Resenha: Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel

Senhor dos Anéis é uma série de filmes com uma magia que nunca consegui explicar ao certo, mas que me fazia dormir todas as vezes na metade. Por “metade”, a gente entende “5 horas depois do início”, já que o negócio tem cerca de 29 horas de duração. Assim como em Harry Potter, me obriguei a assistir – na verdade fui obrigado pela minha namorada – e agora que acabei o primeiro, vim fazer uma resenha

Vamos lá

 

 Senhor dos Anéis – A Rapeize do Anel

 

O filme começa com a historinha de que o tal do Sauron fez uma porrada de anelzinho pra distribuir por aí. Sauron era tipo um São Cosme e Damião de anéis. Daí deu 9 pros humanos, não sei quantos pros elfos, deu uns 15 pra sei lá quem, botou o resto num bexigão cheio de brinde que a gente estoura em festa infantil e, no final das contas, fez um anel só pra ele. O anel que comandava a porra toda. 

Ou seja, foda-se né. Se era pra ser assim nem precisava ter feito os outros. 10 minutos de filme e já to por aqui com as gracinhas desse Sauron. Resumo do samba: dá um merdelhê generalizado, o idiota leva uma espadada na mão e perde o anel poderoso junto com os dedos. O mundo tá salvo, eba. Daí o Isildur, carinha que decepou o Sauron, tinha só uma obrigação: destruir o anel. Mas sempre tem algum ser humano pra cagar na vara. O Isildur ficou com o anel pra ele e terminou morto.

 

 RT @Isildur kkkkk mortaaaaa

 

Passou um montão de anos e quem achou esse anel foi o Smeagol, um cracudinho que tem no filme. Ele é viciado no anel, bicho. Definhou legal ali. Daí ele perde a joia e quem acha é o Bilbo (que particularmente seria muito melhor se o nome fosse bimbo. Como o blog é meu, a partir de agora o nome é Bimbo). No final das contas entendemos que o anel é empoderado, dono de si e com uma grande capacidade de enloquecer quem fica com ele.

 

“eeeta porra SE DEI BEM”

 

70 minutos só de introdução. Aí começa o filme de verdade no vilarejo dos hobbits.

Hobbit pra quem não sabe é uma pessoinha com altura de uma criança de 8 anos mas com cara de velho. O Frodo é um hobbit e é amigo do Gandalf, um senhor de idade com poderes mágicos. Gandalf tá chegando no Condado pra comemorar o aniversário do Tio do Frodo. Quem é? Isso mesmo, o Bimbo do anel. Bimbo tá planejando um festão, coisa de gente famosa mesmo. Iria todo mundo do Condado, celebridades, ex-BBB, Ana Hickmann, coisa fina. Muita zoação, muita bebedeira, eis que chega a hora do parabéns.

 

 Hobbit gosta de zona

 

Como o Bimbo é velho, ele faz discurso. Velho já gosta de dar um discurso na hora do parabéns. O que ninguém esperava é que essa era a despedida dele. Ele coloca escondido o anel no dedo e pluft, sumiu no meio do palco. É o gran-finale dele pra nunca mais voltar para aquela favela. Todos chocados menos o Gandalf, que sacou tudo.

 

 “Esse miudinho aí vai aprontar alguma merda quer ver?”

 

Bimbo explica pro Gandalf que tá mesmo metendo o pé, fica meio bolado de deixar pra trás o anel mas mesmo assim vai embora. Que que acontece? O anel só traz danação na vida da pessoa e ainda por cima tem 9 cavaleiros do inferno procurando ele. O Gandalf que não é bobo nem nada diz pro Frodo que o coitado tem que levar o anel pra cidade dos Elfos. Um bando de exu vindo atrás da parada e ele vai fazer por conta própria? Porra nenhuma, dá pro hobbit fazer. O plano é ele e Sam (outro hobbit) irem até um bar e encontrar um tal de Aragorn que ia fazer a escolta dos dois até Valfenda.

 

“Oi será que algum de vocês teria aí um shampoo anti-oleosidade?”

 

Enquanto isso o Gandalf iria trocar uma ideia com o Saruman, que é outro velho macumbeiro. Papo vai, papo vem e o Gandalf descobre que o cara tá de conchavo com o Sauron. Aí a merda tá feita. Começa uma briga de magos, as duas velhas feiticeiras em crise. É uma briga de comadre que vou te falar. Poderzinho pra lá, poderzinho pra cá e o Gandalf perde. Vai ficar aprisionado pra aprender a não ser traidor do Movimento Sauron.

 

 Nessa época pelo visto não existia osteoporose

 

Volta pro Frodo. Os jóqueis do apocalipse encontraram ele. Numa sábia manobra hóbbitica, ele coloca o anel pra ficar invisível. Funcionou aí pra você? Pois é, nem pra ele. Os 9 cavaleiros do mal, que na verdade eram os humanos que ganharam anel lá no início do filme, conseguem ver o Frodo quando ele tá invisível. Aí já era.

 

“Broder, a gente meio que ainda tá te vendo, blz?”

 

Frodo toma-lhe uma espadada e ia ser executado ali mesmo, mas aí aparece o Aragorn, esculacha geral, taca fogo nos dementadores e vai ver as condições do Frodo. O moleque tá pra morrer porque 1) o Aragorn não tinha o que fazer 2) não tinha nenhum estudante de medicina por perto achando que sabia o que era pra fazer. Ele pega o Frodo no colo e fala “quem resolve essas porra aí é elfo” e leva o menino para aquela fadinha linda pra caralho. A que é filha do cara do Aerosmith, sabe?

 

 ai ai :3

 

No final das contas ela é uma elfa. A gente descobre que ela é crush do Aragorn, rolam uns papos chatos e eles finalmente vão para Valfenda, o point dos elfos. Nesse meio tempo, enquanto Saruman estava ocupado demais montando um exército de gente feia, Gandalf já conseguiu fugir do cárcere. Velho ardiloso.

 

 Os Campos do Jordão da Terra Média

 

Valfenda é um lugar muito bonito. É tipo o condomínio daquele seu amigo rico que tem piscina, área de lazer e academia enquanto na tua casa não tem nem o reboco da parede. Quando Frodo e o time chegam lá, tá rolando uma espécie de festa étnica. É anão, é elfo, humano, feiticeiro, hobbit, japonês e roda de samba com o grupo Art Popular + bebida liberada damas grátis até meia noite.

 

 A galera

 

Eles estão lá pra uma reuniãozinha sobre qual seria o melhor destino para o anel. A parada parece o Facebook e em questão de minutos vira uma zona. O humano quer ficar com o anel, não sei quem quer destruir, o elfo acha que o impeachment foi golpe…um barraco que só. No final das contas é decidido que o anel deve mesmo ser destruído. Só que ninguém quer ter trabalho né, aí os caras mandam os bóia-fria da Terra Média pra realizar a missão.

 

“deixa vomigo toca po pai”

 

Como ia ser insuportável ter 3 filmes só com Sam e Frodo, entra pra equipe o anão, o elfo e dois humanos. De quebra ainda vai junto outros 2 hobbits pentelhos que estão desde o início do filme enchendo o saco do pessoal. Está formado O BONDE DO ANEL.

 

 

Daí pra frente os caras só andam. É inacreditável como a galera se dispõe a andar tanto. Não é possível que eles sabiam dessa distância antes de aceitar. Eu não tenho disposição pra ir na padaria aqui na outra rua, sabe. Esse pessoal é doido. Mas ok, eles começam a subir uma montanha. Acontece que chegando lá no alto tem um monte de corvo fofoqueiro e pra eles é inviável continuar. Daí a solução é voltar e ir por outra montanha, só que cheia de neve. Imagina o tanto de ovo que esses filhos da puta iam chocar em Pokémon GO.

 

“10km pra nascer uma porra de um Zubat, puta que pariu, Boromir!”

 

Dá problema de novo (dessa vez uma bárbara avalanche causada pela magia do Saruman) e eles já não têm mais muita escolha. Segundo o anão, que se chama Gmail, a melhor opção pra eles era ir para o reino dos anões porque lá é o fervo e eles seriam muito bem recebidos pelo primo dele. Ok, né? O que é um peido pra quem tá cagado? Vamos todo mundo pra terra dos anões. Quando eles chegam, logo na portaria, os dois hobbitinho bagunceiro fazem alguma merda e despertam um polvo gigante que começa a tocar o terror. Sobrevivem.

 

Não tem UM coelho nesse filme, UM Golden Retriever. É só monstro querendo te matar.

 

Dentro da caverna dos anões eles descobrem um monte de esqueleto. Morreu todo mundo. Não sobrou nenhum. Mestre, Feliz, Zangado, Atchim, Soneca, Dunga e Dengoso TUDO CADÁVER. Fica aquele climão porque não rolou aquela recepção calorosa que havia sido prometida. O negócio tá estranho, com um silêncio macabro e aí os hobbitinhos imbecis fazem um barulhaço de novo. Pronto: despertam cerca de 30 milhões de Goblins. Goblin pra quem não sabe é o anão do mal que mata anão do bem.

 

“Olá boa tarde será que eu poderia te contar um pouco sobre as vantagens do marketing multinível?”

 

Amigos…foi aí que tudo descaralhou de vez. Nessa hora eu tinha morrido com certeza.

(Ok, pensando melhor eu provavelmente nem estaria nessa aventura porque já teria morrido de peste negra ou qualquer uma dessas doenças aí da Terra Média. Segue o baile…)

Foi aí que tudo descaralhou de vez. Era um GALERAÇO de goblins rodeando nossos herois. Não tinha mais o que fazer, era morte certa. Eis que do nada todos eles começam a fugir que nem barata quando acende a luz. A desgraça nunca vem sozinha e se a gente achava que 90 bilhões de goblins era um problema…bom, surge ninguém mais ninguém menos que LÚCIFER no recinto.

 

“cd da xuxa ao contráriooo”

 

Essa criatura chamada Balrog começa a perseguir a galera por todos os cômodos daquela pocilga e, em dado momento, o Gandalf quer dar uma de machão e fala a famosa frase do primeiro filme:

 

“SE A MADAME PENSA QUE VAI PASSAR AQUI VC TÁ MUITO ENGANADAAAAAAAA”

 

E depois disso já era o Gandalf. Virou cheeseburguer junto com o Balrog. Dava pra ter salvado o velho, só digo isso. Mas quem sou eu pra julgar? Má vontade é foda. Enquanto o Frodo faz o drama dele, todo mundo mete o pé dali pra ninguém levar a culpa.

 

“Pelo amor de deus galera é só alguém segurar minha mão aqui me ajuda pfvr”

 

Surpreendentemente o filme ainda não acabou. Sei que daí pra frente uns outros elfos encurralam os nossos meninos de ouro, tem uma parte lá com uma outra fadinha que acho caidaça, o Frodo ganha um barquinho e eles passam por aquelas estátuas gigantes. Passou dali é caminho sem volta irmão. Vou resumir porque já não aguento mais escrever: uma porrada de Orcs aparece e nesse combate morre o Boromir. O cara só tava arrumando problema por causa do anel e no final morreu. Bem feito. Está morta a guerreira Boromir.

 

 “Eu vou morrer em Game of Thrones também”

 

Além disso os Orcs sequestram os dois hobbitinhos, o Frodo decide que vai fugir sozinho, o Sam vai atrás dele e pronto. Tá separado o time. Legolas, Aragorn e Gmail entendem que os Sam e Frodo querem um pouco de privacidade e resolvem ir salvar os outros dois. Cada um pro seu lado e não lembro exatamente como termina mas é isso aí. SENHOR DOS ANÉIS.

Fim do primeiro filme.

 
PS.: o Blu-Ray bônus tem uma versão ESTENDIDA. Sai fora.

Resenha: A Culpa é das Estrelas

Texto originalmente publicado dia 1 de Julho de 2014
 

O grande problema de chegar para alguém e dizer que gostou de um filme baseado em um livro é que as chances dessa pessoa ser uma imbecil são altas. Como você reconhece isso com precisão? Basta falar que achou o filme bom e ela automaticamente vai responder “PODE ATÉ SER MAS O LIVRO É MELHOR, É MAIS COMPLETO NÉ HIHIHI EU ACHEI O LIVRO MAIS COMPLETO PORQUE EU LI O LIVRO”.

Sim, sua filha da puta. Já viu quantas palavras existem dentro daquelas páginas? É claro que aquilo vai ser mais completo que o filme. Pare de se orgulhar só por ter lido uma caralha de um livro. Todo mundo sabe que o filme não é como o livro.

 
1
 

Então, fui ver A Culpa é das Estrelas porque muita gente tem ido e também porque estou evitando esse negócio de ter personalidade própria. Acho que foi a primeira vez que fui ver um filme sem ter lido seu livro antes e o resultado foi gratificante: eu aproveitei completamente sem ficar preocupado com partes que faltavam. Mas qual é a desse filme, afinal?

 
Câncer.
 

O filme é cheio de câncer. Câncer pra caralho. Eu saí de lá e fui direto para uma ressonância magnética só por precaução. A porra do filme tinha que se chamar A Culpa é do Tumor porque seria mais sincero. E se você acha pouco, segura aí: tem câncer infantil, pra quem curte um filme com a garotada. Fico pensando em como funciona a cabeça de um autor que escreve uma obra assim, daí fui procurar quem era John Green no Google e essa foi a imagem encontrada.

 
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“O próximo é sobre AIDS hein”

 

Logo no começo do filme somos apresentados à Hazel Grace, a protagonista. A mina já aparece com uns tubinhos no nariz, mostrando que as coisas não estão boas pra ela e que em alguma hora vai dar merda. Ela, aos 13 anos, foi diagnosticada com um estágio avançado de câncer na Tireóide. E é assim que começa o filme: você engolindo em seco a ideia de uma criancinha linda com câncer até o talo.

A menina, depois de grande, fica numa bad vibe forte (é o mínimo quando você está morrendo) e os pais dela resolvem que ela precisa frequentar um grupo cristão de apoio a pessoas com a mesma condição que ela. Em resumo, é um muquifo no porão da igreja cheio de jovens com algum defeito de fabricação. Se entra o professor Xavier naquele recinto começa um filme do X-Men.

 
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“DIVIRTA-SE COM SEUS AMIGO DOENTE, FILHA”

 

Obviamente, ela acha o grupo de apoio uma merda e faz a rebelde, diz que não vai mais. Infelizmente não dá em nada, ela é obrigada a continuar por ordem dos pais, dos médicos e possivelmente das estrelas. Mas vejam só vocês, nesse mesmo point da derrota, ela acaba esbarrando com um menino chamado Augustus Waters e fica toda ouriçada.

Augustus, como vocês devem imaginar, é o príncipe Disney da história. Ele tem toda aquela pose de galã em um primeiro momento. Depois você começa a perceber que ele fica insistentemente olhando para a Hazel, muito seguro de si pra quem está num lugar daqueles. O ar de galã passa a ser o de um possível estuprador de meninas terminais de tanto que ele fica olhando pra ela. É meio apavorante. Mas não para Hazel, que já estava com a calcinha molhada há alguns minutos

 
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“Te devoro todo, moleque dengoso”

 

Durante a reunião do grupo, ele e o amigo se apresentam a todos. O amigo, cujo nome eu realmente não lembro, diz que está lá por uma complicação que o deixará cego em pouco tempo. Vamos chamá-lo de Cegueta. Assim que Cegueta acaba, Augustus começa a falar de si mesmo. Velho, que saco. Ele começa dizendo que deu um merdelhê lá com ele que resultou na perda de sua perna direita, daí ele vai e mostra a perna mecânica pra todo mundo, se achando o Mega Man. O discurso do menino ciborgue termina com ele dizendo que seu maior medo é não ser lembrado para sempre. Hazel, querendo chamar atenção, aplica a famosa SURRA DE ESCULACHO nessa visão de vida dele e fica aquele climão no ar.

 
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“E esse é o nosso amigo Agustus que acha que é o fodão de jaqueta, senhores…”

 

Na saída, enquanto Hazel espera sua mãe, vem ele todo galã de novo puxar assunto. O cara mete uns papos chatos pra caralho, tipo o Cazuza no filme dele, que ninguém entende porra nenhuma mas é tudo frase avulsa de fotolog e flogão. Ela sente o calor da paixão, ele a convida pra sair, eles saem juntos e daí pra frente você já sabe né.

 
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“Sua piscina estará cheia de ratos. Mentiras sinceras me interessam, vida louca vida breve.”

 

Ok, se você não sabe, é o seguinte: estamos falando de um filme cujo público consumidor é basicamente composto por meninas de 14 anos. Se o filme tem 2h de duração, pelo menos uma hora e meia aí é de ceninha mela-calcinha pra você se comover mais com o desfecho. Eles trocam livros, histórias e emoções. Ela diz quem é o autor favorito dela, ele entra em contato com o cara, tudo acontece de forma linda e você fica com cara de bunda na sala de cinema por nunca ter tido uma história de amor assim.

 
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Ela lendo o livro fofo dele

 

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Ela recebendo SMS fofo dele

 

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Ela vendo filme fofo com ele

 

Depois de 7059 cenas ~fofas~, chega um momento em que o escritor que ela mais admira os convida para um encontro em sua casa, em Amsterdã. Hazel fica LOUCAÇA de alegria e conta pra mãe. A mãe fica LOUCAÇA de alegria também mas diz que está sem dinheiro e Hazel se fode. Augustus sugere que ela gaste o desejo dela da Genie Foundation para poder viajar, entretanto, ela já havia gasto com uma viagem pra Disney (o que acho sempre um bom investimento). Augustus, novamente com aquele jeito de namorado que você nunca vai ter na vida porque é feia, age como um príncipe e usa o desejo dele para ir com ela.

Meu deus, que alegria. Tava tudo certo e os pais dela vão ao hospital para ver as condições e riscos de viagem. Os médicos ficam comovidos com toda a história e dizem “TÁ MALUCA VIAJAR PRA EUROPA Ô SUA PUTA? TÁ CHEIA DE CÂNCER NAS IDEIA E QUER VOAR DE AVIÃO PORRA? O CARALHO. VAI VIAJAR NÃO” de um jeito mais delicado.

Depois de um tempo, se tocaram de que Hazel vai morrer de qualquer jeito. Então os pais dela, Augustus e os médicos organizam tudo secretamente para que ela possa ir. “Surpresa Hazel! Você vai!”.

Quase chorei nessa hora. Foda-se, eu tava comovido. Bicha é o seu pai.
 

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Eu tava mais ou menos assim vendo o filme

 

Augustus faz de tudo para a viagem ser incrível. Aluga limousine, vai para hotel maneiro, leva para jantar em restaurante chique, bebem do melhor champagne e jantam a especialidade do chef. Tudo perfeito demais. Hazel estava apaixonada e também ansiosa pelo grande encontro no dia seguinte.
 

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“Vai rolar uma recompensinha depois, né princesa?”

 

No dia em que eles vão conhecer o escritor, a primeira decepção. O cara é um alcoólatra sem modos e trata os dois pior do que se trata um boi. Toda aquela cortesia aparente até o momento, era na verdade de sua assistente, que é uma delícia. O cara perde a linha: fala que não tá nem aí pra doença deles, que eles sobrevivem à base de pena e que tem mais é que ficar carequinha mesmo. A raiva sobe, Hazel grita com ele, Augustus levanta, a assistente delícia fica tensa, quase rola porrada. Seria um Casos de Família europeu, mas ambos decidem ir embora da casa desolados.

A assistente decide que eles não merecem aquilo e vai por conta própria levá-los para um passeio na cidade, sem o velho ignorante. Eles aceitam (porque, como dito anteriormente, ela é uma delícia) e vão para a casa onde morou Anne Frank (se você não conhece, vai dar uma lida no Google porque não sou professor de ninguém) e Hazel passa um perrengue subindo aquelas escadas e ficando sem ar. Você acha que ela vai morrer ali pois o filme basicamente é isso, mas ela chega até o final e conhece o quarto onde Anne ficou escondida.

Augustus e ela se entreolham. Acontece o primeiro beijo do filme. Um beijo sensacional, apaixonante, envolvente e extremamente romântico…NO QUARTO EM QUE UMA MENININHA JUDIA SE ESCONDEU POR ANOS PARA NÃO MORRER EM UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO. Eta porra de romantismo hein, Augustus? Ah, sim. Haviam várias pessoas em volta. Assim que acaba o beijo, todas elas aplaudem DENTRO DO QUARTO EM QUE UMA MENININHA JUDIA SE ESCONDEU POR ANOS PARA NÃO MORRER EM UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO. É a cena mais “que porra é essa, gente” do filme.

 
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“Me dê uns cato aqui onde os nazistas fizeram a limpa, Augustus meu amor”

 

Augustus, depois do passeio, manda a real. Ele diz que a situação dele é pior do que parecia, bem pior, e que ele vai morrer mesmo. O tempo dele já não era muito longo. Ah, sim, por outro lado, no final da noite eles fazem aquilo que as meninas pueris e delicadas entendem por “a primeira vez”. Vou aproveitar esse spoiler aqui e dar um spoiler sobre a vida também: não vai ser assim. Vai ter muita dor, sangue, sofrimento e no dia seguinte você vai achar que está grávida.

Daí pra frente, o filme é uma roleta-russa. Você sabe que tá prestes a rolar uma morte, mas não sabe quando, então é aquilo: ele vai parar no hospital e você “É AGORA MEU PAI” e nada. Ele volta vivão. No meio de uma madrugada o celular de Hazel toca e você “PUTZ AGORA VAI HEIN” e nada. Dentro do seu coração uma voz vai dizer “MORRE LOGO CARALHO EU TO AFLITO AQUI JÁ” e, quando você menos espera, ele morre.
 

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“Ô filha, calma. Logo logo você vai estar com ele lá no céu…”

 

É aquela tristeza foda, né. Eu tava boladaço já, imagina a Hazel. No velório, quem aparece é o escritor ignorante. Hazel e Cegueta fazem o discurso final que Augustus queria que eles fizessem e mano, é lindo. Hazel vai para o carro e o escritor meio que tenta se redimir com ela, porque na verdade, a menina com câncer de seu livro era sua própria filha e ele era amargurado por ter que conviver com isso. Hazel que é a ignorante dessa vez e enxota o velho pra fora do carro. A última coisa que ele faz é entregar uma carta para ela.

Em casa, Hazel e Cegueta estão conversando. Cegueta diz que a carta que o escritor quis dar a ela era o depoimento final de Augustus, que nesse momento do filme permanecia morto. A última cena do filme é a Hazel lendo a carta com as belas palavras dele sobre aquilo que eles viveram em tão pouco tempo.

 

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“Po Hazel eu até leria pra tu mas não tá dando mais não kkkkkk flw”

 

No fim do filme, ao acender das luzes, você precisa obrigatoriamente olhar para todas as pessoas do cinema. É um mar de derrota. Mulher com lencinho, menina com olho todo vermelho, uns caras meio abatidos e um puta climão de enterro. Não vejo tanta tristeza assim desde Marley & Eu.

NOTA: 8,5

Porque a história é bem legal e cumpre bem sua função que é te deixar triste pra caralho. Você se envolve bem com o filme. Mas a porra da galera aplaudindo o beijo foi imbecil demais. Ninguém fica aplaudindo beijo dos outros na rua, sério.