O dia em que me depilei

Texto originalmente publicado no dia 09 de junho de 2014

A vida é uma jornada cruel. Antes de nascermos alguém deveria chegar e avisar “ow, depois que você sair dessa barriga, meu amigo, o caminho é só ladeira abaixo”. Explico: quando você é um bebê, a vida é uma delícia. Você só precisa dormir, comer, chorar e fazer uns barulhos engraçados. Quando você é uma criança, a vida continua uma delícia. Você só precisa se divertir, ver desenho, ralar o joelho e fazer dever de casa…

…mas quando chega a adolescência, ahhhh meu bon vivant, é aí que a coisa fica mais feia que briga de foice. Comigo, claro, não foi diferente.

Aos meus 14 anos, a puberdade estava batendo na porta, os hormônios estavam à flor da pele. Eu, vítima de um longo processo evolutivo da raça humana, percebi que era hora de mostrar meu valor. É o que renomados cientistas de Oxford chamam de “catar as mulherzinha tudo”. E para catar as mulherzinha tudo, eu precisava ser, no mínimo, um pouco visualmente atraente. Ninguém iria gostar de mim por eu jogar Yu-Gi-Oh, por exemplo.

 

Eu

 

E atraente é uma coisa que eu DEFINITIVAMENTE não era. Sabe, no começo eu fui uma criança fofa e todo mundo me achava lindo. Não sei o que aconteceu no meio do caminho que descaralhou tudo. Do nada eu era um daqueles adolescentes esquisitos, com aparelho, espinhas, magrelo e com a cara tão oleosa que você escorregava só de olhar.

 

oi vamos bjar de lingua q tal

 

Até então tudo bem, coisas da vida. Mas um dia o meu corpo resolveu me pregar uma peça. Tal qual um milagre de Natal, DO NADA eu tinha uma pequena penugem sob o meu nariz que não chegava a ser um bigode, mas também não era algo que passava despercebido. Era um meio-termo perturbador chamado “Bigode Ralinho”. Aquilo era humilhante demais. É como se o meu corpo pensasse “porra, acho que não tá esculachado o suficiente. Como será que eu posso foder de vez agora?

“Ahhhh Ygor! Que bobeira, era só raspar!”

Aí que tá. Eu tinha um medo descomunal disso porque certa vez resolvi dar uma olhada em um fórum do Orkut sobre barbas. Lá tinha um cara contando uma experiência em que ele sem querer cortou a jugular. Aí não tinha como, né. Como que eu ia fazer aquele bigode com a cabeça tranquila sabendo que em qualquer deslize eu poderia sair dali degolado?

 

Eu me barbeando seria um pouco pior que isso aí

 

Além disso, me contavam que ao raspar com lâmina, ele nasceria mais grosso. E tudo o que eu menos queria era ter um bigode. Daí eu ficava nessa sinuca de bico e não encontrava uma solução. Me restava aquele aspecto sujo de quem trabalhou duro em uma carvoaria por 3 dias sem parar. Era ridículo. Eu tava realmente perdido.

Foram meses e meses só com esse cocozinho acima dos lábios e mais nada. Nem pra me nascer uma porra de barba pra amenizar. As coisas não fluíam. Era SÓ o bigode. Bigode ralo é foda, cara. Bigode ralo é um negócio traiçoeiro. A não ser que você tenha um grupo de pagode com um nome tipo “Chocolate Sensual” ou “Sedussamba”, bigode ralinho não é algo que funciona na sociedade.

Então eu decidi que era hora de colocar um fim naquilo. Era hora de medidas drásticas.

 

 

Eu ainda não tinha a coragem de comprar uma Gillette e arriscar guilhotinar minha cabeça na pia do banheiro, então tive a brilhante ideia: “PO! UM MONTE DE GENTE SE DEPILA! VOU FAZER ISSO TAMBÉM! CACETADA COMO EU NUNCA PENSEI NISSO ANTES?”

 

“EU SOU UM GÊNIO!”

 

Eu tinha aquela panelinha de cera quente em casa? Não tinha. Eu tinha algum conhecimento no assunto para realizar a tarefa por conta própria? Não tinha. A única coisa que eu tinha ali era a motivação. Na minha cabeça o briefing era simples: você cola algo nos pelinhos e depois puxa.

Porra, não tinha mistério.

No meio da madrugada (não queria que meus pais descobrissem) concluí que era hora de agir. Abri meu estojo do NO STRESS -que, diga-se de passagem, era um belo estojo- e peguei um Durex. Isso mesmo, um Durex. Essa seria a ferramenta usada para a extinção do meu bigode.

 

Po que saudade desse tigrão

 

Como vocês devem bem imaginar, se Durex resolvesse as coisas não existiriam centros de depilação por aí. Aquela merda não resolvia nada. Eu puxava e saíam uns 7 pelinhos. Fui refazendo o processo por duas longas horas até não aguentar mais a dor e ardência da minha juvenil boquinha. Ah, sim. Eu fiz no quarto, sem espelho. Pra não correr o risco de ser pego no flagra no banheiro.

Fui dormir porque doía demais. Pelo lado bom, eu gastei um rolo inteiro de Durex pra acabar com aquele pesadelo na minha vida.

 

 

Acordei no dia seguinte, fui à cozinha tomar meu café e lá estavam meus pais. O diálogo matinal foi um pouco diferente do convencional.

 
– Bom dia
– Bom diMAS O QUE É ISSO NA SUA CARA?
– Hã?
– O QUE ACONTECEU COM VOCÊ?

 

Demorei alguns segundos até lembrar o que eu tinha feito

Quando fui no espelho, vi a catástrofe. Eu parecia um morador de Chernobil que decidiu não ir embora depois do acidente nuclear. Tipo, deu TUDO errado: a minha boca estava inchada, toda vermelha porque ficar puxando durex queimou a pele e A CARALHA DO BIGODE NÃO TINHA IDO EMBORA. Pior que isso, ele ficou lá parcialmente, todo falhado. Que inferno.

 

 

Como foi numa sexta-feira, fiquei o fim de semana inteiro naquele estado até poder ir num centro de depilação com a minha mãe. Foi humilhante. As pessoas me olhando na rua, as atendentes do local com aquele sorrisinho sacana e a depiladora perguntando o que tinha acontecido ali.

 
– Eu…eu fui me depilar com durex moça 🙁
– Mas durex não depila
– …você tá me destruindo por dentro, moça 🙁
– kkkkkk
– 🙁
 

No final deu tudo certo. Eu estava com a região do bigode limpinha. Sei que fui lá mais umas 3 vezes depilar até perceber que talvez ser degolado por uma Gillette doesse menos que aquela porra de cera. Daí pra frente virei homenzinho e comecei a me barbear como tal.

 
E evito chegar perto de qualquer fita adesiva sempre que possível. Não lido muito bem com traumas.

Avamys

Eu nasci com uma série de defeitos de fabricação. Sou meio perturbado da cabeça, daltônico, nunca terminei os filmes do Harry Potter e já fui num show do Jota Quest. De todas essas falhas, tem uma que sempre -SEMPRE- me deixou inconformado com a minha existência: a rinite alérgica.

Explicando da maneira mais científica, rinite alérgica é quando o seu corpo simplesmente desiste de você e passa a ter como objetivo destruir o seu dia. É um pesadelo. Em menos de 10 minutos você deixa de ser um jovem cheio de saúde e vigor pra cair de cabeça no fundo do poço. A pessoa fica com o rosto coçando, nariz escorrendo, espirra a cada 30 segundos e passa a ter um olhar vazio. Parece que tá o corpo ali mas a alma já foi embora há muito tempo.

 

“OW MEU CHAPA, TEM UM ANTIALÉRGICO AÍ?”

 

Existem casos de gente que tem alergia a picada de abelha. Honestamente acho isso ótimo porque as chances de isso te afetar um dia são mínimas. Acho que nem tem mais abelha. To meio por fora do mundo animal. Deve ter abelha sim. Tem algum lance aí de que se acabarem as abelhas o mundo acaba também. O que seria um alívio para as pessoas com alergia a picadas, mas por outro lado teria a parte chata de não existir mais humanidade.

Enfim, não tive o luxo de ter essas alergias boas. Eu começo a ter crise alérgica com poeira.

Poeira.

Veja bem, meus ancestrais viviam nas cavernas, tinham que matar outros mamíferos no dente, sobreviviam na selva sem uma porra de uma roupa e eu, milhares e milhares de anos depois…tenho alergia a poeira. Se Charles Darwin voltasse à vida e olhasse pra mim, com certeza teria uma notinha adicional no final do seu livro.

 

“Olha, essa porra de evolução aí…eu não boto mais a minha mão no fogo não. Vagabundo aí em 2017 vivo mas não pode tomar um banho quente e pisar no chão gelado depois. Tá meio bagunçado o negócio” – DARWIN, Charles

 

É humilhante ver que a maior fraqueza dos meus amigos geralmente é algo marcante como, sei lá, perder a família. Enquanto a minha fraqueza é um edredom de lã ou um travesseiro sem fronha especial. Eu sou patético.

 

 

Minha vida por muito tempo se resumia a acordar, acreditar que tudo daria certo, começar a espirrar, tomar anti-histamínico, morrer de sono e dormir.

Se por um lado eu basicamente vivia esse ciclo sem fim TODO SANTO DIA, por outro, fui um grande degustador de comprimidos. Não tenho conhecimento pra falar de política, mas vem falar sobre antialérgico que te trago até umas planilhas e apresentações no Powerpoint. Era Polaramine, Histamin, Hixizine (esse me derrubava tal qual fazem na África com rinocerontes), Claritin (esse nunca serviu pra nada) e o Allegra, que sempre foi o melhor de todos porém o mais caro. Allegra é como se fosse a Prada dos alérgicos, coisa chique, coisa boa. Olha essa maravilha:

As pessoas mais próximas de mim vinham com aquele papo de que existia um tratamento, mas que eu tinha que ficar, sei lá, uns 17 anos tomando uma injeção que PODERIA, dependendo da minha sorte, não funcionar. Nunca fiz porque não sou boneco de vodu pra ficarem me espetando. Eis que um amigo meu, o Junior, médico e alérgico, me falou da existência de um elixir dos deuses chamado Avamys. E foi aí que a CIÊNCIA decidiu sorrir pra mim.

 

“Opa, o Ygor vai gostar disso aqui com certeza ou o meu nome não é CIENTISTA”

 

Avamys, em resumo, é a Pedra Filosofal de quem sofre de rinite. Funciona assim: você todo dia de manhã dá duas borrifadinhas em cada narina, deixa um tempo e lança um fungão. Pronto. Em uma semana tu já não sabe mais o que é ter crises alérgicas. É um milagre, é deus em forma de medicamento.

 

Amém

 

Eu comecei a usar e nunca mais espirrei. Eu tava vivendo o sonho. Eu não queria nem saber se isso dava câncer. Que se foda o câncer, eu tinha parado de espirrar. Eu era imortal.

Mas nada nessa vida é bom demais.

Umas semanas depois, viajei pra Orlando e não vi que meu Avaminho estava no fim. Cheguei lá, fui dar aquela borrifada e fuén. Nada. Fiquei tranquilo porque eu conseguiria ter essa IMUNIDADE durante todos os dias da viagem. Pelo que entendi, a imunidade continua em você por um tempo mesmo que você pare. Mas posso estar inventando isso também. Sei lá, não sou médico. Me deixa em paz.

Tudo ia bem até o dia em que fui num famigerado OUTLET comprar roupitchas (como todo bom brasileiro faz em Orlando). Era uma noite de clima ameno. Mariana, a minha cobiçada, estava comprando coisas de menina da Victoria’s Secret e eu fui dar aquele pulo na Armani.

(Um pequeno comentário aqui. Qual é a desse pessoal que compra umas camisetas da armani que o AX é maior que A PESSOA EM SI? Eu to mandando agora um email pro Michel Temer propondo que o país proíba usar essas atrocidades)

Enfim, entrei na loja e achei uma camisa de botão linda (sem um AX do tamanho do universo). Fui ao vestiário e pus aquela bela peça branca como uma nuvem. Enquanto me olhava no espelho, bateu uma vontade de espirrar. Tudo bem, eu não fazia aquilo há meses. Vamos espirrar. Atchim.

Mermão.

MERMÃO.

Quando eu abri os olhos, sem sacanagem, se estivesse em câmera lenta virava um filme do Tarantino. Era sangue PRA TUDO QUANTO ERA LADO. Eu acho que nem um assassinato com serra elétrica faz um estrago tão grande quanto o que eu fiz naquele vestiário. Era sangue no espelho, sangue na parede, sangue na minha cara e sangue numa camisa de 60 dólares que, segundos antes, era branca e agora parecia um avental de açougueiro.

 

A situação era basicamente essa…

 

Eu fiquei desesperado 1) porque achei que tava morrendo 2) porque eu tornei aquele vestiário o cenário de um massacre 3) eu ia ser deportado com certeza. Cabô Mickey, cabô foto com o Pato Donald cabô fogos com música de Frozen.

Eu precisava pensar rápido porque já tenho essa cara de quem veio de algum lugar cheio de areia, no meio do cu do Oriente Médio. Ficar mais de 10 minutos sozinho num cubículo era, no mínimo, caso de suspeita para o FBI. Me troquei, fiquei ouvindo a movimentação e quando percebi que não tinha nenhuma vendedora por perto, fui correndo deixar a camisa vermelha-espirro junto com as outras, peguei uma nova e fui correndo no caixa. A moça ficou olhando pra minha cara (toda cagada de sangue seco) e eu com aquele sorrisão aflito do Dedé que vocês já conhecem bem.

 

“Nice weather, ein minha senhora?”

 

Paguei, fui embora e nunca mais voltei naquela loja. Nunca mais.

 

 

Nos dias seguintes, durante metade da viagem, quando eu acordava o meu nariz estava sangrando. Eu realmente não sabia o que fazer e na minha cabeça, se continuasse por mais 3 dias naquele ritmo, não ia sobrar nenhuma gota dentro de mim. Até que do nada parou e no final ficou tudo bem.

Conversei com o médico e ele disse que às vezes isso pode acontecer, que é normal. Até hoje eu uso e sou muito feliz de poder sair do banho quente, andar no gelado até um sótão cheio de poeira e ficar rolando lá dentro com a certeza de que estou imune. O final foi feliz.

Menos pra moça da Armani, que deve estar até hoje sem entender o que aconteceu dentro daquele vestiário. Espero que essa mulher possa encontrar sua paz um dia.

Autoescola

Texto originalmente publicado no dia 08 de julho de 2014

 
Existem algumas convenções sociais que me deixam chateado com a humanidade como um todo. Uma delas é o fato de que no Brasil, com 18 anos, você já tem que estar dirigindo por aí. Eu não gosto de dirigir, então pense na minha situação ao perceber que a merda da maioridade tinha chegado e, a menos que eu fosse um motorista habilitado, eu não teria um carro para 1) me locomover com facilidade entre grandes distâncias 2) ~pegar mulherzinha na baladinha monstra de leveee rs~ 3) tunar.

 

Eu não poderia ser esse cara

 

Como eu não queria ser um perdedor, procurei o melhor curso de habilitação da minha cidade para me matricular. Não sei o que se passava naquele lugar, mas aquela era uma autoescola EXTREMAMENTE FELIZ. E não de uma maneira bacana, tipo a vida dos Ursinhos Carinhosos. Era um feliz meio incômodo, tinha aquela pitada de psicopatia naqueles funcionários.

 

 VRUM VRUM VRUM NOSSO CURSO NÃO É QUALQUER UM

 

No ato da matrícula foi aquele mar de novidades. Ganhei caneta, caderninho, apostila para aulas teóricas, chaveiro e camiseta. Se eu recebesse um beijo na boca ali mesmo, não ficaria surpreso. A primeira coisa que me informaram é que, por conta da procura, eles tinham um número muito alto de alunos e que era pra eu decidir meu turno de aulas antecipadamente. Escolhi manhã e tarde para acabar com tudo aquilo o quanto antes. Eu estava matriculado.

 

 BI BI FOM FOM VOCÊ SERÁ UM CONDUTOR BOM

 

Meu primeiro erro foi esse: ter escolhido a porra do turno da manhã. Nessa época eu ainda estava em um quadro pesado de depressão e, cá entre nós, vou lhes dar um conselho: se você está com ódio do mundo, não invente de acordar cedo. Acordar cedo só vai te fazer virar um potencial monstro. Sabe quem acordava cedo? Isso mesmo. O assassino de John Lennon, Hitler e Scar, o tio de Simba.

 

 É isso o que acontece quando você acorda cedo

 

Vou pular aqui toda a parte dos exames médicos por dois motivos: primeiro porque aquele teste psicotécnico imbecil só vai te reprovar se você for, sei lá, uma cenoura. E segundo porque eu só passei no teste de daltonismo chutando as respostas. Não quero falar sobre isso para evitar problemas com os tiras. Vamos direto para as aulas teóricas, ok?

No meu primeiro dia, às 8 da manhã (ô caralha de horário infeliz) eu estava lá e conheceria os meus colegas de classe. Percebi que aquilo não era um pré-vestibular e eles não eram exatamente todos jovens e elegantes. Na verdade isso era o que menos tinha. A maioria lá tinha pelo menos uns 30, 40 anos. E, como toda pessoa de meia-idade começando algo novo, eles estavam quase tendo um derrame de tanta ansiedade.

 
E eu putaço pois queria estar dormindo.
 

O bom de estar em uma turma em que pessoas da minha idade são raras, é que eu, desde o primeiro dia de aula, não precisei abrir a boca uma vez sequer. Velho gosta de prosa, gosta de falar dos vizinhos que já bateram o carro e desde então nunca deixaram de usar cinto de segurança. Velho gosta dessas coisas. Aquela classe era um mar de sabedoria popular. Tinha um senhor de uns 52 anos de idade, pele queimada de sol, bigode e aquela camisa regata toda feita de furinhos, ele sempre tinha uma história pra contar, um causo da vizinhança, um causo da vida. Seu nome era Jair. Conhecido pela turma como SEU JAIR.

Foram 45 horas de aulas teóricas. 45 histórias do Seu Jair. Chegou num ponto em que os professores já paravam a aula e falavam “lá veeem história do Seu Jair! :D” junto com os alunos, igual a uma porra de esquete do Zorra Total. Aquilo era um pesadelo e minha única alternativa era esperar o tempo passar. Nunca dormi em sala pois achava desrespeitoso. Por outro lado, essas aulas serviram para eu chegar ao final de Cut The Rope no iPod com todas as estrelinhas. 45h passadas e algumas semanas depois eu estava livre. Acabara a teoria (segura aí esse pretérito mais-que-perfeito). ERA HORA DE DIRIGIR.

 

 ebaaaaa

 

Mas peraí, vamos devagar.

Imagine a seguinte situação: sua alma está definhando nas profundezas do inferno por séculos e você finalmente acha que alcançou uma maneira de sair dali. Quando você está no grande portão do Inferno, praticamente se despedindo, Lúcifer te dá um tapinha no ombro e diz “vai pra onde meu nêgo fera? Estamos só começando”. Foi o que aconteceu comigo. Se eu achava que as aulas teóricas davam dor de cabeça, as aulas práticas eram um aneurisma.

Como a “procura era muito grande e tinham muitos alunos”, você tinha que marcar para ter as aulas práticas no máximo uma vez por semana porque a autoescola só tinha uns 4 carros. Vou repetir: QUATRO CARROS. Uma autoescola. Uma escola de autos. Com apenas quatro automóveis. Fico me perguntando como foi a reunião de planejamento dos imbecis responsáveis por isso.

 
– Ow, to pensando em abrir uma autoescola.
– Olha aí, interessante. O que falta?
– Os carros.
– Ah, é o de menos. Vai ter bebedouro?
– Vai, três.
– Alá, porra. Tá pronta já. Que mané carro o quê…
– Mas…
– Esquece carro, rapaz. Tudo pra você é carro eu hein…
 

Era chato e dificultava o aprendizado? Sim. Me deixou menos empolgado no primeiro dia? Não. Cheguei que nem criança em festa de aniversário, alucinadaça. Eu queria era pegar no volante, mandar uns drifts e ser aplaudido pelas ruas da cidade. Fui até com uma jaqueta maneira pra me sentir em Velozes e Furiosos. Ninguém me segurava.

 

 Eu antes de começar a aula

 

A realidade foi outra. Eu deixei o carro morrer umas 67 vezes sem nem ter saído do lugar. Soltar a embreagem devagar pra mim era um sonho inalcançável. Não tinha delicadeza. Ou eu tinha o sangue de um condutor de máquinas agrícolas correndo em minhas veias ou eu era um retardado mental. Após uma breve pensada comigo mesmo, concluí que ninguém na minha família havia manejado uma máquina agrícola na vida. Eu era só um retardado mental. Todo o meu espírito Need For Speed tinha ido embora com a minha dignidade logo no primeiro dia.

 

Eu antes de terminar a aula

 

Foram meses de aula prática até o ponto em que dirigia como um habilidoso piloto e manobrava como um experiente valet. Minhas balizas? Meu amigo, se o Seu Jair estivesse comigo naquelas aulas ele diria que jamais tinha visto balizas tão belas em sua vida. Mas é importante dar créditos ao meu professor.

O método de ensino dele não era o convencional: ele me colocava em aventuras. Eu tinha que dirigir pelos cantos mais barra-pesada da cidade. Tudo isso ao som dos batidões de funk do celular sem fone dele e ouvindo os assuntos que ele puxava sobre quantas alunas tinha comido naquele carro. Foi a primeira, inclusive, vez que ouvi o termo “MARCHETA”, que consiste no ato da aluna dirigir com uma mão no volante e outra na marcha (sendo “marcha” o nome que ele dava pro próprio pênis).

Uma coisa é bem verdade: você não vira professor de autoescola porque gosta. Você vira professor de autoescola pra comer alunas. Ele me disse aquilo uma vez e nunca mais saiu da minha cabeça o que diabos rolava naquele banco de trás. Teve uma vez em que ele falou “vamos dirigir pro outro lado da cidade, quero conhecer uma menininha que falou comigo no Facebook”. Sério. Eu tinha virado motorista particular daquele porra. O levei até a casa da garota com ele falando “deixa o motor ligado porque não sei se ela tem marido, se der qualquer merda tu arranca”.

 

 Essa cara foi a minha única reação

 

Uma coisa é certa: ele me ensinou da melhor maneira a lidar com a vida real no trânsito e pelo menos eu não estava inseguro para o grande dia da prova prática. Resolveu alguma coisa? Resolveu foi porra nenhuma. Se nas ruas eu era um Tom Cruise em Top Gun, no dia da prova eu só colocava a chave no carro e o resultado era esse:

 

 

Eu reprovei DUAS VEZES nesta bosta e não vou mentir, na primeira eu mereci. Pra minha baliza ficar pior só faltou eu ter atropelado uma velha cadeirante que estivesse passando por ali. Saí do carro com cara de “ok eu fiz merda, volto na próxima”.

Na segunda vez, o fiscal arrombado já começou respondendo o meu bom dia com um “hoje eu não to bem não”. Fiz a prova inteira com vontade de fazer cocô de tanto nervoso. Fiz o percurso de maneira impecável e na reta final ele me mandou parar. Perguntei o motivo.

 
– Tu não deu seta.
– Era uma reta. Não é preciso dar seta nessa reta. (Não era preciso)
– Eu que digo se é ou não.
– Tá, mas uma seta não me reprova. Só errei isso.
– Vai discutir comigo? Errou baliza então.
 

Ele marcou SEM PUDOR NENHUM um ponto que não existia ali na hora para mostrar que estava certo. Eu realmente não tinha o que fazer, tendo em vista que assassinatos não são bem vistos na sociedade atual. Ele trocou de lugar comigo, eu fui pro carona e ele ligou o carro. Na hora de dar partida ELE DEIXOU O CARRO MORRER. Fiquei olhando pra ele com cara de “E AGORA HEIN, Ô SAFADÃO DO TEXAS?” e ele fingiu que não aconteceu nada. Ele estava em um dia ruim e me fodi por causa disso.

Vale lembrar que entre uma prova e outra rolava um gap de um mês e pouco. O resultado disso foi: eu ficava cada vez mais inseguro por causa do espaço de tempo e cada vez mais nervoso, tendo em vista que todo esse tempo de aulas durou quase um ano (que é o prazo que você tem para conseguir sua habilitação). Se eu não passasse nessa, eu teria que começar TUDO DE NOVO.

Havia chegado o grande dia. Estava vazio. Eu aprendi com a vida que fiscais de mau humor tendem a te prejudicar. Chamaram meu nome. Puta merda, era agora. Conheci meu fiscal e ele era um senhor muito bem humorado. Ele estava conversando com um amigo enquanto seguíamos em direção ao carro:

 
– Rapaz, esse horário que o DETRAN inventou é bem ingrato né
– Nem me fala. Sem contar com esse Sol quente.
– Antes a gente fazia 10 alunos e ponto final. Agora não.
– É, quem me dera poder resolver isso.
 

NA HORA meu instinto falou mais alto e entrei na conversa com um deles.

 
– Isso aí é condição indevida de trabalho, dá processo. – Eu disse
– Sério isso? Aí, Hamilton. O cara é advogado. Fala mais.
 

Eu não era advogado, mas pelo visto eu sabia tanto de leis quanto eles, então resolvi que era hora de fingir. Não só pela minha habilitação mas pelo olhar esperançoso de Hamilton, o fiscal. Durante todo o percurso fui conversando com eles sobre como eles deveriam recorrer à justiça, inventei códigos penais, termos e instruções. Eu ajudando eles, eles me ajudando na prova com uns “opa, liga a setinha”.

Cheguei ao final sem perder nenhum ponto e eles chegaram ao final com uma motivação trabalhista nova em suas vidas. Todos nós ganhamos e hoje sou habilitado. Ainda sinto uma emoção no peito quando lembro de nos despedirmos ali e Hamilton falar “vai com Deus, doutor!”. Pobre Hamilton.

 
 
Ah, sim. Até hoje eu detesto dirigir.

13 parentes e um carnaval

Texto originalmente publicado no dia 08 de fevereiro de 2010

 
O Carnaval tá aí. Galera já se preparando para viajar e cair na perdição por uma semana. É um fenômeno incrível porque nas estradas, quando você olha pros carros ao seu redor, quase todos estão sem o tampo do porta-malas, de forma que você pode ver pelo vidro traseiro a mala socada de edredons, ventilador, colchonete e tudo aquilo que faz parecer que a pessoa tá fugindo de um apocalipse zumbi.

Eu, como todo bom carnavalesco, vou para Cabo Frio. Não gosto de zona, não gosto de calor e não gosto de praia. Pra minha sorte, em Cabo Frio tem tudo isso multiplicado por 7. Caso você não seja do Rio de Janeiro, eu te explico: Cabo Frio é uma cidade litorânea da Região dos Lagos com praias de água cristalina, areia branquinha e todos os moradores de Minas Gerais juntos.

Sério. Em época de feriado tem mais mineiro em Cabo Frio do que em Minas.

 

Olha que bonito

 

A minha família vai para lá TODO. SANTO. ANO. Carnaval em qualquer outro lugar passou a ser lenda urbana. O bacana é que eles não alugam um apartamento pra uns três, quatro pessoas. É papo de 13 cabeças num apartamento só. Sem sacanagem, parece uma porra de uma favela indiana. A parentada se diverte mesmo assim. “Só vamos usar pra dormir mesmo”, dizem. Nessa hora eles esquecem que cagam, que tomam banho e que precisam descansar.

Meu amigo, 13 pessoas pra dois banheiros está abaixo do nível de dignidade humana. Experiência própria. Lembra da abertura de O Rei do Gado? Aquele monte de bovino espremido andando na mesma direção? Era a gente voltando da praia pra tomar banho em casa.

 

Meu mundo, minha vida.

 

MAS APARTAMENTO É SÓ PRA DORMIR, NÃO É MESMO? Então vamos pras ruas. Em época de Carnaval meio que rola um senso comum de que ninguém deve se importar com porra nenhuma. Ninguém deve raciocinar nem fazer o que faria normalmente no período “Não-Carnaval” do ano. Um bom exemplo é você ir, sei lá, a um banco para sacar a grana da Kaiser e no caixa ao lado tem um cara só de sunga. Vai comprar dois reais de pão e na fila tem três cara de sunga. Isso às 7 da manhã. Até na igreja tem gente já passando o protetor pra não perder tempo na praia. Porra, até o padre usa uma berma de tactel da Billabong por baixo da batina.

 

N O R M A L

 

Mas é na praia que as coisas realmente acontecem. Você e os 13 parentes equipados com umas 70 cadeiras e guarda-sóis dão a primeira pisada na areia. A areia, claro, está quente que nem os nove círculos do Inferno. A manada começa a andar rápido exclamando “Ai, cacete” e “Quente pra caralho essa areia aí” no meio daquele mundo de guarda-sóis. Esbarra aqui, esbarra ali, joga areia na gorda deitada, esbarra mais e acha o ponto PERFEITO: de frente pro mar ao lado da barraca de um vendedor de cocos chamado Moreno.

É aquela festa. Criançada pedindo picolé pros pais, adultos ajeitando cadeiras e barracas, criançada se cagando com o picolé que ganhou dos pais e, com alguma sorte, o caçula some porque se perdeu quando voltava da água. Mãe chorando, salva-vidas pedindo informações…aquele show até a criança retardada reaparecer gritando “EU SE PERDI MÃE“.

Algumas horas depois, a supracitada localização perfeita (ao lado da barraca do Moreno, onde o seu pai provavelmente já está bebericando e conversando com o próprio Moreno sobre o Botafogo) se torna o caos: a maré subiu.

Que espetáculo! QUE ESPETÁCULO! Aquela onda vem sem piedade, como um cavaleiro do Apocalipse. Alguém da linha de frente das barracas grita o óbvio: “Ó A OOOONDA!!!“. E aí, companheiros, forte abraço. Mulherada levantando desesperadamente das cangas, homens rindo porque já estão bêbados, criançada sumindo de novo e chinelos tentando fugir para uma nova vida no mar, esperançosos. Nessa hora ninguém é de ninguém. Cada um por si. Se o mar levou teus pertences é porque Iemanjá quis assim.

Ao escurecer, todo mundo resolve ir embora. Pessoal enche as garrafinhas de Guaraviton com aquela água do raso, cheia de areia, para “limpar” os pés na orla, ir pra casa, tomar banho. E aí é aquela história dos gados…

 

Nem o Golden Antônio Fagundes resolveria a questão do nosso banheiro.

 

E fechando com chave de ouro, você tem que dormir pouco porque sempre tem aquele caralho daquele tio que acorda todo mundo cedo gritando “boooora caminhar“, “booooora pra praia” ou “tu veio pra dormir ou pra curtir?

 
 
Eu amo o Carnaval.

Medo de Fantasmas

Existe uma pesquisa que demonstra que cerca de 79% dos medos que temos partem de uma premissa irracional, algo improvável ou, simplesmente, fruto da nossa imaginação. Ignorando o fato de que tanto essa pesquisa quanto essa porcentagem foram inventadas por mim, posso confirmar que ela é bem precisa.

 
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Essa neurose começa quando ainda somos crianças e os móveis da casa estalam. Sabe do que eu to falando? De madrugada, aquele silêncio, aquela paz e do nada um CREC que congela até o esfíncter? Hoje nós sabemos que aquilo é um fenômeno ligado a temperatura, dilatação e física geral. Mas na época o meu conhecimento científico a respeito daquilo era “Lúcifer tá subindo nos meus móveis pronto pra pular em cima de mim e dilacerar minha alma”. Eu sei que o planeta tem 7 bilhões de pessoas, mas nada me convencia de que naquela noite o Sete-Peles não resolveu usar o tempo dele pra aterrorizar a MINHA CASA.

Hoje em dia, já com 25 anos, sempre tento racionalizar o medo e acabo conseguindo, mas tem horas que é mais forte que eu. Teoricamente eu que sou ateu deveria lidar superbem com isso, mas não é raro eu ter uns mini-ataques cardíacos de vez em quando. Por exemplo, odeio ter que apagar uma luz e ficar de costas pra escuridão. Você sabe que não tem nada ali mas a sensação é de que umas 300 entidades estão te seguindo lentamente. Já aconteceu de eu dormir com todas as luzes da minha casa acesas pra não ter que lidar com seres do além.

 

luzesTODA. VEZ. É ISSO.

 

(E foda-se o meio ambiente. O meio-ambiente não vai vir aqui em casa me salvar de fantasmas porque a gente sabe que ele não faz isso. Pode até produzir umas frutas show de bola, mas salvar a gente de entidade ele não salva não)

Nessas horas eu queria ser crente porque crente não tá nem aí. Qualquer frase de crente que envolve o Satanás (veja bem, não to falando de um fantasma bunda-mole qualquer. Eu to falando é do Rei do Mal, do Pai Satã, do cara no comando) é com o crente pisando no inimigo.

Porra, se ele fala isso do próprio Diabo, imagina o que ele não faria com um espírito maligno. Se tiver que sair na porrada com uma aparição, o crente vai mesmo. Ele não tá nem aí. Ele desfigura o inimigo na porrada em nome de Cristo Rei.

 

img_6782“Se o espírito de Deus se move em mim eu desço a porrada como o Rei Davi”

 

Como eu não possuo a Espada de Javé, o Leão de Judá ou sequer o escudo da Serpente de Canaã (tô meio por fora do nome dos itens), eu sou um frouxo mesmo. Minha solução é pedir na humildade pros fantasmas me deixarem em paz. Na moral mesmo, cada um no seu canto. Já presenciei coisas que, mesmo anos depois, não consegui explicar racionalmente do que se tratavam. Nesse post vou falar especificamente de 3 contatos com o desconhecido que…bom, to precisando desabafar há anos porque são bem vergonhosos.

Sério.

 
 
1-pinscher
 

Esse é um dos que eu gostaria muito de ignorar pro resto da minha vida, mas era muito recorrente e eu não posso deixá-lo de fora. É exatamente isso que você leu: o fantasma de um Pinscher. Eu tinha uma mania de toda madrugada acordar para ir ao banheiro ou beber água na casa dos meus pais e, pelo menos uma vez por semana, acontecia a mesma coisa: eu tava saindo da cama e aí me assusto porque vejo que tem alguma coisa no chão. Quando olho diretamente pra coisa, é como se fosse um vulto no formato de um Pinscher olhando pra mim por alguns milésimos de segundos, o tempo de eu dar aquela coçada nos olhos e o negócio não estar mais lá.

Veja bem, eu não sei como funciona o outro lado, mas tenho quase certeza que Pinschers não andam por aí observando pessoas de madrugada. Eu realmente não sabia como lidar porque 1) o negócio sumia rápido 2) posteriormente eu sabia que ele estaria ali me encarando de novo 3) eu não estava com disposição para colar cartazes por aí dizendo “ENCONTREI SEU DOG FANTASMA”. Um dia ele simplesmente parou de aparecer.

Espero do fundo da minha alma que a carrocinha do Além tenha capturado aquilo.

 
 

 

Eu não tenho um nome prático para explicar esse. Eu lembro que aconteceu quando eu era criança, em plena luz do dia e com minha mãe em casa. Certamente a aparição mais abusada que já vi na minha vida. Foi assim: minha mãe estava na cozinha fazendo o almoço e eu estava todo serelepe prestes a sair da cozinha e ir para o corredor que dá no meu quarto. Assim que cheguei na porta do corredor, essa “forma” bem alta estava vindo na direção contrária numa velocidade de quem estava correndo, passou por mim e eu simplesmente caí de costas no chão.

Eu perguntei para a minha mãe “CÊ VIU ISSO?”, mas a panela de feijão era bem mais interessante que eu. Ninguém presenciou a cena. O mais curioso foi que não senti um contato físico, mas senti uma pressão que me fez cair. Fantasma estabanado do caralho.

Ah, sim. O nome. Essa é a parte mais ridícula: na minha memória, o formato do negócio era semelhante ao de inimigo do jogo de Harry Potter pra Playstation 1. Tipo uma armadura. Eu realmente procurei muito tempo uma imagem boa disso e o máximo que consegui foi essa.

 

Olha aí o derrubão do além.

 
 


 

Broder, esse eu não me conformo. Sério mesmo. Se existe um mundo dos mortos, isso deveria ser proibido entre eles. Fica aí a dica pra caso algum espírito esteja lendo esse blog: vocês perderam a linha.

Eu tinha uns 8 anos e estava dormindo sozinho no meu quarto. Da minha janela eu começo a escutar uma risada macabra. Já fiquei bolado. A risada parou por uns 10 minutos e quando eu estava voltando a dormir começou de novo. A minha janela tinha visão para uma escuridão total, então nem por um caralho que eu iria olhar o que estava acontecendo.

Definitivamente não era o vizinho porque aquele som não era som de gente. Fui no quarto dos meus pais e pedi pro meu pai me dar um auxílio ali naquela situação porque certamente o Bafomé tava querendo me carregar pros mármores do inferno. Meu pai acordou puto, falou que eu tava sonhando e me deu a solução: toma um copo de leite que você dorme.

Sim.

Eu tava numa situação de alta periculosidade e meu pai me manda tomar leite. Como se o Cramunhão fosse chegar no meu quarto pra me levar pros Vales da Danação e pensar “epa esse moleque bebeu leite. Vou ter que deixar pra próxima”.

Enfim, tomei o leite (nunca se sabe, né) e voltei pro meu quarto. Deitei na cama de bruços, tava pegando no sono e PIMBA. Aconteceu. Eu senti uma dedada no fiofó. Tá ligado aquelas dedadas superficiais que é só pra sacanear a galera? O famoso PULA-PIRATA? Então, foi isso.

Levantei desesperado, fiquei olhando ao redor tentando entender e a porra do espírito não teve nem a coragem de se manifestar. Ele só lançou o fura furico e foi embora pra sempre. Que ódio. Desde esse dia ATÉ HOJE eu não durmo mais com a bunda pra cima.

Se tem uma coisa que a vida me ensinou é que fantasma não tem ética não. Toma cuidado você também.

 


 

Bom, não preciso nem lembrar que a melhor parte desse blog são os comentários né. Conta aí embaixo sua experiência com o sobrenatural pra gente rir da sua cara.