Alistamento Militar

Texto originalmente publicado dia 22 de Junho de 2014

 
Assim que fiz 18 anos, além de ter que ouvir daquele tiozão engraçadota coisas como “JÁ PODE SER PRESO HEIN RSRS” ou “JÁ PODE IR PRO PUTEIRO HEIN RSRS VOU TE LEVAR PRO PUTEIRO EIN RSRS”, eu tive que me alistar no exército. O alistamento é uma forma de mostrar que a vida adulta já começou e que ela vai ser uma merda. Entendo que a carreira militar possa soar incrivelmente maneira para alguns e eu mesmo cheguei a considerar a hipótese de servir. Até me tocar de um negócio…
 
…minha vida não seria isso.
 
Soldado
 
Nem isso.
 
Soldado 2
 

Por mais que eu quisesse viver uma vida G.I. Joe, ser um bravo guerreiro, salvar a pátria durante a guerra e resgatar o soldado Ryan, a minha vida seria isso:

 

soldado-3Pátria amaaada Brasiiiiiil
 

Comecei a ver o que era preciso para essa nobre tarefa que é servir o país: eu tinha que estar em uma junta de serviço militar da minha cidade com alguns documentos às SETE DA MANHÃ pontualmente. Servir o país já estava começando a ser menos nobre do que parecia.

Cheguei lá no dia marcado às SETE DA MANHÃ (sempre lembrando em Caps Lock esse horário miserável para o ser humano) e fiquei numa fila até as 9h. Aparentemente para você ser um bom soldado de guerra você precisa estar preparado para qualquer eventual espera de duas horas. Era como se eu estivesse em uma fila para um show incrivelmente feliz da Demi Lovato, porém sem a Demi Lovato e nem felicidade.

Entrei. Mais espera. Comecei a perceber um padrão: os caras que organizavam as coisas lá falavam bem alto, lentamente e de forma agressiva. Estávamos lá só para entregar uma porra de um documento mas parecia que dali a gente iria direto para a Alemanha nazista. Era uma coisa do tipo:

 
– VOCÊS DEVEM ESTAR COM A IDENTIDADE EM MÃOS. COMPREENDIDO, JOVEM?
– Err, sim. Ela tá aqui em mãos.
– A IDENTIDADE ELA NÃO PODE ESTAR EM OUTRO LUGAR, DE FORMA QUE FACILITE O PROCESSO
– Ok
– CONSEQUÊNCIAS GRAVES ACONTECERÃO CASO A IDENTIDADE NÃO ESTEJA EM MÃOS
– Eu já enten…
– SIE MÜSSEN AUF ALLES VORBEREITET SEIN!!!!!!!
 
 

doguinhoquê?

 

Fui encaminhado a uma segunda salinha (com a identidade em mãos, claro) e lá começou um segundo cara com a delicadeza de um rinoceronte a fazer perguntas. Se fosse uma sala escura com apenas uma luz em cima de mim e dois mafiosos ao meu lado observando um terceiro me interrogar, eu me sentiria mais à vontade.

 
– YGOR FREITAS, CERTO?
– Certo
– RESPONDA APENAS SIM OU NÃO.
– Sim
– 18 ANOS, CERTO?
– Sim
– VOCÊ QUER SERVIR?
– …não
– EU NÃO OUVI DIREITO
– Estaaaamos capitão  :D
– …
– Não.
– OK, SIGA ALI EM FRENTE E DAQUI A 30 DIAS APRESENTE-SE NO QUARTEL.
 

A primeira parte tinha acabado. Perdi 4 horas daquele dia só pra responder três perguntas. E só depois eu fui descobrir que aqueles caras sequer eram militares, eram só um bando de funcionários públicos se achando a porra do Capitão Nascimento. Paciência.

Passados os 30 dias, fui para o quartel às 5 da manhã. CINCO. DA. MANHÃ. Chegando lá, claro, mais fila. A diferença é que dessa vez tinham soldados de verdade e muita, MUITA gente estranha na mesma condição de espera que eu. Junta aí todos os figurantes de Carandiru, Cidade de Deus, Tropa de Elite e Cidade dos Homens. Era o calibre da galera que estava lá querendo servir o país. E não eram poucos. Pelo menos eles estavam lá correndo atrás de seus sonhos.

 

soldado-4Pátria amaaada Brasiiiil

 

Depois de umas 3 horas sem fazer nada além de aguardar (e, mais uma vez, sem a Demi Lovato no fim) cheguei na etapa do exame médico que consistia em: checar peso e altura, checar sua visão e checar se você tem alguma deficiência ou problema que te impeça de servir. Enquanto eu esperava minha vez, presenciei o exame de vista de um menino que, para fins ilustrativos, chamaremos de Cléber. Havia um painel na parede e Cléber tinha que dizer quais letras estavam nele. Cléber não sabia ler. O resultado foi a letra W ser chamada de “ipson”. Cléber era um batalhador.

Na minha vez, passei no exame de vista e tive que ficar sem camisa para um soldado médico que me perguntou se eu tinha alguma coisa que me impedisse de servir. Tudo o que sei é que comecei com daltonismo e daí falei tudo que era defeito que um ser humano podia ter. Sem sacanagem, falei até esquistossomose. Nunca caguei em um rio ou comi caramujo (perceba que não lembro bem como se contrai a doença), mas falei que tinha esquistossomose porque eu queria que ele me considerasse estragado demais para aquele quartel.
 
Deu errado. Passei para a próxima etapa, que era fazer uma provinha de múltipla escolha.
 
Sim, no exército você faz uma espécie de ENEM. Umas perguntas eram bem imbecis e outras eram sobre motor de jipe de guerra, um tema amplamente abordado pelo que costumam chamar de “ninguém”. Cléber a essa altura já tinha perdido as esperanças porque nesse meio tempo ele não teve a oportunidade de aprender a ler. A parte legal é que Cléber passou, a parte não legal é que eu passei. Eu iria servir. Teria que voltar naquele quartel alguns dias depois e ver para qual força armada eu havia sido convocado. Fiquei triste.

Voltei lá após alguns dias e, depois de muita fila e pouca Demi Lovato, descobri que havia sido convocado para a Aeronáutica. O tenente do exército me disse isso com as seguintes palavras: “aeronáutica? Quer dizer que temos um peixinho aqui. Boa sorte, rapaz”. Fiquei pensando na possibilidade de informar àquele senhor que a frase dele não fazia sentido tendo em vista que eu não possuía nadadeiras ou respiração branquial. Resolvi ficar quieto.

Resultado: descobri que “peixinho” é um cara com contatos dentro das forças armadas e que geralmente consegue alguma regalia, como a facilidade de servir na aeronáutica ou marinha, que são mais “elitizados”, pelo que entendi. E esse contato da aeronáutica é um amigo da família de patente altíssima (sei lá qual é o nome. Brigadeiro, major, não faço ideia) que me liberou. Hoje fico aliviado de saber que foi por muito pouco que não fiquei um período da minha vida dentro de um quartel.

 
 
Por outro lado, queria saber que fim levou o Cléber…

Morar sozinho

 

Já faz um tempinho desde que comecei a morar sozinho. Assim que peguei as chaves da casa nova, o meu primeiro pensamento foi “MERMÃO, AGORA SIM COMEÇOU A VIDA. VOU FAZER TUDO O QUE EU QUERO, VOU VIVER UMA VIDA DE REI, VOU PASSAR O DIA INTEIRO CHAMANDO A GALERA PARA FICAR ALUCINADA NAS MINHAS POOL PARTY”. Isso porque nem piscina eu tenho. Mas eu estava empolgadaço.

Chegando o grande dia, fui até meu novo lar com minhas malinhas e abri a porta. Sabe aquelas cenas de desenho onde o cara abre um baú do tesouro e vem aquele feixe de luz com uma música angelical? Foi basicamente isso, mas em vez do feixe de luz veio poeira. Muita poeira. A minha rinite ficou mais atacada que macumbeiro virado na pombagira. Nos primeiros dias era só limpeza. Puta merda, que inferno. Nem numa favela dentro do cu da Arábia Saudita devia ter tanta poeira quanto na minha nova casa. Como as minhas habilidades com tarefas domésticas são mais catastróficas que um chimpanzé com uma metralhadora, eu precisei da ajuda da Mariana.

 
Sério. Eu sequer sabia que vassoura era um negócio que existia de verdade, pra mim era coisa de Quadribol.

 

Vassoura

Minha Nimbus 2000

 

No geral, essa vida de single player é muito boa. É excelente ter um lugar só seu pra você fazer o que quiser, como andar pelado por aí tal qual faziam os selvagens no período paleolítico. O problema é que as coisas não se resolvem sozinhas. Quero dizer, uma vez eu deixei um prato na pia depois de comer e ele tá lá até hoje. Já surgiu ali um ecossistema tão bem complexo e resolvido que eu nem tenho mais coragem de interferir. O prato já é um patrimônio da Mãe Terra.

Poeira então nem se fala. Acho que depois de nazismo, adolescentes e guerras, a coisa que eu mais odeio é poeira. Eu tiro um dia inteiro pra limpar a casa, deixar ela UM BRILHO e no dia seguinte parece que uma tropa americana chegou direto do Afeganistão e resolveu sapatear na minha sala. Todo dia tem que limpar esse caralho. Se eu ficar uma semana sem limpar, ela fica igual um cenário de Dez Mandamentos.

 

PoeiraMinha sala meia hora depois de eu fazer faxina

 

“Ahhh, Ygão. Mas é só passar um pano né”. Broder…você não sabe o que nós donas de casa temos que viver. Tu já viu o preço dos produtos de limpeza? Essa indústria é uma máfia. Eu tinha um carinho tão grande pelas embalagens do Pato Purific até descobrir o preço de uma. Peguei uma implicância tão grande com patos que não posso ver um marreco na minha frente que já me bate aquele ranço.

O pior de tudo é ver que tem produtos caríssimos cuja função eu desconheço completamente. Tipo o TIRA-LIMO. Honestamente, eu não sei o que é limo, não sei o quão disposto o limo está a me prejudicar e como eu devo resolver meus problemas com ele. Se um dia aparecer limo aqui em casa, vai ter que ajudar a pagar as contas.

Ah, tem o DIABO VERDE. E isso não é uma conjuração avulsa no meio do texto. Tem realmente um produto de limpeza chamado DIABO VERDE e eu não sei como as donas de casa aceitam essa magia negra dentro do lar. Imagina um monte de senhora encapuzada no mercado escolhendo entre DIABO VERDE, SATANÁS AZUL e CRAMUNHÃO MAGENTA. Na embalagem as instruções são basicamente uma ameaça de morte “não deixa encostar na pele que seu pinto vai apodrecer” ou “cuidado para não espirrar nos olhos caso contrário os quatro cavaleiros do apocalipse vão te buscar”. Eu comprei o Diabo Verde porque as vozes me diziam que eu precisaria dele em algum momento.

 

Diabo Verde“Mate a sua família. Confie em mim”

 

“É, deve dar um trabalho limpar tanta coisa mesmo”, algum de vocês deve ter pensado. O problema é que eu sou tão inapto pra viver sozinho que NEM MÓVEIS eu tenho ainda. Tipo, tenho o necessário no quarto e no escritório, mas a única coisa que tenho na minha sala de estar é eco. Se você gritar uma palavra bem no meio dela, ela vai ficar ressoando por 40 minutos até o próprio som perceber que não tem nada pra se fazer ali e desistir da própria existência. Mesma coisa minha geladeira: só tem água e gelo. Isso quando eu lembro de encher as garrafas. O bom disso tudo é que você se torna bem mais inventivo e cria alternativas. Semana passada eu comi um guardanapo com ketchup.

É bem equilibrado porque pra cada lado ruim, tem um lado bom. O fato de não ter nada pra comer aqui me ajudou bastante com a questão dos insetos. Faz pouco mais de um mês que eu vi a última barata na minha porta com um chapeuzinho e uma maletinha indo embora, me desejando boa sorte.

Mas isso é necessário, é um aprendizado. Eu aprendi basicamente que não presto pra porra nenhuma. Se não fosse minha namorada aparecendo aqui ocasionalmente, era questão de tempo até um dia eu virar um cadáver tentando, por exemplo, instalar uma cortina.

Falando em cadáver, a pior parte de tudo é ter certeza ABSOLUTA que tem espírito nessa porra dessa casa. É a Sukita às vezes latindo pro nada, é um tal de barulho de porta abrindo na cozinha (provavelmente um espírito muito decepcionado vendo que não tem nada pra comer) e vez ou outra eu sinto que to dormindo de conchinha com alguém mesmo estando sozinho em casa.

 
Ok. Parando pra pensar, até que tenho uma entidade das sombras muito romântica vivendo comigo.
 

Mas se bate vontade de ir ao banheiro de madrugada, nem por um caralho que eu vou. Deu sede? Espero até de manhã. Fantasma é foda. Ele espera você estar num momento desses em que tu tá um lixo, tu nunca vê um fantasma enquanto está produzido pra night, com cheirinho de 212. É só em caso humilhante mesmo.

Se bobear, isso tudo aí é obra do Diabo Verde que eu comprei. Nunca pensei que a minha versão de Annabelle seria com um desentupidor de pias.


Uma das melhores coisas desse blog sempre foi o fator EXTRAS nos comentários, onde os leitores contam cada história sensacional que já aconteceu com eles. Fique à vontade para contar seus perrengues domésticos aqui embaixo.

Resenha: A Culpa é das Estrelas

Texto originalmente publicado dia 1 de Julho de 2014
 

O grande problema de chegar para alguém e dizer que gostou de um filme baseado em um livro é que as chances dessa pessoa ser uma imbecil são altas. Como você reconhece isso com precisão? Basta falar que achou o filme bom e ela automaticamente vai responder “PODE ATÉ SER MAS O LIVRO É MELHOR, É MAIS COMPLETO NÉ HIHIHI EU ACHEI O LIVRO MAIS COMPLETO PORQUE EU LI O LIVRO”.

Sim, sua filha da puta. Já viu quantas palavras existem dentro daquelas páginas? É claro que aquilo vai ser mais completo que o filme. Pare de se orgulhar só por ter lido uma caralha de um livro. Todo mundo sabe que o filme não é como o livro.

 
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Então, fui ver A Culpa é das Estrelas porque muita gente tem ido e também porque estou evitando esse negócio de ter personalidade própria. Acho que foi a primeira vez que fui ver um filme sem ter lido seu livro antes e o resultado foi gratificante: eu aproveitei completamente sem ficar preocupado com partes que faltavam. Mas qual é a desse filme, afinal?

 
Câncer.
 

O filme é cheio de câncer. Câncer pra caralho. Eu saí de lá e fui direto para uma ressonância magnética só por precaução. A porra do filme tinha que se chamar A Culpa é do Tumor porque seria mais sincero. E se você acha pouco, segura aí: tem câncer infantil, pra quem curte um filme com a garotada. Fico pensando em como funciona a cabeça de um autor que escreve uma obra assim, daí fui procurar quem era John Green no Google e essa foi a imagem encontrada.

 
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“O próximo é sobre AIDS hein”

 

Logo no começo do filme somos apresentados à Hazel Grace, a protagonista. A mina já aparece com uns tubinhos no nariz, mostrando que as coisas não estão boas pra ela e que em alguma hora vai dar merda. Ela, aos 13 anos, foi diagnosticada com um estágio avançado de câncer na Tireóide. E é assim que começa o filme: você engolindo em seco a ideia de uma criancinha linda com câncer até o talo.

A menina, depois de grande, fica numa bad vibe forte (é o mínimo quando você está morrendo) e os pais dela resolvem que ela precisa frequentar um grupo cristão de apoio a pessoas com a mesma condição que ela. Em resumo, é um muquifo no porão da igreja cheio de jovens com algum defeito de fabricação. Se entra o professor Xavier naquele recinto começa um filme do X-Men.

 
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“DIVIRTA-SE COM SEUS AMIGO DOENTE, FILHA”

 

Obviamente, ela acha o grupo de apoio uma merda e faz a rebelde, diz que não vai mais. Infelizmente não dá em nada, ela é obrigada a continuar por ordem dos pais, dos médicos e possivelmente das estrelas. Mas vejam só vocês, nesse mesmo point da derrota, ela acaba esbarrando com um menino chamado Augustus Waters e fica toda ouriçada.

Augustus, como vocês devem imaginar, é o príncipe Disney da história. Ele tem toda aquela pose de galã em um primeiro momento. Depois você começa a perceber que ele fica insistentemente olhando para a Hazel, muito seguro de si pra quem está num lugar daqueles. O ar de galã passa a ser o de um possível estuprador de meninas terminais de tanto que ele fica olhando pra ela. É meio apavorante. Mas não para Hazel, que já estava com a calcinha molhada há alguns minutos

 
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“Te devoro todo, moleque dengoso”

 

Durante a reunião do grupo, ele e o amigo se apresentam a todos. O amigo, cujo nome eu realmente não lembro, diz que está lá por uma complicação que o deixará cego em pouco tempo. Vamos chamá-lo de Cegueta. Assim que Cegueta acaba, Augustus começa a falar de si mesmo. Velho, que saco. Ele começa dizendo que deu um merdelhê lá com ele que resultou na perda de sua perna direita, daí ele vai e mostra a perna mecânica pra todo mundo, se achando o Mega Man. O discurso do menino ciborgue termina com ele dizendo que seu maior medo é não ser lembrado para sempre. Hazel, querendo chamar atenção, aplica a famosa SURRA DE ESCULACHO nessa visão de vida dele e fica aquele climão no ar.

 
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“E esse é o nosso amigo Agustus que acha que é o fodão de jaqueta, senhores…”

 

Na saída, enquanto Hazel espera sua mãe, vem ele todo galã de novo puxar assunto. O cara mete uns papos chatos pra caralho, tipo o Cazuza no filme dele, que ninguém entende porra nenhuma mas é tudo frase avulsa de fotolog e flogão. Ela sente o calor da paixão, ele a convida pra sair, eles saem juntos e daí pra frente você já sabe né.

 
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“Sua piscina estará cheia de ratos. Mentiras sinceras me interessam, vida louca vida breve.”

 

Ok, se você não sabe, é o seguinte: estamos falando de um filme cujo público consumidor é basicamente composto por meninas de 14 anos. Se o filme tem 2h de duração, pelo menos uma hora e meia aí é de ceninha mela-calcinha pra você se comover mais com o desfecho. Eles trocam livros, histórias e emoções. Ela diz quem é o autor favorito dela, ele entra em contato com o cara, tudo acontece de forma linda e você fica com cara de bunda na sala de cinema por nunca ter tido uma história de amor assim.

 
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Ela lendo o livro fofo dele

 

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Ela recebendo SMS fofo dele

 

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Ela vendo filme fofo com ele

 

Depois de 7059 cenas ~fofas~, chega um momento em que o escritor que ela mais admira os convida para um encontro em sua casa, em Amsterdã. Hazel fica LOUCAÇA de alegria e conta pra mãe. A mãe fica LOUCAÇA de alegria também mas diz que está sem dinheiro e Hazel se fode. Augustus sugere que ela gaste o desejo dela da Genie Foundation para poder viajar, entretanto, ela já havia gasto com uma viagem pra Disney (o que acho sempre um bom investimento). Augustus, novamente com aquele jeito de namorado que você nunca vai ter na vida porque é feia, age como um príncipe e usa o desejo dele para ir com ela.

Meu deus, que alegria. Tava tudo certo e os pais dela vão ao hospital para ver as condições e riscos de viagem. Os médicos ficam comovidos com toda a história e dizem “TÁ MALUCA VIAJAR PRA EUROPA Ô SUA PUTA? TÁ CHEIA DE CÂNCER NAS IDEIA E QUER VOAR DE AVIÃO PORRA? O CARALHO. VAI VIAJAR NÃO” de um jeito mais delicado.

Depois de um tempo, se tocaram de que Hazel vai morrer de qualquer jeito. Então os pais dela, Augustus e os médicos organizam tudo secretamente para que ela possa ir. “Surpresa Hazel! Você vai!”.

Quase chorei nessa hora. Foda-se, eu tava comovido. Bicha é o seu pai.
 

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Eu tava mais ou menos assim vendo o filme

 

Augustus faz de tudo para a viagem ser incrível. Aluga limousine, vai para hotel maneiro, leva para jantar em restaurante chique, bebem do melhor champagne e jantam a especialidade do chef. Tudo perfeito demais. Hazel estava apaixonada e também ansiosa pelo grande encontro no dia seguinte.
 

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“Vai rolar uma recompensinha depois, né princesa?”

 

No dia em que eles vão conhecer o escritor, a primeira decepção. O cara é um alcoólatra sem modos e trata os dois pior do que se trata um boi. Toda aquela cortesia aparente até o momento, era na verdade de sua assistente, que é uma delícia. O cara perde a linha: fala que não tá nem aí pra doença deles, que eles sobrevivem à base de pena e que tem mais é que ficar carequinha mesmo. A raiva sobe, Hazel grita com ele, Augustus levanta, a assistente delícia fica tensa, quase rola porrada. Seria um Casos de Família europeu, mas ambos decidem ir embora da casa desolados.

A assistente decide que eles não merecem aquilo e vai por conta própria levá-los para um passeio na cidade, sem o velho ignorante. Eles aceitam (porque, como dito anteriormente, ela é uma delícia) e vão para a casa onde morou Anne Frank (se você não conhece, vai dar uma lida no Google porque não sou professor de ninguém) e Hazel passa um perrengue subindo aquelas escadas e ficando sem ar. Você acha que ela vai morrer ali pois o filme basicamente é isso, mas ela chega até o final e conhece o quarto onde Anne ficou escondida.

Augustus e ela se entreolham. Acontece o primeiro beijo do filme. Um beijo sensacional, apaixonante, envolvente e extremamente romântico…NO QUARTO EM QUE UMA MENININHA JUDIA SE ESCONDEU POR ANOS PARA NÃO MORRER EM UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO. Eta porra de romantismo hein, Augustus? Ah, sim. Haviam várias pessoas em volta. Assim que acaba o beijo, todas elas aplaudem DENTRO DO QUARTO EM QUE UMA MENININHA JUDIA SE ESCONDEU POR ANOS PARA NÃO MORRER EM UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO. É a cena mais “que porra é essa, gente” do filme.

 
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“Me dê uns cato aqui onde os nazistas fizeram a limpa, Augustus meu amor”

 

Augustus, depois do passeio, manda a real. Ele diz que a situação dele é pior do que parecia, bem pior, e que ele vai morrer mesmo. O tempo dele já não era muito longo. Ah, sim, por outro lado, no final da noite eles fazem aquilo que as meninas pueris e delicadas entendem por “a primeira vez”. Vou aproveitar esse spoiler aqui e dar um spoiler sobre a vida também: não vai ser assim. Vai ter muita dor, sangue, sofrimento e no dia seguinte você vai achar que está grávida.

Daí pra frente, o filme é uma roleta-russa. Você sabe que tá prestes a rolar uma morte, mas não sabe quando, então é aquilo: ele vai parar no hospital e você “É AGORA MEU PAI” e nada. Ele volta vivão. No meio de uma madrugada o celular de Hazel toca e você “PUTZ AGORA VAI HEIN” e nada. Dentro do seu coração uma voz vai dizer “MORRE LOGO CARALHO EU TO AFLITO AQUI JÁ” e, quando você menos espera, ele morre.
 

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“Ô filha, calma. Logo logo você vai estar com ele lá no céu…”

 

É aquela tristeza foda, né. Eu tava boladaço já, imagina a Hazel. No velório, quem aparece é o escritor ignorante. Hazel e Cegueta fazem o discurso final que Augustus queria que eles fizessem e mano, é lindo. Hazel vai para o carro e o escritor meio que tenta se redimir com ela, porque na verdade, a menina com câncer de seu livro era sua própria filha e ele era amargurado por ter que conviver com isso. Hazel que é a ignorante dessa vez e enxota o velho pra fora do carro. A última coisa que ele faz é entregar uma carta para ela.

Em casa, Hazel e Cegueta estão conversando. Cegueta diz que a carta que o escritor quis dar a ela era o depoimento final de Augustus, que nesse momento do filme permanecia morto. A última cena do filme é a Hazel lendo a carta com as belas palavras dele sobre aquilo que eles viveram em tão pouco tempo.

 

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“Po Hazel eu até leria pra tu mas não tá dando mais não kkkkkk flw”

 

No fim do filme, ao acender das luzes, você precisa obrigatoriamente olhar para todas as pessoas do cinema. É um mar de derrota. Mulher com lencinho, menina com olho todo vermelho, uns caras meio abatidos e um puta climão de enterro. Não vejo tanta tristeza assim desde Marley & Eu.

NOTA: 8,5

Porque a história é bem legal e cumpre bem sua função que é te deixar triste pra caralho. Você se envolve bem com o filme. Mas a porra da galera aplaudindo o beijo foi imbecil demais. Ninguém fica aplaudindo beijo dos outros na rua, sério.

Diarreia Infantil

Texto originalmente publicado dia 21 de Janeiro de 2012

 

Todo ser humano precisa se alimentar e, consequentemente, concluir o processo digestivo.

O problema é que -desconsiderando a possibilidade de você ser um mendigo- você não pode sair cagando por aí e a necessidade de expelir nossas fezes (cagar, no caso) nem sempre se manifesta num local propício para o ato. Quero dizer, vai me falar que você nunca suou frio por estar prendendo o que aparenta ser 3,5 toneladas de cocô por não ter aonde ir? Se não, você não sabe o que é viver no limite. E eu sinto pena da sua vida tediosa.

Lidar com esse tipo de situação já é difícil quando você é adulto. Agora imagine uma criança de 13 anos passando por isso. Vamos lá…

Eu estudava no Colégio Iguaçuano na época, sexta série, pré-adolescente e cheio de sonhos. O dia tinha aquele ar estranho, de que algo daria errado. E foi na aula de matemática entre frações e equações que ela veio. O mais estranho é que não foi aquela dor de barriga que vai acumulando, ela chegou do nada, sem dar nem um bom dia.

Como não era a minha casa, o pensamento inicial foi “vou prender porque não defeco na rua. Sou uma criança de princípios” mas era como se eu tivesse tomado dois litros de Activia no dia anterior e estivesse com cocô acumulado até o esôfago. Comecei a suar gelado, contraindo o esfíncter de forma que a cena equivalente era de uma pequena marmota saindo de sua toca para pincelar de marrom um lençol do lado de fora.

Pedi à professora para ir ao banheiro e percorri o que aparentou ser o caminho mais angustiante da minha vida. Dois andares com a vista embaçada, suor no rosto e um senso de direção e raciocínio consideravelmente afetados. Entrei no banheiro como uma chita na savana e fui direto para a última cabine.

*Vamos, nesse ponto da trama, atentar ao detalhe de que sempre usei camisetas grandes e a do uniforme escolar não era uma exceção.

Sentei no assento sanitário e deslizei o moreno com uma pressão de aproximadamente 75 atm. Para quem não é muito íntimo dos conceitos da física, é como se eu estivesse peidando uma pequena bombinha amarrada num foguete da NASA explodindo. O alívio foi imediato. Mas ainda tinha muita merda por vir. Literalmente. ~humor~

 

cazalbe

 

…tá, desculpem-me pelo trocadilho.

Devidamente aliviado, eu deveria terminar o procedimento padrão, voltar para a sala de aula e assistir ao final da aula de matemática para que o dia seguisse normalmente. Aquele dia infelizmente era hipster demais para ser como todos os outros e estava disposto a foder minha vida. Eu havia cometido o pior erro que um aluno do Iguaçuano poderia cometer no banheiro: fui direto para a cabine.

Explico. Uma peculiaridade do banheiro daquela escola era a questão do papel higiênico, que não se dispunha individualmente nas cabines mas sim num grande rolo no início do corredor para que o usuário pegasse antes de…levar a Alcione pro Water Planet. Como o II é um blog INFORMATIVO, fiz uma planta fiel à estrutura do banheiro para que vocês entendam.

 

mapinha
Ygor Freitas Arquitetura e Planejamentos®

 

Logo, com a carga despachada, eu me vi numa situação desagradabilíssima: esqueci de pegar o papel higiênico antes de fabricar o Snickers. Em cerca de 15 minutos começaria o intervalo geral da escola e todos iriam ao banheiro. Eu me vi numa cena de filme de ação, com a contagem regressiva rolando. Um Jack Bauer que lidava com cocôs. Minha criativa mente infantil não teve dúvidas do que fazer quando olhou para o meu pé e viu uma meia. E vá se foder, não me julgue. Eu era uma criança, era o que eu tinha ali.

Limpei meu simpático bumbum com a meia e percebi que havia OUTRA COISA errada. Lembra que eu disse que usava camisetas grandes? Então, ela tava meio pesada e eu me dei conta de que no desespero, havia esquecido de dar aquela levantadinha nela antes de sentar e aí foi estado de calamidade, meu querido. Eu nunca imaginaria que uma criança poderia pensar em suicídio, mas ali eu vi que existem casos.

Eu precisava agir. Tirei a camisa de forma tão escrota que acabei com coliformes nas costas e no cabelo, fazendo aquele rastro ao longo do percurso, tipo uma listra.

 

carrinhoIsso é o máximo que posso fazer para vocês visualizarem como eu fiquei

 

Caso você ainda tenha dúvidas: sim, eu já estava chorando. Chorando e cheio de cocô no corpo sentado no chão de uma cabine sanitária. Se a Loira do Banheiro aparecesse ali eu acho que até ela teria pena daquela criança que parecia ter saído de um esgoto do cu da Índia. Engoli o choro e pensei nas possibilidades. “Tirei o excesso” da camisa e o resto do meu corpinho eu limpei…

 
…com a outra meia.
 

Eu já não ligava mais para o conceito de dignidade. Voltei à ação. Como era só a parte de baixo da camisa que estava suja, botei pra dentro da calça, molhei o cabelo na pia e voltei pra sala. TODOS ME OLHANDO. Eu crente que era porque a camisa pra dentro da calça estava charmosa. Sentei me sentindo o cara, até que minha amiga Carolina vira pra mim e fala “cara, cê tá todo cagado né? Que cheiro é esse?”. Olhei de novo para a turma que, em vez de me achar charmoso, estava possivelmente cochichando “aposto que é merda. Ele tá cocozento, certeza” e rindo de mim. Saí de sala, fui para a secretaria da escola, pois eles forneciam roupas extras em casos de emergência e dei de cara com o diretor.

Sinceramente, acho que para a situação ficar pior, só faltou ele me expulsar e me mandar uma equipe do zoológico me buscar. Mas fui extremamente conciso e pedi por uma nova camiseta.

 
– Olá, Seu Edilton. Eu preciso de uma camiseta nova.
– Tudo bem. Qual seria o motivo?
– Bom, nada de muito grave além do fato de eu estar COM COLIFORMES FECAIS ATÉ NA MINHA ALMA
 

Seu Edilton, homem de bem, me deu uma camiseta e voltei para o banheiro para me trocar viver feliz para sempre.
 

Tenho quase certeza de que até hoje o zelador se pergunta antes de dormir o que aconteceu naquele banheiro para ter duas meias e uma camisa no lixo, paredes e pia, todas sujas de excrementos infantis.

A propósito, não me lembro de ter dado descarga.

Estaca Zero

 

Eu sou um merda.

Não tem maneira mais apropriada de começar esse texto do que enfatizando que eu sou um merda. Vamos lá…

Uma hora ou outra a gente acaba tendo que enfrentar nossos demônios pessoais. Eu recebi muitas mensagens com perguntas sobre o que tinha acontecido com o Improbabilidade e, na maioria das vezes, ignorei porque era triste demais responder.

Numa bela manhã de quinta-feira…PLUFT! Meu bloguinho azul havia sido apagado. Acabou. Virou peido no vento e a culpa foi inteiramente minha. E mermão, você não sabe como é desesperador procurar culpados quando na verdade o erro está todo nas suas costas. Perdi o período de backup da hospedagem e acabei descobrindo da pior maneira que quando isso acontece, já era. Chorei um tico, conversei com o pessoal da GoDaddy, chorei mais um tico, fiquei um mês no vazio existencial e, passado todo esse luto…chorei mais um tiquinho. Aí sim comecei a reorganizar minhas ideias,

A primeira opção foi deixar pra lá. Fingir que nada aconteceu e seguir em frente. Mas cara, isso era mais triste do que aquele episódio em que o Ash deixa o Charizard para trás (inclusive, Ash Ketchum da cidade de Pallet, se você estiver lendo isso, você foi um ARROMBADO). Eu não conseguiria abandonar o blog definitivamente. Foram 10 anos da minha existência que passei escrevendo. Cada post era um registro de alguma fase da minha vida. Eu não consegui dar adeus.

(Viu, Ash? Seu SOCIOPATA)

A segunda opção era fazer aquelas mil gambiarras de importação, trazer os textos antigos sem edição, reorganizar de onde eu parei e essa chatice toda. Tem um copo na minha pia que eu to pra lavar tem 3 semanas, tu acha mesmo que eu vou organizar as coisas pra ficarem do jeito como elas eram? Mas nem por um caralho.

A solução final é essa aqui. Bem vindos ao Improbabilidade. Vai recomeçar do zero. Os textos antigos serão repostados aos poucos. Os que vocês mais pedirem, os que eu lembrar, etc. Afinal de contas, esse não é um blog comercial. É um pedaço da minha vida e eu nunca mais vou deixar mais de 80 textos sem serem publicados porque eu pensava “ain, a galera não vai gostar”. Se eu quisesse galera eu fazia um churrasco ao som de Arlindo Cruz.

Esse blog é para os poucos e bons: os que acompanham há anos e eu nunca vou me sentir bem sabendo que os decepcionei.  Vocês sabem quem vocês são, eu sei quem vocês são. Obrigado por estarem comigo até aqui.

Ao contrário daquele lixo humano do Ash. Nossa, como eu odeio o Ash.

 

vlcsnap-2013-03-10-13h22m44s67Olha esse cretino

 

E agora, pra finalizar o post de maneira GLORIOSA uma foto de uma FÊNIX para mostrar que esse blog renasce das cinzas com glamour e estilo.

 

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popó!

 

PS.: vamos começar de maneira bacana. Qual post antigo vocês querem pra essa quarta feira? To pensando em uma resenha na sexta, um post clássico na quarta e um post novo nas segundas. Decidam aí nos comentários.