Resenha: Harry Potter e o Cálice de Fogo

Então, eu comecei a ver os filmes de Harry Potter pela primeira vez e tava registrando esses momentos aqui. Parei um tempão porque talvez eu não estivesse preparado o suficiente, mas vi essa semana o Cálice de Fogo e, depois de muita espera, tenho uma resenha nova. Espero que gostem.

 

O Gobleto de Fogo

 

A primeira cena já te deixa ciente de que vai ter barbaridade nesse filme. Começa com um velho crente crente que ia participar de um filme do Harry Potter. Não durou 3 minutos. Uma cobra X9 avisa pro Voldemort que tem um senhor de idade ouvindo a conversa deles e ele toma um Avada Kedavra bem no meio das ideias.

Você pode até pensar “meu deus que crueldade” mas o que vem a seguir é infinitamente pior. Harry e a família do Rony tendo que acordar 5 da manhã pra fazer caminhada junto com o Edward Cullen. Eu não sei exatamente o que aconteceu do terceiro pro quarto filme, mas aparentemente nesse meio tempo ninguém penteou o cabelo uma vez.

 

Ó esse ninho de passarinho

 

Eles estavam indo para a copa mundial de quadribol. Lá o pessoal fica em umas barraquinhas que nem na Campus Party, mas quando você entra nelas, a parada tem uns 3 quartos, suíte, sala de jantar e escritório. Harry fica maravilhado com aquilo.

 

A carinha de quem tá maravilhado

 

Mas aqui entre nós, é de deixar puto né? O moleque tá há QUATRO ANOS só vendo feitiçaria braba todo dia, tem conhecimento do mundo bruxo, entende como funcionam as coisas e ainda fica nessa de “meu deeeus que mágico”. Porra Harry, te orienta irmão. A maior surpresa que teria ali era você entrar na barraca e realmente ser uma barraca.

Jogaço de quadribol, porra muito bom mesmo. Não tem cena do jogo mas com certeza foi muito show. De noitinha, pós-partida, tá geral na barraca quando começa um corre-corre. Geral fugindo desesperado. Se não é arrastão é o rapa passando pra levar produto de bruxo muambeiro.

 

Alá o barata-voa que foi

 

Eram os COMENSAIS DA MORTE. Maluco, que zona do caralho. Sabe a cena de Rei Leão que o Simba e o Mufasa estão no meio da debandada dos gnus? É basicamente isso. Assim, eu to meio por fora da questão do desarmamento no mundo dos bruxos, mas porra, se metade daquela galera tem varinha, já dava pra controlar a situação. Eram umas mil cabeças contra meia dúzia de comensal. Pra mim dava pra ganhar, mas quem sou eu?

O saldo final foi de destruição. Um dos bruxos envolvidos no esquema mandou um sinal pro céu deixando bem clara a motivação dele

 

 

Sacanagem. Foi outra

 

 

Esse cara fica frente a frente com Harry e, francamente, um cara que joga uma caveira dessas no céu, não é um cara de boa índole. Ele vai com certeza esculachar o nosso bruxinho, mas chega um pessoal do Ministério e ele mete o pé. Só sobra o Harry lá e adivinha quem eles acham que é o culpado? Isso mesmo.

 

“Perdeu playboy tu vai virar boneca de bandido em AZKABAN”

 

Tá, vamos pra parte importante do filme. Vai rolar o Torneio Tribruxo lá em Hogwarts. Eu até ia dizer que os últimos 3 filmes deixam bem claro que já é uma má ideia fazer QUALQUER coisa em Hogwarts. Um torneio com pessoas de outros países é o pessoal pedindo pra dar merda.

O torneio é basicamente uma daquelas gincanas que a gente via no Faustão, só que com um risco bem mais alto de você virar cadáver. São 3 bruxos, um de cada escola, competindo pra ver quem ganha um troféu. Ou pelo menos sobrevive com todos os membros do corpo. Os times são:

 

AS BLOGUEIRAS DE BEAUXBATONS

 

 

O GRUPO DE STREET DANCE DO INSTITUTO DURMSTRANG

 

 

…e essa galera que a gente já conhece.

 

Nesse meio tempo a gente conhece o novo professor de Defesa Contra Artes das Trevas, o Alastor Moody. O clima da aula é meio pesado porque o cara já vai de cara passando uns feitiços mais porretas. Rola Imperius, Cruciatus e a Avada Kedavra. Um é pra controlar sua mente, outro pra torturar e o terceiro é o pegou-matou. Fica bem claro que o professor é meio piroca das ideias, o que faz a gente repensar todo o processo de contratação daquela escola.

 

“Hoje vamos aprender endolação de cocaína”

 

Hora de botar os nomezinhos lá no cálice de fogo (que é o nome do filme, olha aí) pra ver quem serão os sorteados na gincana da morte. O Cedrico vai lá e coloca o nome dele. O Cedrico vai muito morrer.

 

“Eu vou muito morrer”

 

Daí são sorteados a belíssima Fleur, Vitor Krum e o Cedrico. O Cedrico vai morrer pra caralho.

 

“Eu vou MUITO morrer pra caralho.”

 

MAS OPA PERA LÁ. O QUE ESTÁ ACONTECENDO? O CÁLICE ESTÁ REVELANDO…MAIS UM NOME? plau. Harry Potter. Óbvio. O filme é dele, tu acha que ele ia ficar só assistindo? Claro que não. Ele é o Harry Potter porra.

Climão. O Harry, como sempre, tomando na jabiraca. Rony fica puto da vida. Os professores estão preocupados e o velho caduco do Dumbledore resolve que o melhor é usar o Harry de isca mesmo porque …foda-se, né. Se saíram mais livros é porque ele não vai morrer agora.

Potter fica muito tenso, desnorteado e sem uma força maior para recorrer. Por isso ele ora bastante e encontra Jesus Cristo de Nazaré numa fogueira.

 

“coé mlk fmz?”

 

Brincadeira. É o Sirius Black. Ele manda na lata pro Harry: “Hogwarts não é mais segura”. Na real essa porra nunca foi, mas acho que bruxo tem mais dificuldade de entender algumas coisas e depois trouxa é a gente. Ele fala que alguém colocou o nome do Harry lá pra prejudicar mesmo, que é pra ele ficar de olho.

 

“fik de olho mlk”

 

Tem uma cena aqui que é o Draco fazendo bullying no Harry. É só isso. Essa cena tem o único intuito de mostrar pra vocês que o Draco ainda existe. Lembra dele? O loirinho oxigenado com cara de quem tá sentindo cheiro de cocô o tempo inteiro.

 

“Continuo a sentir cheiro de defeco, Potter!”

 

Enfim, começa o torneio que QUALQUER UM ALI poderia simplesmente falar “parou, parou. Vai dar merda isso aí”. O Harry tem que lutar com um dragão revoltado com a vida e pronto pra matar o primeiro bunda-mole que aparecer na frente dele. Harry é esperto e pega a vassoura dele pra voar e se dar bem. Daí a porra do dragão se solta das correntes. ZERO ESTRUTURA. ALÔ PREFEITO.

E como todos os meus leitores possuem um conhecimento de vida acima da média, não preciso nem dizer que dragão é um bicho muito do filha da puta. Dragão não tá nem aí pra nada, ele quer zonear, quer arrumar quizumba. Dito e feito: ele descaralha o telhado todo da escola e aí eu quero ver quem é que vai pagar a reforma dessa porra.

 

“DISGRAAAAAAÇA”

 

No final das contas o Harry consegue pegar o ovo, fica tudo bem e vida que segue. No período de tempo entre um desafio e outro, a escola funciona normalmente porque né, o ENEM tá aí e não pode dar mole. Nisso eles estão no bandejão e o Rony recebe uma roupa para usar no baile.

Eu só to trazendo essa parte específica aqui porque geralmente quem entrega encomendas são corujas, mas dessa vez veio um garoto aleatório e eu gosto muito de imaginar como foi decidido isso na sala dos roteiristas.

 
– Então, tipo, a caixa é muito grande pra uma coruja aguentar
– Não pode ser com mais 3 corujas?
– Não porque coruja não é organizada assim. A galera vai sacar fácil.
– Ah. Bota um molequinho qualquer então e foda-se.
– Fechado
 

 

“Oi ganhei esse papel justamente pra te entregar uma encomenda Sr. Weasley.

 

A cena do baile é basicamente pra você lembrar que a Emma Watson é uma das meninas mais bonitas que já pisaram nesse planeta e que o Neville se amarra numa novinha porque ele chegou na Gina. Ah, sim. A Gina aceitou. Não sei quem tá mais errado nessa história.

Depois o Cedrico chega pro Harry e fala assim “po fera valeu por ter me dado aquela moral lá falando dos dragões. Vou te dar uma moral também. Tá ligado o banheirão? Vai pra lá e de repente a gente dá uma zoada mas só na broderagem mesmo”. O Harry vai e descobre o segredo que o levará até o segundo desafio.

 

“Vai ser no lago lá. Não enche mais meu saco não”

 

O desafio acontece em um lago e os 4 campeões precisam nadar para resgatar algo valioso. Aí tu me pergunta “po deve ser um cordão de ouro né? Um relógio Invicta” mas não. São QUATRO CRIANÇAS AFOGADAS. Tipo, eles simplesmente pegaram 4 crianças que não tinham nada a ver e deixaram lá. Se morrer morreu.

Duas delas eram o Rony e a Hermione. Quer dizer, os caras não estão nem aí mesmo. O Harry tenta salvar duas pessoas ao mesmo tempo mas é abordado por um arrastão tal qual em Copacabana, só que formado por uns polvos. Ele se safa em último lugar. Mas o Dumbledore fala que como ele salvou duas vidas (que o próprio Dumbledore colocou lá), ele vai ficar em segundo. Alegria.

Mas senta aí que lá vem mistério:

O Bartolomeu, num papo descontraído com o Harry, é interrompido pelo professor Moody. Este, por sua vez, tem um tique nervoso bem escroto com a linguinha. O Bartolomeu nota isso e faz uma cara de “ih rapaz…”

 

“Ih rapaz…”

 

Depois o Bartolomeu é encontrado morto. Dumbledore toma uma atitude de diretor e… bom, ele não faz absolutamente nada. O torneio vai continuar porque este idoso já perdeu o bom senso há mais de 200 anos.

PROVA FINAL. O labirinto. Basicamente você tem que entrar lá e pegar a taça. Seria ótimo se o ambiente não te deixasse DESCOMPENSADO DAS IDEIAS. Broder, o Krum quase mata a loirinha, o Cedrico quase morre. Uma bagunça. O Harry em vez de pegar a taça que tava na frente dele, volta pra ajudar o Cedrico. Daí eles pegam a taça juntos e PLOFT

 

Eles aparecem num cemitério.

 

Dá pra ver que uma das lápides ali tem escrito o nome da família do Voldemort, então coisa boa aquele lugar não é. A cicatriz do moleque começa a arder e ele vê o Pedro Pettigrew com algo estranho nas mãos:

 

UM VOLDEMORTINHO HSDJKGHKDGAHFHDS

 

JSDHGASLDGJALKG olha esse Voldemort. Bom os sorrisos estão gostosos mas agora acabou a parte feliz porque o Pettigrew dá um Avada Kedavra à queima-roupa no Cedrico. E é isso. Está morto Cedrico. Sem cerimônia, sem frase final. Cedrico não sabe como morreu até hoje.

 

“porra agora vou ter que fazer Crepúsculo”

 

O Pedro Pettigrew começa a fazer a macumbaria dele pegando um osso do pai do Voldemort, a própria mão e umas gotas do sangue do Harry. Deixa em banho maria com o fogão ligado a 200º C e joga o Voldemort Fetinho lá dentro. Isso faz com que ele chegue à sua forma completa

 

Que é isso aqui

 

Francamente? Se fosse pra voltar assim eu preferiria nem ter voltado. O cara não pode botar um Ray-Ban por exemplo porque não tem nariz. Mas ok, cada um com seus problemas. Voldemort chama os comensais da morte através daquela caveira no céu e todos eles chegam. É tipo uma chamada de Skype só que cheia de feiticeiro vacilão. Um deles é o pai do Draco, esse arrombado.

Eles e o Voldemort ficam tricotando um tempinho e daí ele decide que “po, taí, vou matar o Harry Potter. Tá geral me zoando porque eu não consegui então eu vou matar o Harry Potter”. As cenas seguintes são empolgantes demais porque porra, é briga de varinha

 

alá, Dragon Ball Z demais

 

Nisso os espíritos do pai e da mãe do Harry aparecem pra ajudar. O do Cedrico também, mas espírito é foda porque tu não pode ser gentil que eles já se aproveitam da sua boa vontade.

 

“Harry leva meu corpo de volta?”

 

Porra Cedrico aí tu fode o rolê, né. O cara tem tipo uns 3 segundos pra fugir e ainda tem que carregar corpo de marmanjo? Aí tu me quebra, Cedrico. Mas o Harry tem o coração bom e faz isso. Ele consegue escapar daquela merda que se meteu e voltou para o centro da arena com o corpo do Cedrico.

É uma cena emocionante. O Beiçola vem ver o filho do corpo e chora desesperado.

 

“Ô Dona Nenê

 

O Moody vai consolar o Harry e leva ele pra salinha. Só que broder, ele tá meio esquisito. A gente descobre que é ele que tava roubando a poção polissuco do Snape. E ele vai bagunçar o Harry. Mas aí o Snape e o Dumbledore chegam a tempo e descobrem que o filho do Bartolomeu era o cara com o tique da linguinha que fez todas as merdas desde o início do filme.

 

“caraca baita plot twist”

 
 

Daí o filme acaba. E é isso. Voldemort tá 100% e vai tocar o terror. Anota aí o que eu to te dizendo.

 

Resenha: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

Bom, como eu havia dito, o meu conhecimento de Harry Potter acabava no terceiro livro. Esse, até então, foi o meu filme favorito e depois dele eu não faço a menor ideia do que me espera. Então, só pra relembrar, aqui estão as resenhas de A Pedra Filosofal e a de A Câmara Secreta. Você pode começar por elas, mas também pode começar por onde quiser. Eu honestamente não ligo, só to aqui pelos elogios. Então vamos lá…

CHORA CAVACO

 

Harry Potter e o Detento de Azkaban

 

O filme começa daquele jeito que a gente já espera: muita judiaria com o menino Harry. O moleque tá na maciota usando a varinha dele como lanterninha dentro do quarto e o tio gordo esbaforido fica abrindo a porta pra pegar ele no flagra. Parecia eu querendo ver televisão de madrugada quando meus pais me mandavam dormir. Como todo castigo pra bruxo é pouco, vem para visitar a família uma outra tia gorda mais insuportável ainda.

Ela é daquelas tias gordas insuportáveis que a gente só chama pro natal em família pra não fazer desfeita, e claro, ela odeia o Harry também. Durante uma proveitosa refeição, a mulher começa a falar um monte de coisas sobre os pais do nosso protagonista e a paciência dele vai se esgotando aos poucos:

 
– Harry Potter você sabia que seu pai era alcóolatra?
– Pare.
– Harry Potter você sabia que seu pai roubava chiclete nas Lojas Americanas?
– Pare com isso.
– Harry Potter seu pai tem a discografia completa do Teatro Mágico
– CHEGAAAAA!
 

“Harry Potter sua mãe masturba mendigo, Harry potter.”

 

Harry está na puberdade e agora é um adolescente revoltado e cheio de respostinhas. Nos dois últimos filmes a gente via ele sofrendo calado, mas agora o garoto possui domínio da ARTE DO ESCULACHO™ e bate de frente com a tia gorda. Não só bate de frente como resolve usar uma mandinga pesada na mulher e ela vira um balão. Os Dursleys ficam cheios de mimimi e o Harry putaço das ideias decide fugir de casa. Ahh, a adolescência.

 

“E se reclamar eu roubo os eletrodoméstico pra comprar droga”

 

Não demorou 3 quarteirões pra ele se tocar de que se a vida dele era difícil, agora seria difícil e sem um lugar pra morar. Daí surge o primeiro problemão: o moleque tá na calçada com as malinhas dele (sem a Edwiges. Vamos deixar bem claro aqui que ele abandonou a coruja) e surge um CACHORRO. Europa é outra coisa né. Se fosse aqui no Brasil surgiria um menor infrator e levaria a mala do Harry.

Antes de acontecer qualquer coisa, chega do nada um ônibus alheio às regras de trânsito e Harry embarca. Porque entre ficar perto de um cachorro e entrar em uma van clandestina, todos nós sabemos que van é a opção mais sábia. A condução o leva até o Ministro da Magia que, em vez de APLICAR A LEI, diz que tá tudo bem e que é pra ele não fazer de novo. Ainda dá uns livros pro garoto. Esse é o país da impunidade NÉ, HARRY CORRUPTO?

 

“Que isso senhor eu sou estudante senhor. Tenho passagem na DP não senhor”

 

Depois disso as coisas começam a ficar bem. Harry encontra Hermione e Rony, todos ficam felizes e é chegado o momento de começarem as aulas. Todo mundo pega aquele Expresso da Alegria que vai até Hogwarts. Os 3 dividem a cabine com uma pessoa estranha que está coberta e dormindo. Mas pra quem foge de casa, entra em kombi ilegal e faz magia negra, aquilo não é nada demais.

Ao longo do percurso eles botam a conversa em dia até que o trem dá uma pane. Tudo fica escuro e frio. Do nada o Expresso da Alegria já não é mais tão alegre assim. Rola aquele clima de tensão no ar e na janelinha da cabine deles surge um pedaço de pano velho bem alto e, curiosamente, com vida. Ele abre a porta e começa a dar uma sugada nas good vibe do Harry. Normal. O cara que estava dormindo, em questão de segundos acorda e o salva com um desses feitiços bem iluminados.

Uma das maiores mentiras do filme, inclusive, é essa. Pode até ter um cobertor sujo roubando sua alma, mas NINGUÉM NO MUNDO acorda com essa disposição que ele acordou. Esse anormal é Remo Lupin, professor de Defesa Contra Arte das Trevas.

 

 “Oieee!”

 

Chegando em Hogwarts é aquela coisa boa de se ver, aquele banquete, musiquinha e o caralho a quatro. Dumbledore dá as boas vindas a todo mundo e, como não podia deixar de ser, deixa bem claro que teria mais merda na escola esse ano. Ô lugar pra ter problema, hein. Vou te contar. Dessa vez a treta é com um fugitivo de Azkaban, Sirius Black. Para evitar que os alunos saíssem morrendo por aí, eles colocaram uma porrada de dementadores ao redor de Hogwarts.

Dementadores são aquele bando de lençol de mendigo que ficam sugando a alma da criançada. E nada melhor do que evitar um assassino na escola colocando uma porrada de assassinos voadores rodando por aí. Dumbledore já está meio caduco e enquanto um estudante não morrer esse velho não vai sossegar.

 

“Os dementador são tipo o BOPE então cês fiquem pianinhos na parada ok?”

 

Hogwarts tem um esquema meio avulso de colocar um quadro falante na entrada de cada casa. A da Grifinória é uma mulher fortinha que gosta de chamar atenção. E conseguiu: ela tem uma cena só dela cantando antes de abrir a porta. Daí a gente pula para outra cena imbecil do Harry e seus amigos tomando umas drogas de fazer barulho, tudo isso só para mostrar que no meio de tanta felicidade pode haver muito perigo. Corta pra cena fora de Hogwarts.

 

Alá o perigo

 

Primeira aula do filme: Introdução à Cultura Hippie. A professora parece uma estudante de Ciências Sociais ou Filosofia, dessas que participam de passeata e têm uma noção meio torta da vida, curte astrologia e os caralho. Ela ensina a ver o futuro no restinho de Nescau que fica no nosso copo. O de todo mundo é cheio de coisas boas e mistérios intrigantes. Aí vem o do Harry:

 

O que para nós significa “porra nenhuma”

 

Eu e você, pessoas de bem, vemos apenas as pelotinhas de achocolatado. A riponga parece não ver exatamente isso já que a cara dela não é nem um pouco convidativa. Em vez de explicar, ela faz um drama do cacete e quem diz com sábias palavras o que está rolando é o nosso amigo Kenan & Kel.

 

“A casa vai cair pra tu, Potter. Tu te segura que lá vem merda, meu nego”

 

E a porra da mulher serviu nesse filme para um total de: nada.

 

“Mas ow, quer comprar uns artesanatos pra ajudar o centro acadêmico do meu curso?”

 

Segunda aula: aula do Hagrid. O cara que dava banho nos bichos de Hogwarts virou um professor e todo mundo passou a gostar mais dele. Fica aí a dica para o amigo motoboy que lê o blog e acha que nunca será dono da empresa: siga seus sonhos.

No caminho para a aula, o Draco resolve marcar presença na trama e fica de bullying pra cima do Harry por causa do lance do dementador. Eu só quis ressaltar isso para confirmar que ele continua com aquela cara de quem tá sentindo cheiro de cocô constantemente:

 

“Há você de convir comigo que há um forte aroma de defeco no ar, Potter”

 

Inclusive…

 

 Se liga nesse gordinho

 

Bom, Hagrid apresenta à criançada um tal de hipogrifo chamado BICUÇO. Não sei que porra passou na cabeça do tradutor para achar esse nome bom, então tomarei a liberdade de fingir que ele é um hipogrifo italiano e vou chamá-lo de Bicucci (lê-se “Bicuti”, para melhor aproveitamento). Hagrid explica como lidar com o bicho e Harry é o primeiro a dar a cara a tapa. Sucesso total. O moleque voa mais bonito que Aladdin em O Mundo Ideal e, quando volta, Draco fica com inveja. O cretino vai pra cima de Bicucci e toma uma patada venenosa pra ficar esperto. Sei que ele não vai morrer porque já vi o trailer do quarto filme, mas ficou aquele pingo de esperança.

Partimos para a aula de Defesa Contra Arte das Trevas, essa matéria cheia de credibilidade que todo ano tem que mudar de professor. O mais legal até então, Lupin, decide ensinar pros nossos Chiquititos da Magia como lidar com um aterrorizante monstro.

Lúcifer? Exu Caveira? Não. Um Bicho Papão, claro.

Ele explica que o troço toma a forma de seu maior medo e que você precisa apontar a varinha pra ele e falar o feitiço “AFF, RIDÍCULOOO” que ele passa a não dar medo. O primeiro a enfrentar a criatura é Neville Longbottom, aquele garoto que você fica com raiva só de olhar a cara dele.

 

 “Meu maior medo é usar um aparelho ortodôntico, professor”

 

Neville enfrenta um Snape, Rony enfrenta uma aranha, uma menina indiana avulsa (essa que está olhando fixamente para você na imagem acima) enfrenta uma cobra e aí vem a vez de Harry. Assim que ele olha pro bicho, surge um edredom de morador de rua voando em sua direção. Lupin entra na frente de Potter para salvá-lo, o dementador vira uma lua cheia (SEGURA ESSA INFO AÍ) e a aula acaba. Isso, Harry estragou o cacete da aula inteira.

Como é regra de roteiro o protagonista sempre se foder um tico para criarmos afeição, rola uma excursão ultra irada que todos os amigos de Harry vão, menos ele porque ninguém assinou sua autorização. Ele aproveita esse tempo sozinho pra bater um papo com Lupin. A gente descobre que ele era um grande broder dos pais de Harry e é a parte do filme em que o menino ouve coisas boas sobre seu passado.

 

A carinha de quem tá ouvindo coisas boas

 

Lembra do quadro da moça rechonchudinha que queria chamar atenção no início do filme? Pois é, conseguiu de novo. Nessa parte está um fuzuê nas escadas porque ela tinha sumido, a tela dela estava rasgada e, quando finalmente a encontram, ela diz que foi Sirius Black. Tensão.

Mais uma cena de aula de Defesa Contra Arte das Trevas, mas quem entra em sala dessa vez é Snape com o seu velho cabelinho oleoso. A cada dia que passa fica mais claro que a maior treva desse homem é usar uma porra de um shampoo, porque não é possível esse cabelo, cara. Tipo, não tem UM chuveiro em Hogwarts?

 

 “Hoje vamos combater a Redken, a L’oreal e TRESemmé”

 

Ele não explica por que Lupin não está na área mas todos sabemos que deu alguma merda com ele. Só dá merda com esses caras dessa matéria. Tem coisa aí, escuta o que eu to falando. Snape vem com uns papos tortos sobre lobisomem, faz umas perguntas nada a ver, Hermione aparece DO NADA, responde e toma um esculachinho. Coitada da garota.

 

 “Eu vou ficar muito gata um dia e tu vai se arrepender”

 

TOCA SKANK QUE AGORA É PARTIDA DE QUADRIBOL. O clima é uma chuva do caralho e pessoal voando sem medo de morrer nessas vassouras que atraem raio. Foda a segurança dessa instituição, viu. No meio da acirrada partida, surge o Pomo-de-Ouro e Harry vai com tudo atrás da bolinha voadora. O Pomo, cheio da má intenção, vai subindo cada vez mais alto e o tonto indo atrás. O maluco chega na estratosfera quando percebe que vai dar problema pra ele. Dito e feito: um monte de dementadores cerca o garoto.

Aí não tem nem como te ajudar, né Harry? Tu procurou sarna pra se coçar. Agora tá aí cheio de pano de chão chupando tua alma.

Harry não aguenta a pressão e cai da vassoura. Sim, Harry cai de 800 mil metros de altura em queda livre. Como não é uma trilogia, terão outros filmes e ele sobrevive. A vassoura, por sua vez, quebrou.

 
H A R R Y P O T T E R S O B R E V I V E . A V A S S O U R A N Ã O .
 

 

 Por que ele sempre faz essa cara de má-digestão?

 

Lupin diz que vai ensinar todos os Jiu-Jitsus da magia para Harry porque se as coisas continuarem nesse ritmo o nome do próximo filme seria Harry Potter e o Cadáver do Menino Harry. Além disso, mais coisas boas: aqueles gêmeos perturbados irmãos do Rony dão para nosso amigo um mapa super bacana chamado Mapa do Maroto:

 

 Mapa do Maroto

 

 Mapa do Sorriso Maroto

 

O mapa é o seguinte: ele é um papel de padaria sem nada escrito, mas se você aponta a varinha para ele e diz “juro solenemente que vou zoar o barraco”, ele revela um mapa com a localização live-action de todos em Hogwarts. Para fazer tudo desaparecer, é só apontar de novo a varinha e falar “humildemente toquei o puteiro”.

É aquilo que já falei: o Harry tem uma capa de invisibilidade e um mapa desses. Ele pode usar PARA TUDO, mas não, o cara vai procurar problema. Stalkeando a conversa dos outros, Potter descobre que o Sirius não tá pegando leve e esse é mais um filme em que ele vai se foder e sair cheio de machucado na cara. Daí tem um monte de cena enche-linguiça. O importante é sabermos mesmo que Pedro Pettigrew, um cara que tinha morrido, estava com o nome circulando pelo mapa.

 

Mistérios da meia-noite

 

Então, voltando rapidinho na história. Sabe quando o Hagrid deu a aula com o hipogrifo e o Draco levou um peteleco do Bicucci? Você acha que ficou por isso mesmo? Não. Ele contou pro papai e Lucius Malfoy decidiu com o tribunal que Bicucci deveria ser sacrificado. Não tinha Greenpeace que resolvesse aquela situação. Os caras foram até a casa do Hagrid e sentaram a foice no passarinho. Rony, Harry e Hermione veem a cena de longe e foi uma tristeza só.

 

 Queria tanto um abraço da Hermione também

 

Do nada, o rato do Rony o morde e corre até as proximidades de um salgueiro lutador. Agora vai ser aquele merdelhê de final de filme que conhecemos: a porra do cachorro do início do filme finalmente ressurge, pega a perna do Rony e puxa ele pra dentro do Salgueiro. Harry e Hermione vão atrás, mas a árvore percebe que a essa altura do filme o Harry ainda não está com a cara toda ralada e providencia isso rapidamente antes dos dois entrarem no Salgueiro também.

 

 Agora sim

 

Essa é a melhor parte do filme. Parece último episódio de novela da Globo, puta que pariu. Fico até arrepiado. O que acontece? O Rony tá lá dentro todo acuado quando Harry e Hermione chegam. Eis que atrás deles está Sirius Black. Tu imagina o quanto que não trancou o cu dessa criançada nessa hora. Sirius mete a real: diz que a hora da vingança chegou, que ele passou 12 anos preso por causa de um traidor X9 filho da puta e aponta para Rony.

 

 “Vacilão morre cedo”

 

Rony faz aquela cara de imbecil de sempre e diz que ele não fez nada. Sirius diz que o arrombado da história é o rato do Rony. Ninguém entende nada e acha que o cara é piroca da cabeça mesmo. Aparece o Lupin. Alívio. Lupin mostra ser amigo de Sirius. Revolta. Ambos mostram que o rato é o traidor Pedro Pettigrew. Confusão. Surge Snape para atrapalhar tudo. Timing Ruim. Harry usa magia no Snape. Ousadia. É chegada a hora de Pettigrew morrer. Tensão. Harry diz que ele precisa ficar vivo para que Sirius seja perdoado e descubram a história real. Frouxo.

 

 “Olha o micão que tu tá pagando agora. Todo mundo te olhando.”

 

Ao que parece, tudo se resolveu. Eles saem do salgueiro e está uma belíssima noite de lua cheia. Daí o Lupin começa a ter uns piripaques. Tá vendo aquela lua que brilha lá no céu? Ela transforma o professor num lobisomem meio pelado. Pronto, se tava tudo bem, não tá mais. É perseguição, é Sirius quase morrendo, é Harry salvando ele, uma luz salvando Harry, um salva-salva do caralho. No final fica tudo bem.

Parcialmente bem. Quando os três jovens acordam na enfermaria, Harry descobre que Sirius foi condenado à morte. Dumbledore diz que existe uma forma de eles consertarem isso e salvarem duas vidas.

Eu não vou me dar o trabalho de tentar explicar o que foi essa parte da viagem no tempo porque francamente eu só aceitei essa porra. Mas acredita em mim: o Sirius fica vivo e o Bicucci também. A Hermione usou no filme todo um pingente mágico de voar no tempo e o Harry ganhou uma vassoura nova do Sirius. Ê coisa linda.

 
Ficou tudo bem no final e agora vamos para o Cálice de Fogo…

Resenha: Harry Potter e a Câmara Secreta

Caso você não tenha lido a resenha sobre Harry Potter e a Pedra Filosofal, você pode começar por aqui. Caso já tenha lido mas mesmo assim tem uma certa dificuldade no aprendizado, essa é a resenha do segundo filme. Então vamos direto ao ponto…

RODA O VT

 

HARRY POTTER E A CHÂMBARA DOS SEGREDOS

 

Assim como no primeiro, o filme começa com aquela judiação que a gente já sabe qual é: Harry mora com os tios e vive uma vida de escravo boliviano da Zara. Petúnia e Valter Dursley têm um filho gordo irritante chamado Duda e tratam Harry pior do que se trata um boi. O gordinho afetado, por outro lado, é extremamente mimado pelos pais. Tudo isso faz o Harry ser meio chateado com a vida.

 

A cara do gordinho

 

Nesse filme, tio Valter já começa mandando a real: naquela noite ele receberia visitas para uma importante reunião de negócios e se o Harry zoneasse essa reunião, o tio Valter zonearia a bunda de Harry. O bruxo, obediente que só, responde que ficaria em silêncio no seu cantinho. Assim que as visitas chegam, Potter vai para seu quarto e dá de cara com uma porra de um elfo usuário de crack na cama dele.

 

“Coé, tio. Tem um trocado pro lanche aí?”

 

A reação do moleque foi muito tranquila, tendo em vista que se fosse eu, já estaria rezando uns três pai-nosso ou gritando. Ou os dois ao mesmo tempo. Dobby (esse é o nome do cracudinho) é claramente perturbado das ideias e vem com uns papos tortos pro Harry de que ele não tem que voltar pra Hogwarts e que vai dar merda se ele for. Quero dizer, se me aparece um caralho de um bicho desses DO NADA falando pra eu não ir pra escola, eu é que não vou discutir. Harry não porque Harry é mala. Ele estressa o duende maluco, que por sua vez faz um cagacê nervoso na reunião dos Dursley.

Como prometido, tio Valter zoneia a bunda de Harry e o tranca dentro de seu quarto de forma que ele não tenha contato com o resto do mundo e nem volte para Hogwarts. Taí uma família equilibrada. Você pensa que Harry deixou por isso mesmo? Pois você está certo. Ele só fica olhando quieto de dentro do quarto igual um imbecil. Não rola nem um terror psicológico por parte do bruxo, tipo…

 
– Eu sou seu tio e você ficará trancado neste quarto!
– EU SOU FEITICEIRO E VOU MATAR O SEU FILHO
– Hã?
– EU SOU É LOUCO EIN TIO. TE ENFIO UMA NIMBUS 2000 NESSE SEU RABO
– Calma Harry, deixa eu tirar essa grade aqui.
– EU SOU É LOUCO!!!!
 

“Caceta…”

 

Ok, Harry está trancado. Todos nós já ficamos de castigo uma vez na vida e com ele não seria diferente. No meio da madrugada acontece algo que certamente já aconteceu com todos nós: um carro voador surge do nada para nos sequestar. Quem está no veículo são os Weasleys, o núcleo baixa-renda da série. Harry, claro, acha tudo normal, faz as malas e pega a coruja dele para meter o pé na estrada. Não o culpo. Depois de ver um gnomo trincadaço de pó eu entraria em qualquer carro voador que aparecesse.

Chegando na casa dos Weasleys, fica bem claro que eles não são pobres. Eles são FODIDAÇOS. Se você reparar bem, eles usam vidro de requeijão como copo, roupinha no botijão de gás e uma bandeira do Flamengo pendurada perto da mesinha comprada nas Casas Bahia. Vamos conhecendo melhor a família até que quem resolve dar o ar da graça na cena é Gina Weasley, irmã do Rony Weasley.

 

“Eta caralho é o Daniel Radcliffe na minha sala”

 

Gina parece muito com a irmã de uma amiga minha que sequer me atreverei a dizer o nome para vocês adolescentes retardados com amor platônico não ficarem procurando (Victoria). Nessa cena entendemos que ela tá cheia da má intenção com o nosso protagonista e que é hora de fazer compras naquela 25 de Março dos bruxos. Beco alguma coisa. Já esqueci. Vou no Google não. Azar o de vocês.

Com a ajuda de um Pó de Pirlimpimpim, os Weasleys podem se teletransportar de uma lareira para outro lugar qualquer. Ou seja, foram voando de carro pra casa do Harry só pra arrumar ideia. Talvez o pó só sirva pra ir a um lugar específico, esses bruxos são meio foda, nunca vou saber. O ponto é: eles vão todos para o Beco Diagonal.

 
Sim, fui ao Google.
 

Relembrando, ou pra quem ainda não viu o filme, o Beco Diagonal é tipo o Mercadão de Madureira aqui do Rio. Só que em vez de artigos para macumba, eles vendem artigos para bruxaria. Essa Gina com certeza vai virar na Pombagira em algum momento do filme porque ela tem carinha de quem bate tambor em encruzilhada pra Ebó.

Climão: em uma livraria Saraiva que está rolando tarde de autógrafos, Harry é reconhecido e todo mundo ama o menino. Exceto Draco Malfoy, que também está lá mas não vai com córneos do protagonista. Eles são inimiguinhos. Draco tem um nome maneiro, porém um cabelinho meio escroto e uma cara de quem está sentindo cheiro de cocô constantemente.

 

“Cagaram neste local e presumo que tenha sido Potter”

 

Somos apresentados ao pai de Draco, um homem com cara daqueles membros de moto-clube que usam jaquetas com JAVALIS DO ASFALTO escrito nas costas. Ele já chega cheio das alfinetadinhas do tipo “hmmmm, essa aqui é mestiça. É bruxa cabocla. Hermione, né? Hmmm, esse aqui é pobre, usa roupa falsa da Abercrombie e Nike Shox. Rony Weasley, imagino” e ninguém vai com a cara dele. No meio de alfinetadinhas dos dois lados, ele joga um livro a mais no baldinho de Gina. Anota aí: vai dar merda.

 

“Eu tenho HORROR a pobre”

 

Vou ser sincero, daí pra frente você vai ter uns bons minutos com nada de relevante no filme. Vou agilizar pra você o que acontece:

 

O Rony faz umas caras engraçadas

 

Hermione fala algumas coisas inteligentes

 

O cabelo do Snape continua oleoso

 

Umas partidinhas de Quadribol

 

Aí começam os mistérios de Hogwarts, claro. Porque pelo visto TODO ANO dá alguma merda nessa escola. O Harry começa a ouvir uns sussuros nas paredes, começa a achar que tá loucaço das ideias e isso se repete em diversos momentos do filme. Como não podia deixar de ser, vem a parte chocante: surge uma mensagem de sangue na parede com os dizeres “QUEM FALOU QUE A BOCA É TUA?”, deixando todos preocupados e desorientados.

Mais pra frente, a mesma coisa. Uma porra de fantasma está, de alguma forma, morto de novo e um garoto petrificado na cena do crime. Quem é o primeiro a chegar no lugar e parecer culpado? Claro, nosso bruxinho desgraçado. Ô vida ingrata a desse menino. Acham que ele é o causador daquilo e o moleque tem que correr atrás do prejuízo.

 

Olha a lambança

 

Nessa parte específica do filme aconteceu algo intrigante: eu dei uma cochilada e meio que me perdi na trama. Sei que quando acordei o Harry tava escrevendo em um diário que respondia ele e ainda o inseria numa realidade aumentada. Coisa chique mesmo. Pelo que entendi, vagabundo tava achando que a culpa das paradas de uma câmara secreta era do Hagrid e botaram o cara no xilindró pra viver o diário de um detento.

Harry e Rony vão tirar satisfação com uma aranha gigante que bota os meninos numa cilada, os dois quase morrem e eu percebo que realmente não devia ter dormido porque já não estava entendendo mais porra nenhuma.

O que eu sei é que no final das contas, levaram a Gina pra tal câmara secreta e iam desossar a menina toda. Quem estava escrevendo as mensagens com sangue na parede era ela, porque, como eu disse, ela tava virada na Pombagira. Eu avisei. Harry, Rony e o professor bunda-mole entram no esgoto da escola pra desvendar esse probleminha básico na vida de qualquer pessoa de bem.

Harry consegue encontrar Gina a tempo, pouco antes do desmanche, e quem ta lá? O Tom Riddle. Não demorou 5 frases pra ficar bem claro que esse cara é do LDRV. Ele diz alguma coisa bem importante sobre ele ser o Voldemort e que ia bagunçar o corpitcho da Gina mas eu só conseguia imaginar ele falando sobre algum boy magia que conheceu na Farme de Amoedo.

 

“Mana, posso te contar uma tour?”

 

“TRAVESTI NÃO É BAGUNÇA”

 

Papo vai, papo vem e do nada surge um Basilisco boladão, uma cobra de 50 mil metros cheia de dente na boca e um olhar de quem não curte muito uma social com a galera. Antes de ela esculachar Harry, chega no recinto a galinha de fogo do Dumbledore, que faz um estrago nos olhos da cobra gigante e facilita as coisas.

Harry pega uma espada e depois de uma intensa cena de combate onde o bicho enfia uma presa no braço do garoto, o Basilisco vem a óbito. Harry bate boca com o Voldemort gay e descobre que vai morrer com o veneno da cobra. Descobre também que se enfiar o dente do Basilisco do no livrinho, o Tom Riddle vira purpurina aos poucos (aqui entre nós, queria ver se essa porra não desse em nada. Estaria morto o menino Harry).

Ok, Potter ganhou, mas ainda ia morrer porque mordida de Basilisco é foda. Fawkes, o frango flambado de Dumbledore volta de novo e o salva de morrer com uma choradinha milagrosa. No final é aquela mesma coisa de sempre: todo mundo feliz, umas piadinhas e vamo que vamo pro terceiro filme.

 

“Caralho, que resenha ruim”

 

 
Foi o meu melhor. Agora cês me dão licença que vou ver o Prisioneiro de Azkaban.

Resenha: Harry Potter e a Pedra Filosofal

“NOSSA, 2017 E ESTE ARROMBADO ME VEM COM UMA RESENHA DE UM FILME DE 2001?″ é uma pergunta muito justa. Ok, vamos lá: quando eu era criança, gostava de livros do Menino Maluquinho e do Níquel Náusea. Um dia, indo comprar um desses quadrinhos na livraria, a vendedora chegou para a minha mãe e disse que não tinha Menino Maluquinho mas que tinha chegado “um livro que os jovens estão lendo bastante por aí”. Era Harry Potter e a Pedra Filosofal.

Com esse argumento indiscutível, a vendedora convenceu minha mãe a comprar o cacete do livro. Olha, eu fiquei é muito do puto quando cheguei em casa e abri aquela merda. Eu que lia páginas cheias de cores e desenhos fiquei desnorteado com aquele troço cheio de letras e nenhuma ilustração. Como era o que tinha, comecei a ler e acabei gostando. Li o segundo, li o terceiro e parei por aí. Minha história com Harry Potter se encerrou no Prisioneiro de Azkaban porque a partir daí eu me achava bom demais para acompanhar a série e desde 2004 nunca mais tive contato.

10 anos depois me toquei que eu era um babaca e precisava colocar um fim nessa história. Como eu não me lembrava de nada, minha namorada fez pressão para eu assistir aos filmes. Então achei que era necessário registrar minha aventura através desses reviews.

Além do fato, claro, de que o blog é meu.

LIBERTA DJ

 

1
Tadã tãdadã tadãaa tã

 

O filme já começa com tragédia. Harry Potter ainda é um bebê e já tá mais órfão que todas as meninas de Chiquititas juntas. Professora Minerva e Alvo Dumbledore, um senhor com 307 anos de idade, decidem que o melhor para aquele menino sem pais e vítima de tentativa de homicídio era passar os próximos 10 anos morando com os tios abusivos dele. Pelas roupas, cabelo e barba desgrenhada do Dumbledore, acredito que as pessoas tenham simplesmente desistido de discutir com ele.

Nas cenas seguintes você só fica mais indignado com aquela família. Os tios só esculacham o menino feiticeiro e o gordo mimado fica gritando por qualquer merda. Harry tem uma aparência esmirradinha, um jeitinho sofrido, mas você vê que ele é do bem e foi um guerreiro de passar esses últimos anos sem cortar os próprios pulsos.

Nesse dia específico é aniversário do Duda (o gordo) e eles vão ao zoológico. Chegando lá, a gente descobre que Harry Potter é meio doente da cabeça porque ele começa a conversar com uma cobra. Depois de 10 anos levando surra de cinta e morando embaixo de uma escada, é compreensível que em algum momento você venha a puxar assunto com um réptil. A cobra responde, o gordo fica louco, cai dentro do cativeiro, a cobra foge, uma zona do caralho.

 

2
“coé parcero mta mulherada por aqui?”

 

Depois do furdunço todo, o moleque fica de castigo e as coisas seguem normalmente na casa dos Dursley, até o dia que uma coruja chega com uma carta pra Harry.  O tio fica puto da vida e joga a carta fora, mas como o sistema postal da região é muito bom, cerca de 300 mil corujas fazem questão de encher a casa daquela família de cartas. Os tios ficam loucos com aquilo, tentam evitar a qualquer custo mas não adianta. A única solução sensata daquele homem é fugir para uma ilha deserta cheia de tempestade no meio do nada.

 

O mais impressionante é como uma imobiliária conseguiu vender isso pra alguém

 

Começou aniversário do Harry. Chega nesse barraco marítimo um homem com 3 metros de altura quebrando a porta. Puta merda. Já achei que ia rolar tragédia no recinto. Mas tava tudo bem, era o Hagrid. Aparentemente pra você fazer parte do mundo da bruxaria você precisa ter um aspecto de quem não toma muito banho.

Hagrid entrega em mãos a carta pro Harry e manda a real: “mermão, tu pode até não vir comigo, mas aí tu vai ser um bostolão”. Harry, que não quer ser um bostolão, vai. Eles ficam amigos e vão fazer comprinhas no Beco Diagonal, que é um camelódromo de bruxos que vendem, dentre artigos mágicos, alguns iPhones roubados, jogo pirata de PS4 e um número considerável de calças Korova.

 

Se fosse no centro do Rio de Janeiro, só nessa cena a gente já tinha presenciado uns dois arrastões

 

Harry explica cheio de humildade que ele não tem grana e Hagrid fala pra ele ficar calmo que tá tudo no esquema já. Eles vão para Gringotts, que é basicamente o Santander do mundo dos bruxos. A única diferença é o nome porque até os funcionários são iguais.

 

 e aí jovem quer abrir uma continha universitária?

 

Harry descobre que tem uma herança muito da gorda e logo depois vai com Hagrid até outro cofre para ele pegar um negócio secreto. Quem vê de fora acha que é droga. Mas tu não chega pra um cara de 3 metros de altura e pergunta se ele tá envolvido com tráfico de entorpecentes, então fica o mistério no ar.

Comprinhas feitas, hora de pegar o trem. Porque bruxo tem que fazer as coisas do jeito mais difícil possível: trem. Imagina a situação. Você é um bruxo, pode voar, pode soltar magia, pode bater tambor pra Oxossi e mesmo assim tem que pegar um trem. Como se não fosse um meio de transporte bosta o suficiente, pra chegar na plataforma tu tem que enfiar a testa numa parede.

 

Pra mim bruxo gosta é de complicar as coisas

 

É nesse momento do filme que Harry conhece Rony, o menino pobre. Eles ficam amigos também e dividem a mesma cabine. Papo vai papo vem, Rony e Harry curtindo a dinheirama do menino órfão comprando doces e vivendo o sonho, quando chega na cabine a Hermione sendo um dos seres vivos mais insuportáveis que já vi em toda minha vida.

 

“ai vcs já ouviram falar de marketing multinível?”

 

Como a desgraça pra quem anda de trem nunca vem desacompanhada, a criançada ainda tem que pegar um monte de jangadinha pra chegar até Hogwarts. Aparece o castelo pela primeira vez e eu não faço a menor ideia de como aquela estrutura daquele tamanho na BEIRINHA de uma encosta ainda não foi condenada pela Defesa Civil. Mas quem sou eu pra julgar? Certeza que é bruxaria que segura.

 

 

Lá dentro a Dona Minerva leva aquele monte de criança cheia de fome para um banquete, onde elas iriam descobrir em que casas ficariam.

 

Na hora que a cera quente dessas velas começar a pingar quero só ver a merda que vai ser

 

O processo seletivo pra descobrir em qual casa você passará o resto da sua vida é assim: você coloca um chapéu. E é isso. Não tem um ENEM, um quiz, um teste Capricho, nada. O chapéu simplesmente decide o resto da tua vida porque ele é um chapéu que fala.

 

“Quem for protagonista vai pra Grifinória. Quem for trambiqueiro vai pra Sonserina. O pessoal imbecil vai pra Lufa-Lufa e o que sobrar é Corvinal”

 

Ou seja, Harry e os amigos vão pra Grifinória, Draco e os amigos vão pra Sonserina e…bem, o resto tá lá né. Daí pra frente é um monte de cena mostrando como é a vida em Hogwarts, as crianças tendo aulas de macumba aplicada, conhecendo os professores, mostrando que o Snape é o professor azedo e tudo aquilo que você provavelmente já sabe mas mesmo assim leu até aqui.

A parte importante nisso tudo é mostrar que o Harry na aula de vassoura voadora tinha NASCIDO PRA ISSO e lá pra frente ele vai ser o Neymar do quadribol. Ah, outra coisa importante que passou despercebida por muita gente é que os efeitos especiais dessa cena foram feitos em um Nintendo 64.

 

alá

 

Nesse andar da carruagem, você, junto com Harry, começa a achar que o Snape tá envolvido com coisa errada. Tem um campeonatinho de Quadribol que o menino Potter quase morre e fica aquele clima de que era o Snape tentando dar um cabo na vida do garoto. Tem também o lance do TRASGO NAS MASMORRAS, que ficam achando que quem soltou o bicho foi ele

 

 Trasgo pra quem não sabe é um Shrek mais alto

 

Ou seja…o cerco tá se fechando pro Snape. Lembro que quando eu vi o filme na época, eu era totalmente Team Potter. Hoje eu compreendo totalmente o lado do Snape que quer trabalhar e um monte de criança catarrenta espertinha fica enchendo o saco do cara. A gente amadurece.

Enfim, dentro da escola tem um cachorro gigante com 3 cabeças tomando conta de algo. Harry, Roninho e Hermione cismam que Snape quer pegar esse algo, vão xisnovear pro Hagrid e acabam descobrindo que tem um cara chamado Nicolau Flamel no esquema. O maior mistério nessa parte é o tanto de cocô que aquele bicho deve fazer. Tu imagina o cheiro desse castelo.

 

 Essa decoração de shopping mostra que chegou o natal em Hogwarts

 

Harry ganha de presente uma capa de invisibilidade. Um garoto nessa idade tem 40 mil ideias do que fazer se tivesse uma capa de invisibilidade…

…menos Harry Potter. Ele vai pra uma biblioteca caçar livro. Eles eventualmente acabam descobrindo que esse Nicolau é o criador da Pedra Filosofal, olham para a câmera, falam “POR ISSO O NOME DO FILME” e dão uma piscadinha. Mentira, isso não acontece. Mas eles cismam que o Snape quer muito pegar a Pedra Filosofal.

Nessa de querer ser CSI, as crianças acabam pegando uma detenção. O castigo é ajudar o Hagrid na floresta negra. Sim, você não leu errado: a punição por andar pela escola à noite é você ser mandado pra resolver merda no meio de uma floresta assombrada. Eles descobrem que tá rolando muita morte de unicórnio na região, então o Hagrid decide que o melhor é eles se separarem. Vou repetir com caps lock caso não tenha ficado muito claro…

O HAGRID VÊ QUE TEM ALGUM TROÇO MATANDO UNICÓRNIOS E DECIDE “AH…VAI EU RONE E HERMIE POR AQUI, VAI TU, O DRACO E ESSE CACHORRO CARCOMIDO POR ALI”. Se abrir um inquérito do tanto de criança que já deve ter morrido em Hogwarts, acho que a justiça embarga o lugar.

 

deus me livre guarde

 

A testa de Harry começa a arder e eles ficam de cara com o tinhoso devorando um unicórnio. Eu já tinha desmaiado fácil. Mas o Harry se manteve forte, foi salvo por um centauro e, assim como todo mundo que é salvo por um centauro, bate um papo com ele. O bicho explica que aquilo é coisa de Voldemort e como criança é burra eles entendem “isso é o Snape tentando ajudar o Voldemort”

Vou resumir pra você o que acontece: eles vão até aquela sala com o Fofo resolver essa pendenga de uma vez por todas e no final, bem no ápice, eles descobrem que o filha da puta da história era aquele professor bunda mole do Quirrel. Era ele que tava de gracinha com o Voldemort e acabou morrendo no combate contra o Harry. Frouxo da porra.

 

 “Eu não acredito que to tomando um sacode de um moleque de 10 anos”

 

Voldemort perdeu. Harry ganhou. No final, quando tem a contagem de pontos, Harry é considerado um heroi, Grifinória leva a melhor e tudo dá certo.

 
Bom…exceto pelo fato de que ele vai ter que voltar pro cativeiro dos tios.

Meu primeiro show de rock

Texto originalmente publicado no dia 19 de março de 2015
 

Até os meus 18 anos, se não me engano, eu nunca tinha ido a um show ao vivo. Quer dizer, teve um do Detonautas no Réveillon de Cabo Frio. Só que Detonautas é aquilo né, não dá pra falar que você foi a um show deles sem correr o risco levar um soco bem dado no meio da têmpora. Minha vida era essa merda aí.

Até que em 2010 recebi a notícia de que ia rolar no Rio de Janeiro um show com as bandas Carbona, Gramofocas e Costanzas. Deus que me perdoe, mas eu fiquei tão empolgado que na hora eu senti o meu pintinho descolando de meu saquinho. Fiquei mais ansioso que uma directioner e liguei na pro amigo Zé para contar a notícia.

 
– Alô
– ZÉ PUTA QUE PARIU
– Quem é?
– É O YGOR, ZÉ. VAI TER SHOW
– Quê?
– SHOW DO CARBONA COM OS GRAMOFOCAS AQUI NO RIO
– COMO ASSIM ETA PORRA CARBONA E GRAMOFOCAS
– BORA?
– EU DIGO BORA. ONDE É?
– Na Lapa
– Ô merda…
 

Naquela hora caiu a ficha de que nada nessa vida é perfeito. A porra do show poderia ser em qualquer lugar, mas não…ia ser na Lapa.

Pra quem não está familiarizado com Rio de Janeiro, eu explico: a Lapa, na teoria, é um bairro boêmio da cidade. Ponto turístico que chama atenção de turistas do mundo todo tanto pelo visual de dia quanto pelos bares e música ao vivo à noite. Na prática a Lapa é um dos nove infernos de Dante. Imagina aí um tsunami que em vez de água tem urina, chorume, gente querendo te assaltar e barulho pra todo lado. Essa é a Lapa.

 
Ilustrando melhor, essa é a Lapa de dia

 
E essa é a Lapa de noite


 

Ou seja, já não era tão bacana assim a ideia de ir ao show. Além de tudo, esse muquifo era longe demais da nossa casa. A gente teria que virar a noite por lá pra conseguir pegar um ônibus de manhã pra Nova Iguaçu e rezar pra não perder tudo (inclusive a vida) no meio do caminho de volta. Ser suburbano é uma bosta.

Mas era Gramofocas, cara. Nós fomos mesmo assim. O grupo era eu, Zé, João Victor e Bernardo. Estaríamos por conta própria naquele lugar e lá encontraríamos outros amigos. O evento aconteceria no extinto Cine Lapa, um buraco que mais parece um cenário de Jogos Mortais, só que com muita gente dentro.

 

 Olha esta POCILGA

 

Chegamos lá com antecedência e o estabelecimento ainda estava com as portas fechadas. Nós éramos basicamente quatro caipiras no meio da rua na Lapa sem saber o que fazer. Concordamos que deveríamos ficar juntos e evitar ao máximo qualquer tipo de gracinha para poupar nossa integridade.

5 minutos depois um cara extremamente suspeito, com barba desgrenhada, gorro e aspecto sujo chega do nosso lado. Puta que o pariu. Ele abre a jaqueta assim meio escondido e fala “dose de tequila por 5 reais?”. Fica aquele climão de “isso só pode ser pegadinha”. O silêncio paira no ar e o Zé, sempre sensato em situações de pressão, tenta resolver

 
– COM CERTEZA, MEU CAPITÃO! ME VÊ UMA PRA MIM E PARA OS MEUS RAPAZES
 

Ele simplesmente aceitou. O Zé nem bebe. Se o cara oferecesse MIJO pra gente o Zé aceitaria. Nisso o mendigo negociador tirou de dentro da jaqueta uma garrafa, uns copinhos plásticos, sal e limão. Quer dizer, teoricamente aquilo era sal e limão, né. Se bobear a tequila que ele botou no copo era óleo diluído de caminhão. Nunca saberíamos dizer, nunca tínhamos tomado tequila na vida.

 

O sujeito era mais ou menos uma mistura desses dois ladrões de Esqueceram de Mim

 

Daí pra frente não tinha volta. A gente se viu com aquele farelo branco na mão, um limão certamente colhido em um pomar de HIV e aquele copo sabe-se deus com o quê. O Zé, para mostrar que estava completamente no controle da situação, resolveu abrir a boca de novo.

 
– COMO É QUE A GENTE BEBERICA ESTA IGUARIA, MEU CHAPA?
 

Sério. Eu odeio o Zé. O mendigo de Wall Street pelo menos foi super solícito. Disse que era pra botar o limão na boca e depois o sal para então beber a tequila, eu acho. Sei lá. Eu realmente não aprendi direito. São só 3 etapas e ainda assim eu não sei até hoje. Enfim, bebemos o shot de Hepatite C e estávamos nos sentindo OS TRANSGRESSORES da região.

Começou o show e foram chegando mais alguns amigos. Dentre eles, a Cristal. Guarda bem essa informação: a Cristal estava empolgada para ver o show dos Gramofocas. Vou até deixar em vermelho para você não esquecer. A Cristal estava empolgada e veio de longe só para ver o show dos Gramofocas.

 

O vocalista do Costanzas era o Vin Diesel

 

Logo em seguida subiu no palco o Carbona. Ah, moleque. A chapa tava esquentando. Galera começou a ficar mais soltinha, mais aglomerada e eu, em determinado momento (possuído por aquele copo de gasolina vendido a mim como tequila), achei que seria uma boa ideia subir em uma das caixas de som do lugar para curtir o show como se eu estivesse em um festival de música alemão. Eu tava me sentindo o quinto membro da banda ali em cima, tal qual um rockstar. Na minha cabeça todos estavam pensando “olha que rapaz ousado! Vejam como este cavalheiro possui o dom da excelência”. Era meu momento.

Mas segundo testemunhas isso só durou uns 20 segundos até um segurança dar dois tapinhas na minha perna e pedir pra eu descer dali. Eu sou um fracasso.

 

O Carbona e esse efeito DESCOLADO de fotografias da night

 

Acabando o show deles, veio o grande momento da noite: Gramofocas. Puta que pariu eu amo Gramofocas. Quem me segue nas demais redes sociais já notou isso. Não da maneira que eu esperava, mas notou…

 

Invejosos.

 

Tipo, até então a galera nas apresentações anteriores estava animada com o Carbona e Costanzas. Mas broder, quando começou Gramofocas o recinto virou um purgatório. Eu não sabia 1) de onde tinha surgido tanta gente assim em tão pouco tempo 2) como aquelas pessoas fizeram para caber ali e ainda sobrar oxigênio 3) se eu sobreviveria.

 

Eu acho que tem umas 347 coisas acontecendo ao mesmo tempo nessas duas fotos

 

Mermão, eu tava desnorteado. Eu não conhecia na prática o conceito das rodinhas punk e vou te falar: só deus sabe o tanto de porrada que eu levei naquele dia. Era empurrão de um lado, cotovelada do outro…uma experiência única.

 

Olha eu sofrendo e curtindo ao lado de um cosplay do Marcelo Tas

 

O Zé, coitado, cismou de entrar em uma roda fazendo base de arte marcial. Não demorou 3 segundos e levou um soco na cara. A gente tava sendo moído ali, suando, abraçando sujeitos que não tomavam banho há pelo menos 4 dias e mesmo assim estávamos felizes. O Zé estava só o paninho da cachorra, porém num estado de euforia que a ciência ainda precisa estudar.

 

O cara já tava com a alma entregue a deus, alá

 

Foi sem dúvida um dos momentos mais legais da minha vida. No final da noite, antes de irmos embora, acabei fazendo amizade com a guitarrista do Costanzas (a Angélica, colunista do Tenho Mais Discos Que Amigos), ganhei uma palheta do Badke, vocal do Carbona, e ainda tirei uma foto com os Gramofocas.

 

A foto no caso foi tirada com uma torradeira, como vocês podem notar pela resolução

 

Alguns anos depois rolaram outros shows e tive a oportunidade de ter fotos bem mais excelentes, como essa:

 

OLHA EU CANTANDO COM OS CARAS EM 2012

 

Se o andar da carruagem continuar favorável, um dia vou ter uma foto tocando com eles no palco. Talvez eu seja só um menino sonhador. Só sei que depois desse show eu prometi a mim mesmo que nunca mais perderia nenhum.

 
[UPDATE: EU TOQUEI COM OS GRAMOFOCAS. FOI UM DOS DIAS MAIS LEGAIS DA MINHA VIDA! OLHA EU TOCANDO COM OS GRAMOFOCAS!

AHH, MAS NÃO FOI SÓ FOTO NÃO. OLHA EU EM VÍDEO TOCANDO COM OS GRAMOFOCAS

MAIS PUNK ROCKER QUE EU VOCÊ NÃO ENCONTRA POR AÍ NÃO]
 

 
A moral da história é: Detonautas é uma merda.

CENA PÓS-CRÉDITOS
 
 

Lembra da Cristal? Então. Durante o show do Carbona ela passou por nós no meio da muvuca falando “vou beber para curtir mais ainda os Gramofocas!”. Uns 40 minutos depois passa a Cristal de volta sendo carregada porque simplesmente bebeu sozinha mais do que o recinto inteiro.

 
 
A Cristal não viu o show dos Gramofocas