Meu primeiro show de rock

Texto originalmente publicado no dia 19 de março de 2015
 

Até os meus 18 anos, se não me engano, eu nunca tinha ido a um show ao vivo. Quer dizer, teve um do Detonautas no Réveillon de Cabo Frio. Só que Detonautas é aquilo né, não dá pra falar que você foi a um show deles sem correr o risco levar um soco bem dado no meio da têmpora. Minha vida era essa merda aí.

Até que em 2010 recebi a notícia de que ia rolar no Rio de Janeiro um show com as bandas Carbona, Gramofocas e Costanzas. Deus que me perdoe, mas eu fiquei tão empolgado que na hora eu senti o meu pintinho descolando de meu saquinho. Fiquei mais ansioso que uma directioner e liguei na pro amigo Zé para contar a notícia.

 
– Alô
– ZÉ PUTA QUE PARIU
– Quem é?
– É O YGOR, ZÉ. VAI TER SHOW
– Quê?
– SHOW DO CARBONA COM OS GRAMOFOCAS AQUI NO RIO
– COMO ASSIM ETA PORRA CARBONA E GRAMOFOCAS
– BORA?
– EU DIGO BORA. ONDE É?
– Na Lapa
– Ô merda…
 

Naquela hora caiu a ficha de que nada nessa vida é perfeito. A porra do show poderia ser em qualquer lugar, mas não…ia ser na Lapa.

Pra quem não está familiarizado com Rio de Janeiro, eu explico: a Lapa, na teoria, é um bairro boêmio da cidade. Ponto turístico que chama atenção de turistas do mundo todo tanto pelo visual de dia quanto pelos bares e música ao vivo à noite. Na prática a Lapa é um dos nove infernos de Dante. Imagina aí um tsunami que em vez de água tem urina, chorume, gente querendo te assaltar e barulho pra todo lado. Essa é a Lapa.

 
Ilustrando melhor, essa é a Lapa de dia

 
E essa é a Lapa de noite


 

Ou seja, já não era tão bacana assim a ideia de ir ao show. Além de tudo, esse muquifo era longe demais da nossa casa. A gente teria que virar a noite por lá pra conseguir pegar um ônibus de manhã pra Nova Iguaçu e rezar pra não perder tudo (inclusive a vida) no meio do caminho de volta. Ser suburbano é uma bosta.

Mas era Gramofocas, cara. Nós fomos mesmo assim. O grupo era eu, Zé, João Victor e Bernardo. Estaríamos por conta própria naquele lugar e lá encontraríamos outros amigos. O evento aconteceria no extinto Cine Lapa, um buraco que mais parece um cenário de Jogos Mortais, só que com muita gente dentro.

 

 Olha esta POCILGA

 

Chegamos lá com antecedência e o estabelecimento ainda estava com as portas fechadas. Nós éramos basicamente quatro caipiras no meio da rua na Lapa sem saber o que fazer. Concordamos que deveríamos ficar juntos e evitar ao máximo qualquer tipo de gracinha para poupar nossa integridade.

5 minutos depois um cara extremamente suspeito, com barba desgrenhada, gorro e aspecto sujo chega do nosso lado. Puta que o pariu. Ele abre a jaqueta assim meio escondido e fala “dose de tequila por 5 reais?”. Fica aquele climão de “isso só pode ser pegadinha”. O silêncio paira no ar e o Zé, sempre sensato em situações de pressão, tenta resolver

 
– COM CERTEZA, MEU CAPITÃO! ME VÊ UMA PRA MIM E PARA OS MEUS RAPAZES
 

Ele simplesmente aceitou. O Zé nem bebe. Se o cara oferecesse MIJO pra gente o Zé aceitaria. Nisso o mendigo negociador tirou de dentro da jaqueta uma garrafa, uns copinhos plásticos, sal e limão. Quer dizer, teoricamente aquilo era sal e limão, né. Se bobear a tequila que ele botou no copo era óleo diluído de caminhão. Nunca saberíamos dizer, nunca tínhamos tomado tequila na vida.

 

O sujeito era mais ou menos uma mistura desses dois ladrões de Esqueceram de Mim

 

Daí pra frente não tinha volta. A gente se viu com aquele farelo branco na mão, um limão certamente colhido em um pomar de HIV e aquele copo sabe-se deus com o quê. O Zé, para mostrar que estava completamente no controle da situação, resolveu abrir a boca de novo.

 
– COMO É QUE A GENTE BEBERICA ESTA IGUARIA, MEU CHAPA?
 

Sério. Eu odeio o Zé. O mendigo de Wall Street pelo menos foi super solícito. Disse que era pra botar o limão na boca e depois o sal para então beber a tequila, eu acho. Sei lá. Eu realmente não aprendi direito. São só 3 etapas e ainda assim eu não sei até hoje. Enfim, bebemos o shot de Hepatite C e estávamos nos sentindo OS TRANSGRESSORES da região.

Começou o show e foram chegando mais alguns amigos. Dentre eles, a Cristal. Guarda bem essa informação: a Cristal estava empolgada para ver o show dos Gramofocas. Vou até deixar em vermelho para você não esquecer. A Cristal estava empolgada e veio de longe só para ver o show dos Gramofocas.

 

O vocalista do Costanzas era o Vin Diesel

 

Logo em seguida subiu no palco o Carbona. Ah, moleque. A chapa tava esquentando. Galera começou a ficar mais soltinha, mais aglomerada e eu, em determinado momento (possuído por aquele copo de gasolina vendido a mim como tequila), achei que seria uma boa ideia subir em uma das caixas de som do lugar para curtir o show como se eu estivesse em um festival de música alemão. Eu tava me sentindo o quinto membro da banda ali em cima, tal qual um rockstar. Na minha cabeça todos estavam pensando “olha que rapaz ousado! Vejam como este cavalheiro possui o dom da excelência”. Era meu momento.

Mas segundo testemunhas isso só durou uns 20 segundos até um segurança dar dois tapinhas na minha perna e pedir pra eu descer dali. Eu sou um fracasso.

 

O Carbona e esse efeito DESCOLADO de fotografias da night

 

Acabando o show deles, veio o grande momento da noite: Gramofocas. Puta que pariu eu amo Gramofocas. Quem me segue nas demais redes sociais já notou isso. Não da maneira que eu esperava, mas notou…

 

Invejosos.

 

Tipo, até então a galera nas apresentações anteriores estava animada com o Carbona e Costanzas. Mas broder, quando começou Gramofocas o recinto virou um purgatório. Eu não sabia 1) de onde tinha surgido tanta gente assim em tão pouco tempo 2) como aquelas pessoas fizeram para caber ali e ainda sobrar oxigênio 3) se eu sobreviveria.

 

Eu acho que tem umas 347 coisas acontecendo ao mesmo tempo nessas duas fotos

 

Mermão, eu tava desnorteado. Eu não conhecia na prática o conceito das rodinhas punk e vou te falar: só deus sabe o tanto de porrada que eu levei naquele dia. Era empurrão de um lado, cotovelada do outro…uma experiência única.

 

Olha eu sofrendo e curtindo ao lado de um cosplay do Marcelo Tas

 

O Zé, coitado, cismou de entrar em uma roda fazendo base de arte marcial. Não demorou 3 segundos e levou um soco na cara. A gente tava sendo moído ali, suando, abraçando sujeitos que não tomavam banho há pelo menos 4 dias e mesmo assim estávamos felizes. O Zé estava só o paninho da cachorra, porém num estado de euforia que a ciência ainda precisa estudar.

 

O cara já tava com a alma entregue a deus, alá

 

Foi sem dúvida um dos momentos mais legais da minha vida. No final da noite, antes de irmos embora, acabei fazendo amizade com a guitarrista do Costanzas (a Angélica, colunista do Tenho Mais Discos Que Amigos), ganhei uma palheta do Badke, vocal do Carbona, e ainda tirei uma foto com os Gramofocas.

 

A foto no caso foi tirada com uma torradeira, como vocês podem notar pela resolução

 

Alguns anos depois rolaram outros shows e tive a oportunidade de ter fotos bem mais excelentes, como essa:

 

OLHA EU CANTANDO COM OS CARAS EM 2012

 

Se o andar da carruagem continuar favorável, um dia vou ter uma foto tocando com eles no palco. Talvez eu seja só um menino sonhador. Só sei que depois desse show eu prometi a mim mesmo que nunca mais perderia nenhum.

 
[UPDATE: EU TOQUEI COM OS GRAMOFOCAS. FOI UM DOS DIAS MAIS LEGAIS DA MINHA VIDA! OLHA EU TOCANDO COM OS GRAMOFOCAS!

AHH, MAS NÃO FOI SÓ FOTO NÃO. OLHA EU EM VÍDEO TOCANDO COM OS GRAMOFOCAS

MAIS PUNK ROCKER QUE EU VOCÊ NÃO ENCONTRA POR AÍ NÃO]
 

 
A moral da história é: Detonautas é uma merda.

CENA PÓS-CRÉDITOS
 
 

Lembra da Cristal? Então. Durante o show do Carbona ela passou por nós no meio da muvuca falando “vou beber para curtir mais ainda os Gramofocas!”. Uns 40 minutos depois passa a Cristal de volta sendo carregada porque simplesmente bebeu sozinha mais do que o recinto inteiro.

 
 
A Cristal não viu o show dos Gramofocas

Minhas (quase) brigas de rua

Esses dias em minha magnífica cidade eu estava na farmácia comprando sabonetes e, no corredor ao lado, uma menina estava me encarando. Quando eu olhava, ela desviava o olhar. Por alguns minutos eu pensei “QUE ISSO TIGRÃO, SÓ ESMIUÇANDO O CORAÇÃO DA MULHERADA HEIN”, mas ainda rolava aquele sentimento de que eu conhecia a garota de algum lugar. No caminho de volta pra casa eu tive aquele estalo e lembrei quem era. Foi mágico demais. Ela foi a asquerosa responsável por eu quase apanhar na rua na minha época de escola.

 

 Deixe-me contar para vocês, meus jovens…

 

Eu estudava no Colégio Iguaçuano desde que me entendo por gente e lá pela quinta, sexta série (eu já não sei mais como chamam hoje em dia) fiz amizade com uma menina que estudava uma série abaixo da minha. Honestamente não faço a menor ideia de como começou, mas lembro que eu a considerava uma das pessoas mais legais de se conviver na época. Nós passávamos os recreios juntos, falando sobre a vida, professores e todos aqueles assuntos que adolescentes gostam. Sei lá, MTV. Em determinado momento dessa convivência, eu comecei a gostar dela. Afinal, ela era bonita, divertida e usava aparelho.

 
Por algum motivo eu achava isso muito atraente. Os tempos eram outros, me deixa.
 

Sabe aquele amorzinho adolescente em que a gente troca olhares e começa do nada a escola toda a dançar? Foi completamente oposto a isso. Eu simplesmente abri o jogo com ela e falei “Ei, eu gosto de você. Tipo, mesmo. Mas é aquilo, antes de qualquer coisa somos amigos, então quero deixar bem claro que mesmo querendo ficar contigo, eu não vou mudar a maneira como lidamos um com o outro”

O que parando pra pensar agora, foi extremamente maduro da minha parte, visto que uma atitude mais provável pro Ygor da época seria ajoelhar na frente dela e gritar “PELO AMOR DE DEUS FICA COMIGO EU SOU MUITO FEIO E VOU MORRER”. Mas fui maduro. Vou já dar o spoiler pra vocês de que não rolou porque nem eu ficaria comigo naquela época. Eu só tinha muitos amigos porque eu compensava sendo legal, mas é aquilo…

 

O padrão de beleza escolar era esse

 

E eu era assim

 

Pra minha sorte, nada mudou. Continuamos amigos, nos encontrávamos em festas no ~Country Club~ e tudo era uma maravilha. Nos afastamos nas férias de julho porque né…férias. Eu tinha muito Tony Hawk pra jogar. Nisso, no comecinho do mês de agosto, quando já voltamos a ter aulas, o negócio tava meio esquisito. Não nos falávamos mais todo dia e, acho que naturalmente, foi acontecendo essa falta de interesse dos dois lados em manter a amizade como antes. Sem brigas, sem nada. Coisas da vida.

Eis que um dia, eu em casa ainda mandando muito no Tony Hawk, ouço o telefone tocar. Na época existia um negócio chamado TELEFONE FIXO e era tipo um celular, só que pra casa inteira e sem aplicativos ou Gemidão do Zap. Eu era adolescente e adolescente gostava de atender o telefone de casa. Atendi. Era uma voz de um garoto que eu não conhecia:

 
– Alô? É o Ygor?
– Opa 😀 Sou eu. Quem é?
– Vai tomar no cu, rapá.
 

E desligou. Por mais clara que tenha sido a mensagem, eu não tinha entendido muito bem. Achei que era meu amigo Rodrigo me sacaneando, ou até mesmo …OPA o telefone começou a tocar de novo. Atendi.

 
– Alô?
– É o Ygor?
– Cara você ligou pro mesmo número, acredito que seja o Ygor sim
– Aí Ygor, eu vou te cobrir de porrada.
 

E desligou de novo. O meu interlocutor tinha esse talento incrível de ser extremamente específico e ao mesmo tempo misterioso. Eu sabia que era pra eu tomar no cu e que ele iria me cobrir de porrada. A porra do telefone tocou mais uma vez e eu tava nervoso não pelas ameaças, mas por não conseguir terminar meu Tony Hawk em paz (era o 2. Eu tava jogando com o Rodney Mullen na fase da escola).

 
– QUIÉ
– Oi Ygor! hahahah
 

Era ela, a menina. Eu achei estranho e ao mesmo tempo fiquei bastante feliz porque não nos ligávamos há muito tempo. Ela continuou:

 
– Não liga pro Henrique não. Ele tá zoando só. *risadinhas ao fundo* Estamos eu, ele e minha irmã aqui no clube. Ele tá só implicando.
– Ah sim. Hahahah. Quem é Henrique, no caso?
 

Nisso o Henrique (eu não lembro o nome real dele. Queria muito procurar no Facebook hoje) pegou o telefone e começou:

 
– Aí moleque, nem to zoando não. Vou te quebrar mesmo só pra deixar de ser otário. E po, tu era a fim dela né? Vai apanhar duas vezes porque ela não quer nada contigo, seu comédia. Depois dessa se eu fosse você, cuspia no chão e nadava. Segunda-feira depois da aula eu te pego.
 

Desligou de novo. O Henrique tinha uma séria dificuldade em falar mais de cinco frases sem desligar um telefone. Sei de duas coisas: 1) eu nunca tinha ouvido a expressão “cospe no chão e sai nadando”; 2) eu definitivamente ia apanhar segunda-feira e sequer sabia o motivo. Esse diálogo foi num sábado. Passei o fim de semana com as perninhas bambas de tanto desespero.

 

Chegou o dia do abate.

 

Não quero ficar dando voltas pra te enrolar, caro leitor. Então vou direto ao ponto: eu nunca tive emocional pra brigar. Só de pensar em sair no braço com alguém eu já ficava com dor de barriga.

Fim de aula. Era hora de eu virar cadáver. Saí da escola e lá estava o sujeito com cara de mau e as duas irmãs cacarejando atrás dele. Descobri que o menino tinha metade do meu tamanho e uns 2kg abaixo do meu peso. O que segurava o personagem ali era a cara de invocadinho que ele fazia.

Eu tenho esse sério problema de começar a rir quando vejo alguém com cara de invocadinho porque a pessoa quer parecer um bad boy mas acaba parecendo um Chihuahua. Que se foda, ri mesmo. Daí o cara ficou mais tiririca ainda. O lance é que ele foi esperto: tava sem uniforme da escola. Eu tava uniformizado. Se eu brigasse, além de correr o risco de tomar uns socos bem dados, ainda seria suspenso no Iguaçuano por causa daquela roupa.

Ri do cara e passei direto por ele. As duas cacarejando ainda. Ele começou a me seguir. “Pronto. O cabra vai me desovar em algum terreno de Nova Iguaçu”, pensei. Daí o meu plano era andar o máximo possível pra ver o quão disposto ele estava a me bater. 10 minutos andando e ainda estavam os 3 atrás de mim. Um invocadinho e duas cacarejando.

O que mais me intriga é que se ele desse uns 6 passos mais rápidos, ele me alcançava e poderia me desossar. Mas não. Ele APENAS ficou que nem um encosto atrás de mim. Era o meu shinigami particular.

 

Eu e o invocadinho

 

Os 3 queriam andar? Beleza. Subi a rua da delegacia (pra quem não é daqui de Nova Iguaçu, é uma subida insuportavelmente chata pra se fazer a pé) e decidi ir até o final. Segue abaixo um mapa do meu trajeto.

 

Beleza, na minha cabeça era um percurso muito maior, com pelo menos uns 20 minutos. Mas o Google gosta mesmo de destruir nossos sonhos.

 

Na metade do caminho encontrei meus amigos Bruno e Filipe. Eles começaram a me acompanhar e perguntaram “tá fazendo o que aqui?”. Respondi que um invocadinho e duas estudantes galináceas estavam me seguindo. Eles olharam pra trás e não tinha ninguém.

 
Venci.
 

Daí fomos pra casa do Filipe jogar Nintendo 64.

 

100% a gente

 

Durante o resto do ano o invocadinho continuava me encarando na escola (cada um com seus hobbies) e as palhaças, felizmente, nunca mais falaram comigo.

 
 
Pensando bem, eu deveria ter voltado naquela farmácia e jogado meu sabonete nela.

Meu primeiro emprego

Texto originalmente publicado no dia 26 de maio de 2014
 

Até os meus 20 anos, eu nunca tinha trabalhado na vida. Infelizmente não tenho uma história bacana de gente batalhadora para contar e nunca vendi bala no sinal para poder ajudar meus 70 irmãos que viviam em um barraco feito de tijolos e pedaços de outdoors de vereadores.

Minha entrada no mercado de trabalho foi no segundo semestre da faculdade (até então eu cursava Relações Internacionais na UFRJ) e, na teoria, eu estava muito bem encaminhado pois era uma grande empresa internacional, com um bom salário para estagiários e …diabos, eu estava só começando a faculdade. Tudo para ser incrível! Na teoria. Vamos descrever aqui: eu trabalharia 4 horas por dia com Ocean Export (que é apenas uma maneira pedante de dizer TRABALHAR LOGÍSTICA COM CARGAS DE NAVIO), ganharia 860 reais e usaria roupas de homens bem sucedidos.

 

A visão que eu tinha do meu futuro

 

Tudo começou na entrevista de emprego dividida em duas partes: uma provinha teórica e uma dinâmica de grupo. Na prova teórica eu já vi que as coisas estavam meio esquisitas. Existiam perguntas sobre carregamentos marítimos com um detalhe intrigante, que era o recorrente uso das palavra SEJE, ENCIMA e, como bônus, XINELOS. Ok, vamos ignorar. Eu estava muito mais interessado em meu futuro no dia do que em corrigir uma empresa de grande porte.

 

Porque esse era meu futuro

 

Passei da primeira fase e chegou a dinâmica de grupo. Foi nesse dia que percebi que eu odiava duas coisas: dinâmicas e grupos. Sabe todos aqueles clichês que você ouve e acha que são piadas? Não. O negócio é real. A ~dinâmica~ era escolher um dos papeis que estavam sobre uma mesa e, em cada papel, havia uma imagem de um objeto. Teríamos que defender esse objeto e provar que ele era o melhor de todos ali. Tinha, por exemplo, um orelhão, uma televisão, um barco, um elefante (???) e uma bússola. Peguei a bússola.

Deixei todos falarem na frente para ver o nível do que estava rolando por ali. E era mais ou menos assim:

 
– EU VOU ESTAR DEFENDENDO ESTE ORELHÃO POIS COMUNICAÇÃO É IMPORTANTE

– ORA, JÁ EU PARTO DA PREMISSA DE QUE OS MEIOS TELEVISIVOS SÃO MUITO MAIS IMPORTANTES

– ELEFANTES SÃO DIVERTIDOS

– BARCOS FLUTUAM
 

Minha cara no recinto era mais ou menos essa

 

Na minha vez eu só me dei o trabalho de responder “não adianta nada saber que existe um orelhão ou uma TV, saber que você pode ir até um deles de barco ou elefante se você não sabe se guiar. Por isso, uma bússola. Mas confesso que elefantes são divertidos”

Todos riem. Dinâmica, proatividade e humor.

Consegui a merda do emprego e nas minhas primeiras semanas eu vi o cagacê em que eu tinha me metido: era um escritório cheio daqueles malucos beirando os 40 que se acham jovens surfistas e só falam de mulherzinha, curtição e piadas do Humortadela de 2003. Sem sacanagem, era o tipo de galera que falava coisas do tipo “que mané espada. Espada corta pros dois lados, eu sou FACÃO” ou “TO PAGAAAANO”. E tinha também o meu computador que, meus amigos, vou tentar explicar…

…imagina um Windows 98. Coloque 40 atalhos no desktop com as pastas em maiúsculo. Agora pegue um orangotango de forma que ele organize essas pastas de maneira randômica e esfregue a piroca no monitor só pra deixá-lo com um aspecto meio oleoso.

Esse era meu computador.

Lá pro meu segundo mês de trabalho eu já tinha vontade de dar um tiro na cabeça. De cada um deles. E fui descobrindo que o responsável pelos SEJES, ENCIMAS e XINELO da minha prova, era o meu supervisor, que era um jegue. Sério, pense em um cara que não sabe escrever uma palavra com mais de 4 sílabas mas tinha um poder hierárquico favorecendo-o. Era por volta disso. E o meu humor cada dia mais próximo do zero, até que em uma bela situação, ele me deu alguma alfinetada leve e eu respondi “ok, da mesma forma que eu desejo esse quantidade de óleo no teu cabelo cause um incêndio na sua casa e você perca tudo aquilo que ama”

 

 

Peguei pesado? Peguei. Mas eu já não estava nem aí. Além disso eu tinha passado por um namoro lixo, estava infeliz com a faculdade e tinha que acordar cedo todo dia pra pegar metrô lotado. Ou seja, nada a perder. O clima naturalmente ficou mais tenso e eu com mais patadas, até que um dia ele me chamou para a sala de reuniões para uma ~conversinha~.

Além de todos esses motivos que citei, fui demitido por não fazer o perfil da empresa, andar muito relapso e…veja bem, USAR BRINCO. Me foi dito que eu não podia ter barba e nem usar brinco pois não seguia o Dress Code (foi quando eu descobri que existia um Dress Code).

Dei aquela fingida marota de que era triste não poder mais fazer parte da equipe, peguei minhas coisas e fui embora

 

NÃO QUERIA MAIS VOLTAR

 

Depois disso decidi que nunca trabalharia com comércio exterior na minha vida, deixei a barba crescer e continuei usando brincos tal qual faria um CORCEL INDOMÁVEL

 

Eu saindo da empresa

 

—-

 
 

Claro que provavelmente ninguém tem um primeiro emprego dos sonhos. Então como os comentários de vocês são tipo o DVD DE EXTRAS dos textos, aguardamos a histórias.

Indo para Orlando

Texto originalmente publicado no dia 01 de dezembro de 2014
 

Eu fico desgostoso da vida quando tenho que sair do conforto do meu quarto para fazer alguma coisa que não seja dentro de casa. O mundo lá fora é cruel, cheio de sol e com a música “Happy” tocando em cada esquina. Mesmo assim eu e Mariana, a namorada, resolvemos ir pra Disney curtir o Halloween de lá. Fiquei mais animado que menina de 15 anos que cria álbum com título ~WHERE DREAMS COME TRUE~. Daí começou a aventura…

Viajamos com a Copa Airlines. Isso mesmo, Copa Airlines. Talvez esse nome não lhe soe muito familiar e você ache que não conhece a companhia, né? Pois é. Você realmente não conhece. Eu não conhecia, Mariana não conhecia e nenhum ser humano conhece. Tenho certeza que nem os comissários de bordo sabiam o que estava rolando ali exatamente. O avião dos caras era compacto como um jatinho particular, porém com 200 passageiros dentro. Eu não to zoando, aquilo era um Mercadão de Madureira voador.

Quando a aeronave começou a acelerar na pista para decolar, parecia que eu tava naqueles passeios de bugre do Maranhão. Vá balançar assim na casa do caralho. Inclusive, quando ela estava voando, já sem contato nenhum com a terra, continuava a balançar. O avião era uma Kombi 74 com duas asas coladas.

 

Misericórdia

 

Durante aquelas instruções iniciais de voo eu fiz o que qualquer passageiro costuma fazer: caguei pro que eles estavam falando. Se desse qualquer merda com aquele avião, não ia ter instrução de segurança que salvasse a minha vida. Como era uma viagem longa, eu tinha que me distrair. Descobri que um dos serviços disponíveis no voo era o acesso a jogos de última geração e, GAMER QUE SOU, fui logo ver do que se tratava.

 

Aparentemente a aeronave decidiu ficar em 2004

 

Flashback. Algumas horas antes, no aeroporto, tivemos a brilhante ideia de comprar muito -MUITO- chocolate e mandar pra dentro, mesmo sem fome. Aquilo era barato. Nem fodendo que eu ia perder a oportunidade de comer, sei lá, 3 toneladas de Kinder Bueno por 15 dólares. Segura essa informação aí pois ela será importante lá na frente. Fim do Flashback.

Na hora da janta do avião, o comissário veio com uns papos de “jugo de naranja”, “manzana”, “cueca cuela sien gas”, “garrafita” e aí veio mais uma surpresa…

 

 

…a porra da companhia aérea era PANAMENHA. Pra mim panamenha era como a gente chamava mulher que engravidou, sei lá, era nome dessas comidas que avó faz. Os caras falavam em espanhol, que bosta. Era tudo o que eu queria: 12 horas de voo com uma galera falando igual ao Ligeirinho.

Eu assumo sem problemas que não sei porra nenhuma de espanhol. Ainda mais com eles falando na velocidade da luz como falam. A Mariana, por sua vez, não assume. Ela não entende espanhol também mas acha que entende. Aí já viu a fodelança que foi né:

 
– Hola. ¿Qué te gustaría cenar?
– Si si! Arriba! Una jantita gracias!
– …
– Ay caramba!
– ¿Quieres pescado o pollo, señorita?
– No no, chiquititas. Quien me va curar mi corazón partio!
– …

 

Aí por causa dessa garota, a minha comida viria no modo ALEATÓRIO. Era só falar em inglês com o cara, só isso. Nem é pedir muito. Agora eu certamente ia comer alguma porra sabor MÁ VONTADE DO PANAMÁ. E lá veio meu prato:

 

 

Até me surpreendi. Veio bonitinho e, como as pessoas ao redor estavam todas comendo peixe ou frango, o “no no no” da Mariana não seria um problema no final das contas. Aí eu abri.

 

Isso não é comida, é castigo

 

Vou nem falar o tanto de puto que eu fiquei com todo mundo comendo algo gostoso e eu provavelmente comendo uma massa temperada com suor de um cozinheiro chamado Pepe. Paciência. Depois da janta mandei pra dentro mais daqueles chocolates que a gente tinha comprado, acompanhados com a água ~sin hielo~ que eles me deram. Hora de dormir.

 

Esses assentinhos de bunda para colocar no pescoço são nota 10.

 

No meio da madrugada todo aquele chocolate que eu ingeri resolveu se manifestar. Puta que pariu, bateu aquele cagote. Era como se as minhas entranhas fossem uma arena de Jogos Vorazes tamanha a tragédia que tava rolando ali. Eu ia me arriscar a cagar naquele banheiro e derrubar o avião? Não ia. Fechei os olhos e esperei meu organismo baixar a bola. Até agora não sei se dormi ou se desmaiei.

 

Eu por dentro

 

Quando eu acordei, estava em Orlando. Eta maravilha. Fui para uma daquelas filas obrigatórias em que você precisa falar com os FEDERAIS o que diabos você quer fazer no país deles. A família que estava na minha frente (brasileira, diga-se de passagem) tinha uma velha com uma câmera digital na mão. A porra da velha resolveu tirar uma foto do neto na fila. Pergunta pra velha se ela sabia o que aquelas 30 PLACAS COM UM “PROIBIDO CÂMERAS NO RECINTO” significavam. A velha não sabia. Nisso o cara da cabine que nos ~entrevistaria~ levantou putaço das ideias quase com o dedo na cara dela.

– Senhora, isso é uma câmera? Você não tá vendo que é proibido? Desligue isso IMEDIATAMENTE. Eu não estou brincando. Se você não quiser problemas, desligue isso IMEDIATAMENTE. O que você está esperando? Não fui claro o suficiente ou você é mais uma dessas engraçadinhas?

Mermão, foda. Ela conseguiu deixar o cara puto minutos antes de ele falar comigo. Pior: ela não entendeu uma palavra do que ele disse. A reação dela foi essa:

 

“Que espirituoso esse polícia, né?”

 

Nisso a família é liberada e o senhor ainda puto grita um “PRÓXIMO” sem paciência nenhuma. Era agora que eu seria deportado. Segue o diálogo livremente traduzido para Pt-Br:

 
– O que veio fazer nos Estados Unidos?
– Eu vim pra Disney, meu senhor :DD Vim curtir uma DISNEYZITCHA NÉ
– Ficará quanto tempo?
– Ahhh, eu deixo a vida me levar né seu guarda. Acho que vim pra ficaaaar kkkkk
– …
– 9 dias
– Por que você forjou o número de seu voo?
– akshadhahkdsjh oi?
– Por que você forjou o número de seu voo?
– kshfakhfas nao entendi
– Você colocou o número do seu voo errado. O que você faz da vida?

 

 
EU COLOQUEI A CARALHA DO NÚMERO ERRADO SEM QUERER. EU JÁ TENHO UMA CARA DE ÁRABE QUE NÃO AJUDA AÍ NÃO SATISFEITO EU VOU E BOTO A PORRA DO NÚMERO ERRADO. Já tava esperando a SWAT entrar ali quebrando as janelas e me levar direto pra Guantánamo. Suei frio, quase chorei.

 
– Eu…eu escrevo
– E tá levando quanto de dinheiro pro país?
– Só o do ônibus só seu guarda peloamordedeus to aqui na humilde mesmo
– Drogas? Remédios? Algo ilícito?
– Não senhor.
*ploft*

 

Ele carimbou meu passaporte (ploft no caso é o barulho do carimbo) e falou um TEJE LIBERADO que me deixou aliviado. Fui contar para a Mariana e ela me manda um “ah, na minha cabine o cara foi supersimpático”, nem perguntou muita coisa. Fiquei meio chateado. Ser gostosa te dá dessas vantagens que eu infelizmente não tenho.

No aeroporto a gente já dá de cara com várias lojinhas bacanas. Universal, Sea World, Disney e outras mais, para te ambientar do que você está prestes a viver.

 

Por exemplo essas coisitchas de Harry Potter

 

Fomos procurar a locadora de nosso carro e no caminho tinham vários conversíveis irados, umas Mercedes, uns Mustangs com plaquinha “que tal me alugar para essa viagem?! Peça um upgrade no seu veículo!”. Obviamente eu queria um upgrade no nosso veículo porque tenho o discernimento de uma criança, mas a estraga-prazeres da Mariana falou que não tinha necessidade. Bruxa. Acabamos com um Corolla bonito, mas não era o Mustangão irado que eu queria.

 
Acontece. O importante é que no final das contas, os dias seguintes foram a melhor coisa que já me aconteceu no ano de 2014 e espero que se repita várias vezes.

O dia em que me depilei

Texto originalmente publicado no dia 09 de junho de 2014

A vida é uma jornada cruel. Antes de nascermos alguém deveria chegar e avisar “ow, depois que você sair dessa barriga, meu amigo, o caminho é só ladeira abaixo”. Explico: quando você é um bebê, a vida é uma delícia. Você só precisa dormir, comer, chorar e fazer uns barulhos engraçados. Quando você é uma criança, a vida continua uma delícia. Você só precisa se divertir, ver desenho, ralar o joelho e fazer dever de casa…

…mas quando chega a adolescência, ahhhh meu bon vivant, é aí que a coisa fica mais feia que briga de foice. Comigo, claro, não foi diferente.

Aos meus 14 anos, a puberdade estava batendo na porta, os hormônios estavam à flor da pele. Eu, vítima de um longo processo evolutivo da raça humana, percebi que era hora de mostrar meu valor. É o que renomados cientistas de Oxford chamam de “catar as mulherzinha tudo”. E para catar as mulherzinha tudo, eu precisava ser, no mínimo, um pouco visualmente atraente. Ninguém iria gostar de mim por eu jogar Yu-Gi-Oh, por exemplo.

 

Eu

 

E atraente é uma coisa que eu DEFINITIVAMENTE não era. Sabe, no começo eu fui uma criança fofa e todo mundo me achava lindo. Não sei o que aconteceu no meio do caminho que descaralhou tudo. Do nada eu era um daqueles adolescentes esquisitos, com aparelho, espinhas, magrelo e com a cara tão oleosa que você escorregava só de olhar.

 

oi vamos bjar de lingua q tal

 

Até então tudo bem, coisas da vida. Mas um dia o meu corpo resolveu me pregar uma peça. Tal qual um milagre de Natal, DO NADA eu tinha uma pequena penugem sob o meu nariz que não chegava a ser um bigode, mas também não era algo que passava despercebido. Era um meio-termo perturbador chamado “Bigode Ralinho”. Aquilo era humilhante demais. É como se o meu corpo pensasse “porra, acho que não tá esculachado o suficiente. Como será que eu posso foder de vez agora?

“Ahhhh Ygor! Que bobeira, era só raspar!”

Aí que tá. Eu tinha um medo descomunal disso porque certa vez resolvi dar uma olhada em um fórum do Orkut sobre barbas. Lá tinha um cara contando uma experiência em que ele sem querer cortou a jugular. Aí não tinha como, né. Como que eu ia fazer aquele bigode com a cabeça tranquila sabendo que em qualquer deslize eu poderia sair dali degolado?

 

Eu me barbeando seria um pouco pior que isso aí

 

Além disso, me contavam que ao raspar com lâmina, ele nasceria mais grosso. E tudo o que eu menos queria era ter um bigode. Daí eu ficava nessa sinuca de bico e não encontrava uma solução. Me restava aquele aspecto sujo de quem trabalhou duro em uma carvoaria por 3 dias sem parar. Era ridículo. Eu tava realmente perdido.

Foram meses e meses só com esse cocozinho acima dos lábios e mais nada. Nem pra me nascer uma porra de barba pra amenizar. As coisas não fluíam. Era SÓ o bigode. Bigode ralo é foda, cara. Bigode ralo é um negócio traiçoeiro. A não ser que você tenha um grupo de pagode com um nome tipo “Chocolate Sensual” ou “Sedussamba”, bigode ralinho não é algo que funciona na sociedade.

Então eu decidi que era hora de colocar um fim naquilo. Era hora de medidas drásticas.

 

 

Eu ainda não tinha a coragem de comprar uma Gillette e arriscar guilhotinar minha cabeça na pia do banheiro, então tive a brilhante ideia: “PO! UM MONTE DE GENTE SE DEPILA! VOU FAZER ISSO TAMBÉM! CACETADA COMO EU NUNCA PENSEI NISSO ANTES?”

 

“EU SOU UM GÊNIO!”

 

Eu tinha aquela panelinha de cera quente em casa? Não tinha. Eu tinha algum conhecimento no assunto para realizar a tarefa por conta própria? Não tinha. A única coisa que eu tinha ali era a motivação. Na minha cabeça o briefing era simples: você cola algo nos pelinhos e depois puxa.

Porra, não tinha mistério.

No meio da madrugada (não queria que meus pais descobrissem) concluí que era hora de agir. Abri meu estojo do NO STRESS -que, diga-se de passagem, era um belo estojo- e peguei um Durex. Isso mesmo, um Durex. Essa seria a ferramenta usada para a extinção do meu bigode.

 

Po que saudade desse tigrão

 

Como vocês devem bem imaginar, se Durex resolvesse as coisas não existiriam centros de depilação por aí. Aquela merda não resolvia nada. Eu puxava e saíam uns 7 pelinhos. Fui refazendo o processo por duas longas horas até não aguentar mais a dor e ardência da minha juvenil boquinha. Ah, sim. Eu fiz no quarto, sem espelho. Pra não correr o risco de ser pego no flagra no banheiro.

Fui dormir porque doía demais. Pelo lado bom, eu gastei um rolo inteiro de Durex pra acabar com aquele pesadelo na minha vida.

 

 

Acordei no dia seguinte, fui à cozinha tomar meu café e lá estavam meus pais. O diálogo matinal foi um pouco diferente do convencional.

 
– Bom dia
– Bom diMAS O QUE É ISSO NA SUA CARA?
– Hã?
– O QUE ACONTECEU COM VOCÊ?

 

Demorei alguns segundos até lembrar o que eu tinha feito

Quando fui no espelho, vi a catástrofe. Eu parecia um morador de Chernobil que decidiu não ir embora depois do acidente nuclear. Tipo, deu TUDO errado: a minha boca estava inchada, toda vermelha porque ficar puxando durex queimou a pele e A CARALHA DO BIGODE NÃO TINHA IDO EMBORA. Pior que isso, ele ficou lá parcialmente, todo falhado. Que inferno.

 

 

Como foi numa sexta-feira, fiquei o fim de semana inteiro naquele estado até poder ir num centro de depilação com a minha mãe. Foi humilhante. As pessoas me olhando na rua, as atendentes do local com aquele sorrisinho sacana e a depiladora perguntando o que tinha acontecido ali.

 
– Eu…eu fui me depilar com durex moça 🙁
– Mas durex não depila
– …você tá me destruindo por dentro, moça 🙁
– kkkkkk
– 🙁
 

No final deu tudo certo. Eu estava com a região do bigode limpinha. Sei que fui lá mais umas 3 vezes depilar até perceber que talvez ser degolado por uma Gillette doesse menos que aquela porra de cera. Daí pra frente virei homenzinho e comecei a me barbear como tal.

 
E evito chegar perto de qualquer fita adesiva sempre que possível. Não lido muito bem com traumas.