagina a situação. Você é um bruxo, pode voar, pode soltar magia, pode bater tambor pra Oxossi e mesmo assim tem que pegar um trem. Como se não fosse um meio de transporte bosta o suficiente, pra chegar na plataforma tu tem que enfiar a testa numa parede.

 

Pra mim bruxo gosta é de complicar as coisas

 

É nesse momento do filme que Harry conhece Rony, o menino pobre. Eles ficam amigos também e dividem a mesma cabine. Papo vai papo vem, Rony e Harry curtindo a dinheirama do menino órfão comprando doces e vivendo o sonho, quando chega na cabine a Hermione sendo um dos seres vivos mais insuportáveis que já vi em toda minha vida.

 

“ai vcs já ouviram falar de marketing multinível?”

 

Como a desgraça pra quem anda de trem nunca vem desacompanhada, a criançada ainda tem que pegar um monte de jangadinha pra chegar até Hogwarts. Aparece o castelo pela primeira vez e eu não faço a menor ideia de como aquela estrutura daquele tamanho na BEIRINHA de uma encosta ainda não foi condenada pela Defesa Civil. Mas quem sou eu pra julgar? Certeza que é bruxaria que segura.

 

 

Lá dentro a Dona Minerva leva aquele monte de criança cheia de fome para um banquete, onde elas iriam descobrir em que casas ficariam.

 

Na hora que a cera quente dessas velas começar a pingar quero só ver a merda que vai ser

 

O processo seletivo pra descobrir em qual casa você passará o resto da sua vida é assim: você coloca um chapéu. E é isso. Não tem um ENEM, um quiz, um teste Capricho, nada. O chapéu simplesmente decide o resto da tua vida porque ele é um chapéu que fala.

 

“Quem for protagonista vai pra Grifinória. Quem for trambiqueiro vai pra Sonserina. O pessoal imbecil vai pra Lufa-Lufa e o que sobrar é Corvinal”

 

Ou seja, Harry e os amigos vão pra Grifinória, Draco e os amigos vão pra Sonserina e…bem, o resto tá lá né. Daí pra frente é um monte de cena mostrando como é a vida em Hogwarts, as crianças tendo aulas de macumba aplicada, conhecendo os professores, mostrando que o Snape é o professor azedo e tudo aquilo que você provavelmente já sabe mas mesmo assim leu até aqui.

A parte importante nisso tudo é mostrar que o Harry na aula de vassoura voadora tinha NASCIDO PRA ISSO e lá pra frente ele vai ser o Neymar do quadribol. Ah, outra coisa importante que passou despercebida por muita gente é que os efeitos especiais dessa cena foram feitos em um Nintendo 64.

 

alá

 

Nesse andar da carruagem, você, junto com Harry, começa a achar que o Snape tá envolvido com coisa errada. Tem um campeonatinho de Quadribol que o menino Potter quase morre e fica aquele clima de que era o Snape tentando dar um cabo na vida do garoto. Tem também o lance do TRASGO NAS MASMORRAS, que ficam achando que quem soltou o bicho foi ele

 

 Trasgo pra quem não sabe é um Shrek mais alto

 

Ou seja…o cerco tá se fechando pro Snape. Lembro que quando eu vi o filme na época, eu era totalmente Team Potter. Hoje eu compreendo totalmente o lado do Snape que quer trabalhar e um monte de criança catarrenta espertinha fica enchendo o saco do cara. A gente amadurece.

Enfim, dentro da escola tem um cachorro gigante com 3 cabeças tomando conta de algo. Harry, Roninho e Hermione cismam que Snape quer pegar esse algo, vão xisnovear pro Hagrid e acabam descobrindo que tem um cara chamado Nicolau Flamel no esquema. O maior mistério nessa parte é o tanto de cocô que aquele bicho deve fazer. Tu imagina o cheiro desse castelo.

 

 Essa decoração de shopping mostra que chegou o natal em Hogwarts

 

Harry ganha de presente uma capa de invisibilidade. Um garoto nessa idade tem 40 mil ideias do que fazer se tivesse uma capa de invisibilidade…

…menos Harry Potter. Ele vai pra uma biblioteca caçar livro. Eles eventualmente acabam descobrindo que esse Nicolau é o criador da Pedra Filosofal, olham para a câmera, falam “POR ISSO O NOME DO FILME” e dão uma piscadinha. Mentira, isso não acontece. Mas eles cismam que o Snape quer muito pegar a Pedra Filosofal.

Nessa de querer ser CSI, as crianças acabam pegando uma detenção. O castigo é ajudar o Hagrid na floresta negra. Sim, você não leu errado: a punição por andar pela escola à noite é você ser mandado pra resolver merda no meio de uma floresta assombrada. Eles descobrem que tá rolando muita morte de unicórnio na região, então o Hagrid decide que o melhor é eles se separarem. Vou repetir com caps lock caso não tenha ficado muito claro…

O HAGRID VÊ QUE TEM ALGUM TROÇO MATANDO UNICÓRNIOS E DECIDE “AH…VAI EU RONE E HERMIE POR AQUI, VAI TU, O DRACO E ESSE CACHORRO CARCOMIDO POR ALI”. Se abrir um inquérito do tanto de criança que já deve ter morrido em Hogwarts, acho que a justiça embarga o lugar.

 

deus me livre guarde

 

A testa de Harry começa a arder e eles ficam de cara com o tinhoso devorando um unicórnio. Eu já tinha desmaiado fácil. Mas o Harry se manteve forte, foi salvo por um centauro e, assim como todo mundo que é salvo por um centauro, bate um papo com ele. O bicho explica que aquilo é coisa de Voldemort e como criança é burra eles entendem “isso é o Snape tentando ajudar o Voldemort”

Vou resumir pra você o que acontece: eles vão até aquela sala com o Fofo resolver essa pendenga de uma vez por todas e no final, bem no ápice, eles descobrem que o filha da puta da história era aquele professor bunda mole do Quirrel. Era ele que tava de gracinha com o Voldemort e acabou morrendo no combate contra o Harry. Frouxo da porra.

 

 “Eu não acredito que to tomando um sacode de um moleque de 10 anos”

 

Voldemort perdeu. Harry ganhou. No final, quando tem a contagem de pontos, Harry é considerado um heroi, Grifinória leva a melhor e tudo dá certo.

 
Bom…exceto pelo fato de que ele vai ter que voltar pro cativeiro dos tios.

Resenha: Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel

Senhor dos Anéis é uma série de filmes com uma magia que nunca consegui explicar ao certo, mas que me fazia dormir todas as vezes na metade. Por “metade”, a gente entende “5 horas depois do início”, já que o negócio tem cerca de 29 horas de duração. Assim como em Harry Potter, me obriguei a assistir – na verdade fui obrigado pela minha namorada – e agora que acabei o primeiro, vim fazer uma resenha

Vamos lá

 

 Senhor dos Anéis – A Rapeize do Anel

 

O filme começa com a historinha de que o tal do Sauron fez uma porrada de anelzinho pra distribuir por aí. Sauron era tipo um São Cosme e Damião de anéis. Daí deu 9 pros humanos, não sei quantos pros elfos, deu uns 15 pra sei lá quem, botou o resto num bexigão cheio de brinde que a gente estoura em festa infantil e, no final das contas, fez um anel só pra ele. O anel que comandava a porra toda. 

Ou seja, foda-se né. Se era pra ser assim nem precisava ter feito os outros. 10 minutos de filme e já to por aqui com as gracinhas desse Sauron. Resumo do samba: dá um merdelhê generalizado, o idiota leva uma espadada na mão e perde o anel poderoso junto com os dedos. O mundo tá salvo, eba. Daí o Isildur, carinha que decepou o Sauron, tinha só uma obrigação: destruir o anel. Mas sempre tem algum ser humano pra cagar na vara. O Isildur ficou com o anel pra ele e terminou morto.

 

 RT @Isildur kkkkk mortaaaaa

 

Passou um montão de anos e quem achou esse anel foi o Smeagol, um cracudinho que tem no filme. Ele é viciado no anel, bicho. Definhou legal ali. Daí ele perde a joia e quem acha é o Bilbo (que particularmente seria muito melhor se o nome fosse bimbo. Como o blog é meu, a partir de agora o nome é Bimbo). No final das contas entendemos que o anel é empoderado, dono de si e com uma grande capacidade de enloquecer quem fica com ele.

 

“eeeta porra SE DEI BEM”

 

70 minutos só de introdução. Aí começa o filme de verdade no vilarejo dos hobbits.

Hobbit pra quem não sabe é uma pessoinha com altura de uma criança de 8 anos mas com cara de velho. O Frodo é um hobbit e é amigo do Gandalf, um senhor de idade com poderes mágicos. Gandalf tá chegando no Condado pra comemorar o aniversário do Tio do Frodo. Quem é? Isso mesmo, o Bimbo do anel. Bimbo tá planejando um festão, coisa de gente famosa mesmo. Iria todo mundo do Condado, celebridades, ex-BBB, Ana Hickmann, coisa fina. Muita zoação, muita bebedeira, eis que chega a hora do parabéns.

 

 Hobbit gosta de zona

 

Como o Bimbo é velho, ele faz discurso. Velho já gosta de dar um discurso na hora do parabéns. O que ninguém esperava é que essa era a despedida dele. Ele coloca escondido o anel no dedo e pluft, sumiu no meio do palco. É o gran-finale dele pra nunca mais voltar para aquela favela. Todos chocados menos o Gandalf, que sacou tudo.

 

 “Esse miudinho aí vai aprontar alguma merda quer ver?”

 

Bimbo explica pro Gandalf que tá mesmo metendo o pé, fica meio bolado de deixar pra trás o anel mas mesmo assim vai embora. Que que acontece? O anel só traz danação na vida da pessoa e ainda por cima tem 9 cavaleiros do inferno procurando ele. O Gandalf que não é bobo nem nada diz pro Frodo que o coitado tem que levar o anel pra cidade dos Elfos. Um bando de exu vindo atrás da parada e ele vai fazer por conta própria? Porra nenhuma, dá pro hobbit fazer. O plano é ele e Sam (outro hobbit) irem até um bar e encontrar um tal de Aragorn que ia fazer a escolta dos dois até Valfenda.

 

“Oi será que algum de vocês teria aí um shampoo anti-oleosidade?”

 

Enquanto isso o Gandalf iria trocar uma ideia com o Saruman, que é outro velho macumbeiro. Papo vai, papo vem e o Gandalf descobre que o cara tá de conchavo com o Sauron. Aí a merda tá feita. Começa uma briga de magos, as duas velhas feiticeiras em crise. É uma briga de comadre que vou te falar. Poderzinho pra lá, poderzinho pra cá e o Gandalf perde. Vai ficar aprisionado pra aprender a não ser traidor do Movimento Sauron.

 

 Nessa época pelo visto não existia osteoporose

 

Volta pro Frodo. Os jóqueis do apocalipse encontraram ele. Numa sábia manobra hóbbitica, ele coloca o anel pra ficar invisível. Funcionou aí pra você? Pois é, nem pra ele. Os 9 cavaleiros do mal, que na verdade eram os humanos que ganharam anel lá no início do filme, conseguem ver o Frodo quando ele tá invisível. Aí já era.

 

“Broder, a gente meio que ainda tá te vendo, blz?”

 

Frodo toma-lhe uma espadada e ia ser executado ali mesmo, mas aí aparece o Aragorn, esculacha geral, taca fogo nos dementadores e vai ver as condições do Frodo. O moleque tá pra morrer porque 1) o Aragorn não tinha o que fazer 2) não tinha nenhum estudante de medicina por perto achando que sabia o que era pra fazer. Ele pega o Frodo no colo e fala “quem resolve essas porra aí é elfo” e leva o menino para aquela fadinha linda pra caralho. A que é filha do cara do Aerosmith, sabe?

 

 ai ai :3

 

No final das contas ela é uma elfa. A gente descobre que ela é crush do Aragorn, rolam uns papos chatos e eles finalmente vão para Valfenda, o point dos elfos. Nesse meio tempo, enquanto Saruman estava ocupado demais montando um exército de gente feia, Gandalf já conseguiu fugir do cárcere. Velho ardiloso.

 

 Os Campos do Jordão da Terra Média

 

Valfenda é um lugar muito bonito. É tipo o condomínio daquele seu amigo rico que tem piscina, área de lazer e academia enquanto na tua casa não tem nem o reboco da parede. Quando Frodo e o time chegam lá, tá rolando uma espécie de festa étnica. É anão, é elfo, humano, feiticeiro, hobbit, japonês e roda de samba com o grupo Art Popular + bebida liberada damas grátis até meia noite.

 

 A galera

 

Eles estão lá pra uma reuniãozinha sobre qual seria o melhor destino para o anel. A parada parece o Facebook e em questão de minutos vira uma zona. O humano quer ficar com o anel, não sei quem quer destruir, o elfo acha que o impeachment foi golpe…um barraco que só. No final das contas é decidido que o anel deve mesmo ser destruído. Só que ninguém quer ter trabalho né, aí os caras mandam os bóia-fria da Terra Média pra realizar a missão.

 

“deixa vomigo toca po pai”

 

Como ia ser insuportável ter 3 filmes só com Sam e Frodo, entra pra equipe o anão, o elfo e dois humanos. De quebra ainda vai junto outros 2 hobbits pentelhos que estão desde o início do filme enchendo o saco do pessoal. Está formado O BONDE DO ANEL.

 

 

Daí pra frente os caras só andam. É inacreditável como a galera se dispõe a andar tanto. Não é possível que eles sabiam dessa distância antes de aceitar. Eu não tenho disposição pra ir na padaria aqui na outra rua, sabe. Esse pessoal é doido. Mas ok, eles começam a subir uma montanha. Acontece que chegando lá no alto tem um monte de corvo fofoqueiro e pra eles é inviável continuar. Daí a solução é voltar e ir por outra montanha, só que cheia de neve. Imagina o tanto de ovo que esses filhos da puta iam chocar em Pokémon GO.

 

“10km pra nascer uma porra de um Zubat, puta que pariu, Boromir!”

 

Dá problema de novo (dessa vez uma bárbara avalanche causada pela magia do Saruman) e eles já não têm mais muita escolha. Segundo o anão, que se chama Gmail, a melhor opção pra eles era ir para o reino dos anões porque lá é o fervo e eles seriam muito bem recebidos pelo primo dele. Ok, né? O que é um peido pra quem tá cagado? Vamos todo mundo pra terra dos anões. Quando eles chegam, logo na portaria, os dois hobbitinho bagunceiro fazem alguma merda e despertam um polvo gigante que começa a tocar o terror. Sobrevivem.

 

Não tem UM coelho nesse filme, UM Golden Retriever. É só monstro querendo te matar.

 

Dentro da caverna dos anões eles descobrem um monte de esqueleto. Morreu todo mundo. Não sobrou nenhum. Mestre, Feliz, Zangado, Atchim, Soneca, Dunga e Dengoso TUDO CADÁVER. Fica aquele climão porque não rolou aquela recepção calorosa que havia sido prometida. O negócio tá estranho, com um silêncio macabro e aí os hobbitinhos imbecis fazem um barulhaço de novo. Pronto: despertam cerca de 30 milhões de Goblins. Goblin pra quem não sabe é o anão do mal que mata anão do bem.

 

“Olá boa tarde será que eu poderia te contar um pouco sobre as vantagens do marketing multinível?”

 

Amigos…foi aí que tudo descaralhou de vez. Nessa hora eu tinha morrido com certeza.

(Ok, pensando melhor eu provavelmente nem estaria nessa aventura porque já teria morrido de peste negra ou qualquer uma dessas doenças aí da Terra Média. Segue o baile…)

Foi aí que tudo descaralhou de vez. Era um GALERAÇO de goblins rodeando nossos herois. Não tinha mais o que fazer, era morte certa. Eis que do nada todos eles começam a fugir que nem barata quando acende a luz. A desgraça nunca vem sozinha e se a gente achava que 90 bilhões de goblins era um problema…bom, surge ninguém mais ninguém menos que LÚCIFER no recinto.

 

“cd da xuxa ao contráriooo”

 

Essa criatura chamada Balrog começa a perseguir a galera por todos os cômodos daquela pocilga e, em dado momento, o Gandalf quer dar uma de machão e fala a famosa frase do primeiro filme:

 

“SE A MADAME PENSA QUE VAI PASSAR AQUI VC TÁ MUITO ENGANADAAAAAAAA”

 

E depois disso já era o Gandalf. Virou cheeseburguer junto com o Balrog. Dava pra ter salvado o velho, só digo isso. Mas quem sou eu pra julgar? Má vontade é foda. Enquanto o Frodo faz o drama dele, todo mundo mete o pé dali pra ninguém levar a culpa.

 

“Pelo amor de deus galera é só alguém segurar minha mão aqui me ajuda pfvr”

 

Surpreendentemente o filme ainda não acabou. Sei que daí pra frente uns outros elfos encurralam os nossos meninos de ouro, tem uma parte lá com uma outra fadinha que acho caidaça, o Frodo ganha um barquinho e eles passam por aquelas estátuas gigantes. Passou dali é caminho sem volta irmão. Vou resumir porque já não aguento mais escrever: uma porrada de Orcs aparece e nesse combate morre o Boromir. O cara só tava arrumando problema por causa do anel e no final morreu. Bem feito. Está morta a guerreira Boromir.

 

 “Eu vou morrer em Game of Thrones também”

 

Além disso os Orcs sequestram os dois hobbitinhos, o Frodo decide que vai fugir sozinho, o Sam vai atrás dele e pronto. Tá separado o time. Legolas, Aragorn e Gmail entendem que os Sam e Frodo querem um pouco de privacidade e resolvem ir salvar os outros dois. Cada um pro seu lado e não lembro exatamente como termina mas é isso aí. SENHOR DOS ANÉIS.

Fim do primeiro filme.

 
PS.: o Blu-Ray bônus tem uma versão ESTENDIDA. Sai fora.

Resenha: A Culpa é das Estrelas

Texto originalmente publicado dia 1 de Julho de 2014
 

O grande problema de chegar para alguém e dizer que gostou de um filme baseado em um livro é que as chances dessa pessoa ser uma imbecil são altas. Como você reconhece isso com precisão? Basta falar que achou o filme bom e ela automaticamente vai responder “PODE ATÉ SER MAS O LIVRO É MELHOR, É MAIS COMPLETO NÉ HIHIHI EU ACHEI O LIVRO MAIS COMPLETO PORQUE EU LI O LIVRO”.

Sim, sua filha da puta. Já viu quantas palavras existem dentro daquelas páginas? É claro que aquilo vai ser mais completo que o filme. Pare de se orgulhar só por ter lido uma caralha de um livro. Todo mundo sabe que o filme não é como o livro.

 
1
 

Então, fui ver A Culpa é das Estrelas porque muita gente tem ido e também porque estou evitando esse negócio de ter personalidade própria. Acho que foi a primeira vez que fui ver um filme sem ter lido seu livro antes e o resultado foi gratificante: eu aproveitei completamente sem ficar preocupado com partes que faltavam. Mas qual é a desse filme, afinal?

 
Câncer.
 

O filme é cheio de câncer. Câncer pra caralho. Eu saí de lá e fui direto para uma ressonância magnética só por precaução. A porra do filme tinha que se chamar A Culpa é do Tumor porque seria mais sincero. E se você acha pouco, segura aí: tem câncer infantil, pra quem curte um filme com a garotada. Fico pensando em como funciona a cabeça de um autor que escreve uma obra assim, daí fui procurar quem era John Green no Google e essa foi a imagem encontrada.

 
2

“O próximo é sobre AIDS hein”

 

Logo no começo do filme somos apresentados à Hazel Grace, a protagonista. A mina já aparece com uns tubinhos no nariz, mostrando que as coisas não estão boas pra ela e que em alguma hora vai dar merda. Ela, aos 13 anos, foi diagnosticada com um estágio avançado de câncer na Tireóide. E é assim que começa o filme: você engolindo em seco a ideia de uma criancinha linda com câncer até o talo.

A menina, depois de grande, fica numa bad vibe forte (é o mínimo quando você está morrendo) e os pais dela resolvem que ela precisa frequentar um grupo cristão de apoio a pessoas com a mesma condição que ela. Em resumo, é um muquifo no porão da igreja cheio de jovens com algum defeito de fabricação. Se entra o professor Xavier naquele recinto começa um filme do X-Men.

 
3

“DIVIRTA-SE COM SEUS AMIGO DOENTE, FILHA”

 

Obviamente, ela acha o grupo de apoio uma merda e faz a rebelde, diz que não vai mais. Infelizmente não dá em nada, ela é obrigada a continuar por ordem dos pais, dos médicos e possivelmente das estrelas. Mas vejam só vocês, nesse mesmo point da derrota, ela acaba esbarrando com um menino chamado Augustus Waters e fica toda ouriçada.

Augustus, como vocês devem imaginar, é o príncipe Disney da história. Ele tem toda aquela pose de galã em um primeiro momento. Depois você começa a perceber que ele fica insistentemente olhando para a Hazel, muito seguro de si pra quem está num lugar daqueles. O ar de galã passa a ser o de um possível estuprador de meninas terminais de tanto que ele fica olhando pra ela. É meio apavorante. Mas não para Hazel, que já estava com a calcinha molhada há alguns minutos

 
4

“Te devoro todo, moleque dengoso”

 

Durante a reunião do grupo, ele e o amigo se apresentam a todos. O amigo, cujo nome eu realmente não lembro, diz que está lá por uma complicação que o deixará cego em pouco tempo. Vamos chamá-lo de Cegueta. Assim que Cegueta acaba, Augustus começa a falar de si mesmo. Velho, que saco. Ele começa dizendo que deu um merdelhê lá com ele que resultou na perda de sua perna direita, daí ele vai e mostra a perna mecânica pra todo mundo, se achando o Mega Man. O discurso do menino ciborgue termina com ele dizendo que seu maior medo é não ser lembrado para sempre. Hazel, querendo chamar atenção, aplica a famosa SURRA DE ESCULACHO nessa visão de vida dele e fica aquele climão no ar.

 
5

“E esse é o nosso amigo Agustus que acha que é o fodão de jaqueta, senhores…”

 

Na saída, enquanto Hazel espera sua mãe, vem ele todo galã de novo puxar assunto. O cara mete uns papos chatos pra caralho, tipo o Cazuza no filme dele, que ninguém entende porra nenhuma mas é tudo frase avulsa de fotolog e flogão. Ela sente o calor da paixão, ele a convida pra sair, eles saem juntos e daí pra frente você já sabe né.

 
6

“Sua piscina estará cheia de ratos. Mentiras sinceras me interessam, vida louca vida breve.”

 

Ok, se você não sabe, é o seguinte: estamos falando de um filme cujo público consumidor é basicamente composto por meninas de 14 anos. Se o filme tem 2h de duração, pelo menos uma hora e meia aí é de ceninha mela-calcinha pra você se comover mais com o desfecho. Eles trocam livros, histórias e emoções. Ela diz quem é o autor favorito dela, ele entra em contato com o cara, tudo acontece de forma linda e você fica com cara de bunda na sala de cinema por nunca ter tido uma história de amor assim.

 
7

Ela lendo o livro fofo dele

 

8

Ela recebendo SMS fofo dele

 

9

Ela vendo filme fofo com ele

 

Depois de 7059 cenas ~fofas~, chega um momento em que o escritor que ela mais admira os convida para um encontro em sua casa, em Amsterdã. Hazel fica LOUCAÇA de alegria e conta pra mãe. A mãe fica LOUCAÇA de alegria também mas diz que está sem dinheiro e Hazel se fode. Augustus sugere que ela gaste o desejo dela da Genie Foundation para poder viajar, entretanto, ela já havia gasto com uma viagem pra Disney (o que acho sempre um bom investimento). Augustus, novamente com aquele jeito de namorado que você nunca vai ter na vida porque é feia, age como um príncipe e usa o desejo dele para ir com ela.

Meu deus, que alegria. Tava tudo certo e os pais dela vão ao hospital para ver as condições e riscos de viagem. Os médicos ficam comovidos com toda a história e dizem “TÁ MALUCA VIAJAR PRA EUROPA Ô SUA PUTA? TÁ CHEIA DE CÂNCER NAS IDEIA E QUER VOAR DE AVIÃO PORRA? O CARALHO. VAI VIAJAR NÃO” de um jeito mais delicado.

Depois de um tempo, se tocaram de que Hazel vai morrer de qualquer jeito. Então os pais dela, Augustus e os médicos organizam tudo secretamente para que ela possa ir. “Surpresa Hazel! Você vai!”.

Quase chorei nessa hora. Foda-se, eu tava comovido. Bicha é o seu pai.
 

10

Eu tava mais ou menos assim vendo o filme

 

Augustus faz de tudo para a viagem ser incrível. Aluga limousine, vai para hotel maneiro, leva para jantar em restaurante chique, bebem do melhor champagne e jantam a especialidade do chef. Tudo perfeito demais. Hazel estava apaixonada e também ansiosa pelo grande encontro no dia seguinte.
 

11

“Vai rolar uma recompensinha depois, né princesa?”

 

No dia em que eles vão conhecer o escritor, a primeira decepção. O cara é um alcoólatra sem modos e trata os dois pior do que se trata um boi. Toda aquela cortesia aparente até o momento, era na verdade de sua assistente, que é uma delícia. O cara perde a linha: fala que não tá nem aí pra doença deles, que eles sobrevivem à base de pena e que tem mais é que ficar carequinha mesmo. A raiva sobe, Hazel grita com ele, Augustus levanta, a assistente delícia fica tensa, quase rola porrada. Seria um Casos de Família europeu, mas ambos decidem ir embora da casa desolados.

A assistente decide que eles não merecem aquilo e vai por conta própria levá-los para um passeio na cidade, sem o velho ignorante. Eles aceitam (porque, como dito anteriormente, ela é uma delícia) e vão para a casa onde morou Anne Frank (se você não conhece, vai dar uma lida no Google porque não sou professor de ninguém) e Hazel passa um perrengue subindo aquelas escadas e ficando sem ar. Você acha que ela vai morrer ali pois o filme basicamente é isso, mas ela chega até o final e conhece o quarto onde Anne ficou escondida.

Augustus e ela se entreolham. Acontece o primeiro beijo do filme. Um beijo sensacional, apaixonante, envolvente e extremamente romântico…NO QUARTO EM QUE UMA MENININHA JUDIA SE ESCONDEU POR ANOS PARA NÃO MORRER EM UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO. Eta porra de romantismo hein, Augustus? Ah, sim. Haviam várias pessoas em volta. Assim que acaba o beijo, todas elas aplaudem DENTRO DO QUARTO EM QUE UMA MENININHA JUDIA SE ESCONDEU POR ANOS PARA NÃO MORRER EM UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO. É a cena mais “que porra é essa, gente” do filme.

 
12

“Me dê uns cato aqui onde os nazistas fizeram a limpa, Augustus meu amor”

 

Augustus, depois do passeio, manda a real. Ele diz que a situação dele é pior do que parecia, bem pior, e que ele vai morrer mesmo. O tempo dele já não era muito longo. Ah, sim, por outro lado, no final da noite eles fazem aquilo que as meninas pueris e delicadas entendem por “a primeira vez”. Vou aproveitar esse spoiler aqui e dar um spoiler sobre a vida também: não vai ser assim. Vai ter muita dor, sangue, sofrimento e no dia seguinte você vai achar que está grávida.

Daí pra frente, o filme é uma roleta-russa. Você sabe que tá prestes a rolar uma morte, mas não sabe quando, então é aquilo: ele vai parar no hospital e você “É AGORA MEU PAI” e nada. Ele volta vivão. No meio de uma madrugada o celular de Hazel toca e você “PUTZ AGORA VAI HEIN” e nada. Dentro do seu coração uma voz vai dizer “MORRE LOGO CARALHO EU TO AFLITO AQUI JÁ” e, quando você menos espera, ele morre.
 

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“Ô filha, calma. Logo logo você vai estar com ele lá no céu…”

 

É aquela tristeza foda, né. Eu tava boladaço já, imagina a Hazel. No velório, quem aparece é o escritor ignorante. Hazel e Cegueta fazem o discurso final que Augustus queria que eles fizessem e mano, é lindo. Hazel vai para o carro e o escritor meio que tenta se redimir com ela, porque na verdade, a menina com câncer de seu livro era sua própria filha e ele era amargurado por ter que conviver com isso. Hazel que é a ignorante dessa vez e enxota o velho pra fora do carro. A última coisa que ele faz é entregar uma carta para ela.

Em casa, Hazel e Cegueta estão conversando. Cegueta diz que a carta que o escritor quis dar a ela era o depoimento final de Augustus, que nesse momento do filme permanecia morto. A última cena do filme é a Hazel lendo a carta com as belas palavras dele sobre aquilo que eles viveram em tão pouco tempo.

 

14

“Po Hazel eu até leria pra tu mas não tá dando mais não kkkkkk flw”

 

No fim do filme, ao acender das luzes, você precisa obrigatoriamente olhar para todas as pessoas do cinema. É um mar de derrota. Mulher com lencinho, menina com olho todo vermelho, uns caras meio abatidos e um puta climão de enterro. Não vejo tanta tristeza assim desde Marley & Eu.

NOTA: 8,5

Porque a história é bem legal e cumpre bem sua função que é te deixar triste pra caralho. Você se envolve bem com o filme. Mas a porra da galera aplaudindo o beijo foi imbecil demais. Ninguém fica aplaudindo beijo dos outros na rua, sério.